segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ser um chato


Tenho escutado algumas pessoas reclamarem sobre a propagação das minhas ideias ateias, assim como das polêmicas que tenho causado, especialmente em redes sociais. Isso não é de hoje, mas é especial, pois é a primeira vez que estou mexendo com vontade nesse ninho de marimbondo que é a fé. Em geral marquei minha vida por polêmicas, defendendo comunismo, falando sobre política, criticando o PSDB, metendo o pau em novelas e reality shows, falando mal de barulhos, cachorros, etc. As defesas que fiz também foram de coisas que geram controvérsias, o que me acirrou no meu nível de polêmica e de chatice.
Acredito que o brasileiro tenha um péssimo hábito de ser acomodado. Mesmo que odeie a situação, aceita por temer ser chato ao reclamar. É algo tipicamente brasileiro, e explica muita coisa errada pela qual temos passado. E em certo ponto tenho ciúme do que vejo na Argentina, na França, no Egito, na Grécia. Lá as pessoas não ficam sentadas esperando o mundo desabar em suas cabeças, nem se contentam com o que é ruim por achar que o mundo é injusto e não podemos fazer nada.
Sim, eu sou um chato para os padrões brasileiros. Acho muita coisa errada na religião, e critico isso. A religião já criou uma quantidade incontável de sofrimento e de assassinatos, e não acho que eu tenha qualquer razão pra respeitar isso. Recentemente a igreja católica apoiou o nazismo. Milhares de pessoas foram torturadas e assassinadas, roubadas e tiveram seu pensamento cerceado por causa disso. Acredito que essas pessoas dariam tudo na época por chatos que contestassem esses valores.
Também sou um chato com a política, porque vivemos num país onde a corrupção impera. Aqui o normal é político ser ladrão, e todo mundo dar risada da situação ou tentar tirar seu próprio proveito disso. E falar sobre política é ser ainda mais chato, pois é um assunto sem graça, e que exige grande conhecimento. Até se criou um discurso de que política não se discute. Mais uma excelente explicação do porque as coisas estarem como estão.
Sou um chato ao criticar reality shows e suas consequências para um povo que não se interesse por um mínimo de conhecimento mas perde horas e gasta dinheiro com programas estúpidos que ao invés de agregarem cosias somente fazem com que tenhamos preguiça de pensar. Assim como critico mídias que apresentam reportagens tendenciosas, mostrando determinados grupos como arruaceiros e criminosos, enquanto outros, por agirem das mesma forma ou de forma pior, são mostrados de maneira isolada e independente, sem qualquer relação com a filosofia que praticam.
Sou chato pra caralho com barulho, porque acredito que todas as pessoas têm o direito ao seu sossego, assim como têm o direito de escolher não partilhar determinada festa, reunião ou brincadeira. Todo mundo tem o direito de ficar em casa, sossegado, sem ter que aguentar barulho dos outros. E sou chato com rojões, porque qualquer pessoa que tenha um bebê ou animalzinho sabe que esta merda de divertido não tem nada.
Um amigo meu recentemente me disse que o direito de um termina no direito de outro, e por isso sou tão chato e tão polêmico. Acredito que o direito religioso transcendeu a própria fé, quando matou tantas pessoas. O direito de não falar de política deixou de ser individual quando eu estou sendo roubado no uso dos meus impostos. O direito da pessoa se divertir acabou quando ela me força a ouvir a merda de uma música que eu não quero ouvir, especialmente de madrugada. O direito de alguém assistir um programa acaba quando ele quer me forçar a entender o que está bosta representa, mas não quer sequer conversar sobre política.
Por isso eu sou chato, e insisto na minha chatice. Não acredito e nem tenho a pretensão de que as pessoas irão seguir minhas ideias. Não acho que ninguém vai virar ateu por minha causa, ou se tornar um esquerdista, nem começar a ouvir heavy metal, ou sequer irá ser amante de gatos porque eu gosto desse bicho.
Mas acredito que as pessoas irão comentar alguns assuntos, se eles forem propostos. E irão pensar a respeito. E esta é a ideia: se questionar. Duvidar dos limites que têm sido impostos, ou de até onde se está chegando, e de que isso vai trazer benefícios. Se questionar se as atitudes que temos tomado são as melhores pra se viver em uma sociedade, se conseguimos viver em grupo. Se questionar se você está praticando o que sua própria fé prega, ou se você tem sido hipócrita. Se questionar se os seus líderes religiosos agem de acordo com o que pregam, se agem de acordo com sua fé. Questionar se temos o direito de impedir a liberdade das pessoas por elas fazerem escolhas diferentes.
Pra muitos eu quero aparecer. Talvez eu queira mesmo. Mas infelizmente as pessoas ainda estão olhando pro meu nome, e as ideias ficam de lado. Eu gostaria de aparecer como a pessoa que está provocando a discussão, como alguém que tenta acrescentar alguma coisa. Pra isso estudei arte por um longo tempo, com dedicação, e estou apenas aplicando algumas coisas que aprendi.
Claro, sou um cara isolado. Tenho alguns poucos amigos que gostam de falar de política, mas em muitos assuntos, estou isolado, e talvez isso me faça ridículo pra muita gente. Mas, quer saber, quando que vocês me viram me preocupar com o que os outros pensam a meu respeito? Um outro grande amigo quando foi questionado disse que estava fazendo sua parte para o bem estar do país. Pois é isso que penso. Não consegui agir desta forma como professor, porque existiam muitas rédeas, apesar de aplicado muita polêmica dentro do conteúdo que passava, e ter sido feliz em fazer as pessoas refletirem muitas vezes. Mas faço o que posso como cidadão, até porque jamais alguém deixará de ser um artista ou um professor, e agora, um profissional do direito.
Eu espero que meus amigos continuem seguindo sua fé, sua ideologia política, continuem ouvindo as músicas que gostem, os programas de televisão que amam... espero que continuem defendendo seus pontos de vista, e entendo que de vez em quando agente perca um pouco o controle quando os defenda enfaticamente. Isso é bom, e acho que só tem a agregar ambas as partes. Acredito que adquiri bastante conhecimento e um pouco mais de percepção “do outro lado” com essas discussões. Isso tem feito com que mude alguns enfoques que eu abordo, e enfatize outros.
Mas fico feliz que pelo menos um seleto grupo de pessoas está pensando e argumentando, e provavelmente fazendo algumas pessoas, por menor que seja o número, pensar a respeito do que tem sido discutido. Analisar pontos das duas partes ou mais partes que argumentam. Em qualquer país do mundo isso é o que diferencia um país subdesenvolvido de um país justo. E acho que precisamos disso pra atingirmos um bom grau de respeito e de convivência das nossas infinitas e diversas expressões.
Por isso eu agradeço imensamente aos meus grandes amigos, Igor Félix, André Luis, Rodrigo Gallo, Nivaldo Menezes, Rodrigo Reis, Wagner Novais, Alessandro Lima, e minha esposa Vanessa Vieira, e as pessoas que pela minha terrível memória eu esqueci de mencionar, pelos inúmeros debates. Mesmo que vocês não acreditem, acho que me sinto um homem muito melhor depois deles, do que era antes. Se para o resto das pessoas não tiver servido pra nada, pelo menos pra mim ajudou bastante.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Um dia para nunca esquecer - Adote Um Gatinho


Meus últimos meses foram um furacão. Passei por uma quantidade tão grande de tempestades que acho que nem saberia descrever. Tive uma quantidade tão imensa de frustrações na minha vida que entrei num parafuso que pensei que nunca mais iria sair. Me tornei mal humorado por muito tempo, tive dificuldade em dormir. Não sentia muita alegria com a maior parte das coisas. Ter aguentado o que aguentei, ainda mais com o esforço que eu fiz, não foi muito fácil.
Mas na data de hoje, 29 de dezembro de 2012, tive a minha esperança renovada. Pude sentir uma alegria real que não sentia há muito tempo. Hoje fiz minha primeira visita para a ONG Adote um Gatinho. Já tinha tentado algumas vezes, mas estava errando o contato. Quando acertei, tive alguns problemas que me fizeram perder algumas semanas. E ainda por cima hoje, depois de um sério problema pessoal, e no caminho ter me perdido muito, pego uma chuva imensa e perdido uma das calotas do carro, consegui finalmente chegar ao lugar.
Uma casa simples, comum, que deve ter somente lá uns 200 gatos. São quatro ambientes. O primeiro deles é onde os gatos mais sociáveis e carinhosos ficam. Uma porção deles que ficam vindo no colo, pedem carinho toda hora, praticamente imploram por uma família, apesar de entender que eles têm uma excelente família ali.
O segundo é um ambiente dos quase socializados, os gatos que ainda não estão totalmente prontos mas estão quase. E ali conheci Ash, um gatinho que foi atropelado, perdendo o movimento das patas traseiras, submetido a fisioterapia e com fralda geriátrica. Um dos gatos mais carinhos e dóceis que conheci na minha vida. O gato escalava meu colo, se esfregava em mim, praticamente queria me abraçar. Ficou ao meu lado o tempo todo. Um animal encantador e com vibrações espetaculares.
A terceira sala era mais tensa. Gatos que tiveram sérios problemas e sofrem de medo e de estresse crônicos. A maioria temperamentais e muito assustados, achando que os humanos irão lhes fazer mal, talvez porque uma série destes ignorantes já fizeram mal antes. Ali percebemos o amor que as pessoas têm pelos bichinhos, pois apesar deles não permitirem quase contato algum, os voluntários os tratam com o mesmo carinho que os demais.
Mas o quarto ambiente é aquele onde você sente uma esperança que poderia ter sido perdida há muito tempo: o local onde ficam os gatos com leucemia. Cinco gatos no total. Não podem ter contato com os demais pois transmitem a doença. Cinco gatos extremamente dóceis e carinhosos. Um grandão, preto, que não me lembro o nome, ficou o tempo todo ao lado de uma menina, que devia ter uns seis ou sete anos, se esfregando e curtindo os afagos dela. De vez em quando vinha me pedir carinho, de maneira muito delicada e gentil.
Mas o que me deixou mais fascinado e não sai mais da minha mente foi o pequeno Chantily. Um gato novinho, judiado, magro e em recuperação. O bichinho além da leucemia do gato tem a AIDS felina. Graças a isso, sua imunidade é baixa. Mesmo assim, o bicho é um doce. Tranquilo e carinhoso, ele foi receptivo ao meu contato o tempo todo. E quando você vê um bichinho daquele que tinha tudo pra ser assustado e agressivo ser dócil com as pessoas, assim como a maioria dos bichanos que estão ali, você entende que a vida ainda tem um bom sentido.
E não só os gatos, mas as pessoas que ali trabalham. Pessoas que dedicam seu tempo a cuidar de gatos que ninguém mais quis. Dedicam seu tempo a cuidar de gatos que estão condenados, que nunca serão adotados. Pessoas que às vezes são arranhadas por gatos assustados, que precisam limpar, dar comida, às vezes gastar dinheiro. Algo que eu admirei como poucas vezes admirei pessoas na vida.
Não queria comentar pra ninguém sobre este dia, mas não da pra guardar esta alegria que estou sentindo. Não da pra manter em segredo do mundo a experiência que se tem estando em contato com este lugar, nem por questão de princípios deixar de de repente propiciar a outros terem este mesmo contato, e a mesma chance de fazer parte disso, nem que seja pelo pouco que se pode fazer.
Acredito que as moças do abrigo devem ter agradecido minha doação, minha visita, e o fato de eu ter apadrinhado três gatinhos. Mas isso está errado. Eu é que devo agradecê-las por terem permitido que eu tivesse visto isso na minha vida. Eu devo agradecer por elas terem demonstrado que realmente existem pessoas no mundo que são boas acima de qualquer coisa. Acho que eu devo agradecer por que elas me deram a chance de hoje ser um homem melhor. Assim como dão a chance a várias pessoas todos os dias. Assim como esses animais espetaculares.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Desistir sem tentar é coisa de perdedor


Em 2004 eu prestei meu primeiro concurso para Escrevente do Tribunal de Justiça. Naquela época fiquei feliz por ter competido com quase cem mil pessoas e chegado à segunda fase, numa boa classificação. Por um problema burocrático referente à minha deficiência física, acabei sendo eliminado. Na época estava mergulhado numa terrível depressão, e  não quis correr atrás desse erro que cometeram.
Analisando hoje, acho que posso me sentir feliz, por ter estudado tanto, ter me dedicado e me esforçado, e ter chegado tão perto, mesmo tendo vindo sem qualquer preparo. Acho que consegui superar muitas barreiras. Mas agi como um verdadeiro perdedor, ao deixar de lado algo que poderia ter mudado minha vida naquele momento. Ainda mais vendo alguns anos depois que quem esteve em situação equivalente à minha e tentou uma ação judicial, saiu-se bem.
Posso dizer que na vida sou um vencedor: consegui um ótimo emprego num órgão público, comprei minha casa, está toda mobiliada, sem dívidas, fiz o casamento que eu queria, tenho meu carro, estou cursando minha segunda faculdade... já fui chefe de setor. Tive um número incontável de vitórias na vida. Mas tive muitas derrotas também. Algumas me derrubaram de verdade, outras só me fizeram tropeçar.
Mas acho que posso olhar pra trás e ter orgulho do meu passado, pois eu jamais desisti de alguma coisa sem tentar: tentei ser professor, tentei ser chefe, tentei ser pintor, tentei manter relacionamentos que demonstravam estar afundando... tentei até mesmo acreditar em deus! Algumas vezes o resultado não foi o esperado, mas eu sei que se alguém me venceu, teve que suar bastante pra conseguir. E acho que isso é o mais gratificante: você saber que não é um perdedor, e que quem quiser te derrubar tem que ser realmente bom. Tem que ser bom pra caralho!
E vemos tanta gente se acomodando com o pouco que têm. As pessoas não querem melhorar, nem mesmo como pessoas. Aceitam os problemas que as cercam como se fossem coisas naturais (uma das coisas que mais me enojam nas religiões). As pessoas nem sequer se esforçam o bastante.
Perder faz parte da vida. Saber perder é essencial. Mas tirar proveito da derrota pra que na próxima luta você se saia vencedor, isso é o diferencial. E isso que faz a diferença entre ser um vencedor ou um perdedor. E quem se acomoda, ou deixa de tentar porque acha que a desilusão é inevitável, ou que uma derrota será uma catástrofe, esta se colocando num patamar de inferioridade que até mesmo pena desperta nos demais. E não há nada pior pra se sentir de uma pessoa do que pena.

Sexo no relacionamento


Eu andei lendo numas revistas relatos de pessoas que não se interessavam por sexo. Segundo a colunista eram pessoas que tinham uma vida normal, estavam inseridas em relacionamentos amorosos, mas não tinham o menor interesse por sexo. Sinceramente, não consigo acreditar que esta reportagem seja verdadeira. Entendo perfeitamente que pessoas são diferentes, e cada uma tem necessidades diferentes, mas dizer que uma pessoa não sente desejo sexual e isso é normal? Não, definitivamente, não.
Imagino o ato sexual como algo biológico, antes de mais nada. Você sente essa necessidade, e quando não há um parceiro para supri-la e esta necessidade está em níveis alarmantes, você supre sozinho, mas nunca deixa pra trás. Da mesma forma que é absolutamente imprescindível comer, cagar, beber água, etc. Largar o ato sexual pra mim seria o mesmo que dizer que não sente nenhuma necessidade das demais.
No entanto, algumas pessoas ficam sem sexo mesmo, não sentem este desejo, e então temos uma imenso problema. Acredito piamente que não sentir desejo sexual, seja homem ou mulher, é um sinal de algo está errado com o corpo, ou com a mente. E se a pessoa não consegue corrigir este problema sozinha, precisa de uma pessoa especializada. Mais ou menos como curar um machucado: se você passa remédio por alguns dias e ele continua aberto, você vai procurar o serviço médico.
E existem problemas sociais na falta de interesse em sexo: na imensa maioria das vezes o seu parceiro irá sentir a necessidade que você não está sentindo. E isso irá ser um problema gigantesco. Primeiro porque ele irá tentar e você irá fugir. Depois, ele irá procurar outra (ou outro, se for mulher). Algumas pessoas não se importam com isso, outras irão se sentir mal. Talvez a pessoa que foi “traída” também se sinta. Haverá um enorme conflito no relacionamento.
Se por acaso a pessoa conseguir resistir, mesmo com o instinto borbulhando, irá se sentir infeliz, porque estará desesperado por uma coisa que a outra pessoa não quer. Essa situação só pode terminar de duas formas diferentes: ou a pessoa aceita um relacionamento onde irá dividir seu parceiro, para que ele possa suprir o que ela não supre, ou o parceiro irá se cansar de esperar e irá desistir do relacionamento.
Não tem nada a ver com amor, ou com amizade, ou com respeito. Uma pessoa não deixa de amar a outra por causa de sexo, nem irá amar mais. Mas o desejo físico irá persistir, independente de amor ou não. E o conflito que irá gerar será suficiente para tornar a convivência insuportável. Não há amor que resista.
Não da pra imaginar uma pessoa que não passe por um momento de dificuldade sexual, seja por causa de estresse no trabalho, seja por causa de preocupações, seja por causa de problemas emotivos. Uma fase, natural. Mas se ela persistir, temos sem dúvida um problema. E este problema deve ser tratado, porque muitos aspectos da vida social giram em torno do sexo. Deixar um problema desses de lado é o mesmo que descobrir que temos câncer e esperar que ele se cure sozinho.

As religiões para o mal


Eu lembro de estar jantando em casa quando o Papa se pronunciou, em nome da igreja católica, contrário ao uso de camisinha. Segundo ele, a melhor maneira de se evitar uma gravidez indesejada e doenças venéreas, era o celibato. Pra mim este foi um dos atos mais macabros que um ser humano, especialmente aquele que se diz enviado de deus, poderia ter feito.
A igreja, incumbida de dar alento para as pessoas, deveria imaginar que as pessoas vão à religião para uma busca espiritual maior, assim como buscam abrandar seus sofrimentos e se tornarem pessoas melhores. No entanto, nenhuma religião pode suprir as necessidades fisiológicas, como comer, respirar, evacuar... não pode e nunca pôde, nem nunca vai poder, impedir que uma pessoa tenha tesão. Deveria, moralmente falando, dar um norte para que as pessoas sejam mais responsáveis e assumam seus atos.
Agora vamos imaginar uma garota, adolescente, com os hormônios explodindo, que está no ápice de seu namoro, e por acaso está sozinha com seu namorado, em casa. Inevitavelmente pelo contato físico, ela irá ficar excitada. Algumas pessoas conseguem se controlar melhor, outras não. As que não conseguem, mesmo sendo religiosas, poderiam ter um deslize, e não resistir. Se forem religiosas e tentarem seguir todos os princípios da igreja, irão correr um risco imenso de ficarem doentes e possivelmente morrer por causa de um deslize. Seria o mesmo que condenar o paraquedismo e dizer que as pessoas não podem usar o equipamento mesmo numa queda de avião.
Isso é algo cruel e irresponsável, além de ferir gravemente o livre arbítrio das pessoas. A igreja nunca foi incumbida de julgar ou de impor regras para as pessoas. Não é tarefa da igreja dizer o que as pessoas podem ou não fazer. O certo é orientar, e de maneira positiva. Mas pra uma instituição que tem um vasto histórico de torturas e mortes, e que conseguiu tudo o que conseguiu matando pessoas e roubando pobres, o que mais poderíamos esperar?
Um dos meus grandes sonhos era viver o suficiente para ver esta igreja de assassinos ruir até o último tijolo. Virar pó e sumir, como qualquer religião tribal antiga. Essa seria a pena para todas suas atrocidades. Mas eu sei que isso é pouco provável. Ficaria feliz se as pessoas pelo menos buscassem um pouco mais a história de sua própria existência, e tivessem consciência do que a igreja católica representa para o mundo, e de quantos danos irreparáveis ela nos trouxe.
Graças a igreja católica nós temos o racismo. A igreja pregou por séculos que os negros não têm alma, e permitiu desta forma que eles fossem escravizados, torturados e mortos da maneira mais baixa possível. Foi um pouco mais branda com os índios, mas não menos cruel. Suprimiu as mulheres por séculos, ainda as considerando inferiores aos homens. A igreja católica apoiou o nazismo e o massacre de milhões de judeus. É essa religião que as pessoas pedem que eu respeite, como se isso fosse uma opção.
Seria o mesmo que pedíssemos para respeitar um estuprador que jamais tivesse sido julgado por seus crimes, ou um assassino pedófilo que fosse amado por uma nação. Não faz sentido.
Da mesma forma temos diversas seitas, religiões, pregações e todo tipo de manifestação de fé que instiga as pessoas a odiarem um determinado grupo, por não seres estes escolhidos de deus. Fizeram isso em seitas evangélicas nos EUA, onde um maluco pregou ódio contra os muçulmanos; um dos maiores filhos da puta religiosos da atualidade, Silas Malafaia, prega abertamente o ódio aos homossexuais; os muçulmanos mais radicais pregam apedrejamento a mulheres adúlteras....
Sinceramente, não da pra ver que tipo de respeito pode-se ter por uma coisa dessas. Não tenho nem nunca tive deus no coração, mas jamais tive ódio de um ser humano por um período maior do que uma semana. E mesmo nos meus maiores momentos de raiva, jamais desejei um mal irreparável a ninguém. Nunca fui a favor de pena de morte, nem de tortura, nem nada que causasse dor. Por que deveria aceitar que religiões fizessem isso com grupos que na maior parte das vezes nem cometeram qualquer crime?
Alguns amigos me condenam por eu ser enfaticamente contra esta situação, mas não da pra ser tão passivo diante de barbáries intermináveis. Não da pra aceitar tanta dor como normal, nem crimes cometidos em nomes de entidades sagradas. Não da pra não imaginar que isso é algo estúpido. E se a pessoa segue este tipo de doutrina e entende que odiar um grupo de pessoas é normal e faz parte de uma crença, me desculpe, mas eu jamais irei respeitá-la. Não irei respeitar que prega qualquer tipo de raiva em nome de qualquer deus.
E entre ficar quieto por respeito a uma crença imbecil que só traz morte e dor, e arrumar mais brigas, prefiro a última opção.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Um pouco sobre o comunismo


Uma discussão interessante ressurgiu com a morte de Niemayer. A discussão sobre o comunismo. Fato este devido ao arquiteto ser comunista e favorável a Stállin. Algumas pessoas demonizaram o arquiteto por esta preferência, assim como por ter apoiado declaradamente Fidel Castro em Cuba.
Acho interessante a crítica ao tiranismo, uma vez que acho que o ditador russo foi muito pior que o próprio Hitler. Mas vejo que existe um desconhecimento absurdo a respeito do que representa o comunismo verdadeiramente, assim como estas líderes o deturparam ao longo dos tempos.
Apesar de ter sido um admirador fervoroso do comunismo na minha juventude, hoje em dia não sou favorável a nenhuma forma de governo, nem nenhum modelo político, e vejo coisas boas em todos, inclusive no capitalismo. Mas acredito que de todas as formas propostas, o comunismo é a que apresenta as melhores condições, mesmo ainda sendo inaplicável.
Pra quem já teve a oportunidade de ler autores comunistas, sabe que o que gera grande revolta em pessoas de esquerda é a injustiça social incurável do capitalismo. Poucas pessoas ganham muito dinheiro, enquanto uma maioria esmagadora da população morre na miséria. O povo é levado a pensar de maneira consumista, morrer por isso. E isso cria problemas sociais incalculáveis, pelos quais todos passamos. Uma distribuição de renda mais justa e a oportunidade de todos terem o mínimo pra sobreviverem é a única maneira de amenizar um quadro que está cada dia pior.
O comunismo veio pra tentar sanar este problema. Um sistema que propõe total igualdade entre todos, onde todos tenham tudo o que precisam para viver, e ninguém vai ganhar em cima de ninguém. Um sistema que põe fim à fome, à miséria, aos abismos sociais que afundam muitos países do mundo.
Só que esta doutrina apresenta falhas grotescas, no meu ponto de vista. Como por exemplo, revoluções armadas que criem uma ditadura inicialmente, onde o poder é concentrado nas mãos de poucos para que eles igualem o nível social, distribuam os bens, e ponham fim ao governo. Em todo e qualquer lugar do mundo o poder destrói ideais de qualquer um. Quem recebe todo o poder em suas mãos, pra fazer o que bem pensa, não quer mais abrir mão dele.
Foi assim que ocorreu na URSS, quando um maluco recebeu o poder depois de destruir seus adversários, inclusive do mesmo partido comunista, e começou uma perseguição terrível a seus opositores. Matou mais gente do que o nazismo alemão, apesar de ter se estendido por muito mais tempo. Oprimiu violentamente o próprio povo, e deu um exemplo a outros malucos pelo mundo de como se deveria governar. E para piorar, deu a mensagem ao mundo que o comunismo era uma forma ditatorial e assassina de governo, onde as pessoas eram oprimidas e destruídas se se opusessem.
Por favor, um pouco de conhecimento e leitura sobre o tema vai mostrar que isso é uma bobagem. O que homens como Stállin e Castro fizeram não é comunismo. E nunca será. Apesar de eu achar que é absolutamente impossível a aplicação do comunismo no mundo atualmente, porque ele prevê uma sociedade que queira ser igual, que queira ver a felicidade de todos. E nós sabemos que nossa sociedade não difere muito dos animais.
Mas, temos que apontar algumas coisas boas, especialmente em Cuba. Um país onde não há analfabetismo, não há pessoas passando fome. Todo mundo tem pouco, e não há chance de “crescer na vida”. Mas o povo tem um sistema de educação impecável e têm o sustento necessário para viverem. Acho que o preço que pagam por isso é alto demais, e que alguns países da Europa apresentam soluções mais suaves com resultados excelentes, que beiram tanto a perfeição quanto os cubanos. Mas um país que tem sobrevivido tanto tempo com o mundo os bloqueando, merece um pouco de crédito, não?
Acredito que Niemayer foi um pouco iludido com as maravilhas pregadas pelo comunismo, como muita gente foi, como eu fui. Acredito que ele entendia realmente que essas revoluções e tantas mortes eram necessárias, como o primeiro passo para termos um sistema de igualdade total. Provavelmente ele era um marxista fervoroso, acreditando em cada vírgula que ele escreveu. Mas dizer que ele é um idiota por isso, como escreveu um idiota de uma revista mais idiota ainda, cujos leitores são idiotas incuráveis, é o mesmo que dizer que quem é cristão é assassino e torturador, diante dos horrores que essa religião impôs ao longo dos anos.

A grande falta de energia


O assunto do momento no mundo da política é a diminuição da conta de energia, numa imensa queda de braços entre Dilma e o PT, contra alguns governadores do PSDB. Gostaria de me manter isento nessa disputa, mas é impossível, uma vez que estamos recebendo mais uma vez uma rajada de merda dos tucanos bem no meio da fuça. Claro que eles não estão preocupados com o bem estar de ninguém.
Todo mundo sabe há muito tempo que nossa energia está entre as mais caras do planeta. Temos problemas sérios na qualidade da energia, com constantes apagões e faltas de energia repentinas, que levaram a Eletropaulo a receber uma multa de R$40 milhões, que acabou por ser suspensa pela justiça não pela empresa ter sido considerada inocente, e sim para que o “gasto da empresa com a multa não acarretasse maior falta de investimentos”. Ou seja, fizeram merda, e ainda foram abençoados pelo judiciário.
Agora, alegando a vigência dos contratos e a intromissão do governo federal em assuntos estaduais, os nossos governadores tucanos querem impedir essa diminuição na conta de seus Estados. Dizem que muitos acionistas irão perder dinheiro com esta mudança, empresas irão deixar de investir no Brasil porque contratos não estão sendo respeitados. Todo tipo de argumento pra ajudar a manter os empresários com seu lucro.
Mas vamos lembrar que a produção de energia é um serviço público, que tem por finalidade devolver um serviço ao povo, daquilo que ele paga em impostos. Não só o que ele paga em impostos, como aquilo que ele paga duas vezes, uma vez que além dos mencionados, paga também uma tarifa para manter a alimentação de energia ativa em sua residência, o que tem sido feito mal e porcamente.
Se é um serviço público essencial, jamais poderá ter como finalidade o lucro. E com isso, fica totalmente absurdo este argumento que as empresas irão perder dinheiro. Se o interesse é ganhar dinheiro, como toda empresa privada, que vão trabalhar no comércio. A prestação deste serviço público não é um ato de venda que tais empresas podem fazer, como têm feito, explorando a falta de escolha da população.
E este é mais um motivo que temos para repudias esta praga que chama-se privatização (privataria, se formos ser bastante honestos). Empresas privadas têm o intuito de ganhar dinheiro. E não estão erradas nisso. Só que o serviço público não deveria servir pra isso. Claro, se quiserem usar estes contratos para promoverem sua marca pela qualidade do serviço prestado e pelo marketing que poderiam fazer, tudo bem. Mas ganhar dinheiro, jamais.
Obviamente que nossa presidenta quer ganhar mais votos para as eleições, e aproveitar esta imbecilidade dos tucanos para enfraquece-los ainda mais. A ação dela, como tem feito o PT ao longo dos anos, é totalmente eleitoreira. Assim como é eleitoreira a atitude tucana de distribuir materiais escolares para crianças matriculadas no Ensino Médio e Fundamental do Estado. Mas, que se foda. Aquilo que traz benefício para o povo tem que ser louvado, seja de onde vier. Temos que aplaudir esta distribuição de materiais para as crianças dos tucanos, e temos que aplaudir a ajuda dos petistas ao povo nordestino, que viveram tanto tempo na miséria.
E parar, como ignorantes paulistas que somos, de defender arduamente empresários inescrupulosos que querem ganhar dinheiro explorando as pessoas. Não que todos os empresários sejam desonestos pq não são. Talvez só uma ínfima minoria. Mas uma minoria que arrebenta toda uma população.

O momento anti-religião


Ao longo da minha vida sempre fui um cara extremamente depressivo, até meus 24 anos, sim, um ano decisivo na vida de todo homem. Até então, tive vários problemas que me faziam questionar o valor da vida. Associado a isso, via uma realidade que não tinha um pingo de justiça. Minha experiência de vida, meus sentimentos, e minhas observações me fizeram concluir que essa ideia de deus era uma piada, por sinal de muito mal gosto, que eu não tinha interesse em compartilhar.
Pra conseguir vencer na vida, tive que ralar muito. Primeiro superando alguns problemas pessoais muito sérios, depois tendo que vencer meus próprios limites e mudar minha mente, e depois, tive que me esforçar muito pra conseguir chegar onde cheguei. Acho que meu momento mais simbólico e especial foi ter passado no concurso de Escrevente do TJ, quando concorri com uma infinidade de advogados, e estudando direito por conta própria, consegui chegar lá.
Mas ao longo da vida sempre tem um chato querendo te convencer que deus existe. E  isso gerava em mim um mix de diversão e aborrecimento. Aborrecimento, primeiramente, porque sempre foi um saco aguentar essas pessoas achando que conhecem a verdade do universo, e acreditando que poderiam convencer pessoas de sua verdade, baseado somente em argumentos. Diversão, porque eu sempre ri, intimamente, da ideia das pessoas de acharem que conseguem mudar a mente de alguém que teve uma vida inteira de sentimentos e emoções que trouxeram determinada verdade, assim como anos de estudos, pesquisas e debates de opiniões, especialmente alguém que já tinha lido a Bíblia várias vezes.
Só que eu sempre fui muito paciente. Acho que a graça que eu via era maior do que a irritação, e por isso sempre deixei as pessoas falarem, se emocionarem, e acreditarem que estavam me tocando de alguma forma. Sempre deixei, até o dia 08 de outubro de 2011. Naquele dia eu percebi que no mundo não existe um pingo de justiça, e percebi que pessoas boas nunca serão recompensadas por serem boas.
Sim, este dia me transformou, mais do que as pessoas podem imaginar. E não só este dia, mas as consequências do que ele provocou. Ao longo de quase um ano vi minha vida entrar num inferno quase tão intenso quanto nos meus tempos de adolescência. Tudo aquilo que eu lutei, que eu acreditei e que eu me dediquei virou pó em uma hora. Por muito pouco, meu relacionamento não chegou ao fim, e isso só não ocorreu porque eu fui insistente e, na medida do possível, muito compreensivo, apesar de ter entrado em parafuso por muitas vezes.
A partir deste dia passei a ver as pessoas rezando como algo incrivelmente estúpido. Pra que rezar pra porra de um deus que, existindo, não vai ter a mínima dó de te foder quando você mais precisar? Você passa por um inferno, tem que fazer um força danada pra sair do buraco, precisa encontrar razões pra viver em coisas que praticamente não fazem sentido, e ainda esperam agradecer a deus por todo esse sofrimento?
Claro, quem sou eu pra julgar isso? Cada pessoa tem suas razões, seus sentimentos e suas emoções, o que as leva a ter uma determinada crença ou determinada conduta. O problema é que eu não quero contato algum com esse tipo de conduta. Não quero mais saber da benevolência de deus, de seus planos idiotas para o mundo, nem de como ele irá atender as suas preces sinceras (o que eu bem tenho visto). Não quero mais ouvir falar da existência desse ser.
Mas infelizmente as pessoas não entendem isso. Querem falar dessa merda de deus o tempo todo. Querem dividir com você está felicidade tão falsa quanto receber um presente do papai noel. Querem dividir a alegria em e-mails, redes sociais, panfletos, rádios, etc. E você, que escolheu não querer esse tipo de merda na sua vida nunca mais, acaba por ser obrigado a suportar isso, pela liberdade de expressão.
E como eu percebi que estas pessoas têm mesmo o direito de se expressarem, entendi que eu também tenho. Eu posso dizer o que penso dessa baboseira, e o que isso representa na minha vida. Afinal, estamos num país livre, não estamos?
Só que minha opinião sobre deus é agressiva, necessariamente. Primeiro, por negar sua existência e acreditar piamente que a fé nessa ilusão demonstra uma incapacidade de raciocínio indescritível. Depois, por acreditar que estes dogmas da religião são responsáveis pelas grandes merdas do mundo, e acreditar que as religiões são grupos assassinos voltados a controlar a mente das pessoas e coibirem o próprio pensamento.
Por fim, admitindo-se a possibilidade de deus existir, o que devemos fazer, eu tenho plena certeza que ele é o grande filho da puta do universo. Um ser sádico, que vem se divertindo com o sofrimento de toda a raça humana, que criou o mal, uma vez que é onipotente, onisciente e onipresente, e que vem o perpetuando pela nossa história, uma vez que “não cai uma folha de uma árvore sem que tenha sido por vonta de deus”. Um ser egocêntrico, que ameaça “seus próprios filhos” se eles não o idolatrarem, assim como os irá enviar a um sofrimento eterno por isso. Um ser dos mais desprezíveis e asquerosos que se pode imaginar.
Como se pode ver, minha opinião é muito mais agressiva do que eu tenho divulgado. E minha intolerância com seres religiosos chegou a um nível que eu preciso me controlar pra não sair na mão, o que, obviamente, me igualaria a todos esses imbecis fanáticos que matam em nome de deus. E posso assegurar que eu não vou recuar nas minhas ações.
Quer dizer, se as pessoas entenderem que existem opções pessoais e diferentes, e pararem de falar essa merda de deus pra quem não quer ouvir, ou pra quem tem outra religião, aí tudo bem, respeitarei o íntimo de cada um, e passarei a guardar minha posição pra mim. Caso contrário, prefiro continuar me manifestando, doa a quem doer.
E entendo que tem gente que jamais manifestou qualquer posicionamento tentando nos meter deus goela abaixo. Porém, nunca vi estas pessoas ficarem contestando quem faz isso, como têm feito com meu posicionamento. E acho uma profunda hipocrisia virem querer reclamar da minha agressividade, da minha falta de respeito aos dogmas e à fé cristã, sem nunca terem feito o mesmo pra quem quer empurrar essa fé. Por isso prefiro continuar enfrentando essas pessoas, que na verdade só aumentam minha agressividade.
E, claro, um mínimo de neurônio é suficiente para entender que contrariar a ideia de deus requer que se fale nele. Até porque seria algo no mínimo engraçado usar termos subliminares pra fazer a crítica. Pra alguns pode-se dizer que falar tanto um nome teria como resultado a propaganda contrária. Pra quem não sabe usar o cérebro, pode ser mesmo. Mas pra quem consegue refletir sobre o que está sendo dito, e a chance de contestar coisas absurdas.
Então, amigos, fiquem tranquilos: assim que os religiosos pararem de falar sobre deus, eu paro de contestá-lo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A revolução silenciosa


Como todos devem imaginar, quando eu era um adolescente eu era favorável à revolução socialista. Achava que somente uma revolta armada e radical seria capaz de mudar o mundo, de acabar com a injustiça que existe no nosso planeta. Como todo adolescente, eu era iludido com esta grande utopia, com uma boa intenção, mas sem saber o que fazer.
Hoje eu vejo que a violência e a coerção são uma estupidez, em todos os sentidos. As pessoas não se sentem inclinadas a serem justas quando são obrigadas a fazer o que não querem. Se você enfia um sistema de governo que elas não entendem, provavelmente irão tentar derrubá-lo, mesmo que demore anos, e mesmo que muita gente morra com isso.
Se você enfia uma religião goela abaixo, as pessoas sentem medo por um tempo, mas começam a aparecer contestadores, o mundo se volta contra esse grupo, e uma hora a possibilidade da queda é enorme.
Não sou mais comunista, nem capitalista. Hoje acredito apenas que devemos brigar por justiça social. E acredito que temos que mudar a mente das pessoas, fazer com que entendam a necessidade de sermos boas pessoas, honestos, e justos. Temos uma imensa necessidade de fazer com que as pessoas entendam o que representa viver em sociedade, em grupo, e a necessidade de fazermos alguns sacrifícios para vivermos bem com todos.
Por isso a guerra tem que ser com ideias, não com armas. Quanto mais sangue uma revolução derrama, mais sangue irá ser derramado no futuro. A violência física gera grupos rivais, que irão duelar até a morte, ou para sempre. Já a violência intelectual estimula as pessoas a tentarem derrubar seu adversário com argumentos.
Pensamentos agressivos gera pessoas revoltadas com certas frases, e isso as faz pensar. Num primeiro momento, na tentativa desesperada de vencer seu oponente na batalha intelectual. Em seguida, quando as coisas se acalmam, as partes poderão vir a pensar com calma sobre o ponto de vista da outra parte. E na tentativa de vencer, é bem provável que as pessoas busquem informações, para aprimorarem sua argumentação.
Claro, não acho que a saída mais perfeita seja a argumentação agressiva, mas estamos num momento crítico. Estamos vivendo uma época em que as pessoas não se respeitam mais, tratam as mulheres com objetos sexuais, mentem por tudo, tentam se dar bem a qualquer custo, se matam por futebol, por religião, por um par de sapatos.  É preciso sacodir o povo, fazer com que as pessoas sejam obrigadas a pensar, e mudar. E nunca através de violência física.
Daí minha insistência em agredir religiões, como venho fazendo. Estou realmente farto da hipocrisia, quando pessoas usam suas religiões, suas crenças e sua fé para justificar as merdas que fazem. As pessoas usam deus pra dar razão a imensa desigualdade no mundo, forçando pessoas a agradecerem enquanto outros morrem de fome. Usam suas religiões pra justificar roubo de pessoas inocentes. E se escondem em deus, criando um falso moralismo pra esconderem atitudes baixas e nocivas ao mundo. Acho que não da mais pra tolerar isso.
Apesar disso, não tenho a pretensão de tentar acabar com as religiões, apesar de considerar que isso seria benéfico para a humanidade. Mas seria muito bom que as pessoas parassem de usar essa merda como desculpa, pra justificar um mundo injusto e cheio de guerras e mortes, assim como usarem essa merda pra achar normal que pessoas estejam sofrendo tanto sem terem feito mal a ninguém.
Isso é a revolução silenciosa, que não quer fazer com que um determinado regime político seja vencedor, assim como não quer impor uma fé ou uma falta de fé pra ninguém, mas quer que as pessoas voltem a ter um  pouco de ética, que se preocupem um pouco mais com os outros, assim como passem a ver o sofrimento como algo ruim e anormal, e não permaneçam bestificadas diante de toda merda que ocorre nesse mundo louco.

As crianças e a religião


Um dos pontos que tenho batido e pé incisivamente é que não aceitarei que um futuro filho meu seja batizado. Nem sequer permitirei que o levem pra qualquer culto religioso enquanto ele não tiver consciência suficiente para entender o que está sendo feito. Provavelmente a maioria vai achar que este é um ato meu por ser ateu, mesmo que eu argumente. Mas eu acredito que enfiar uma crença religiosa numa criança é um atento contra seu desenvolvimento intelectual.
Quando eu era pequeno minha avó materna me infernizou algumas vezes pra ir pro centro espírita. Eu lembro que tivemos algumas discussões e na maior parte das vezes eu fui obrigado, o que me faz ficar furioso até hoje com essas lembranças. Pra mim aquilo era algo chatíssimo e sem sentido, uma vez que eu não sentia porra nenhuma naquele lugar. E olha que admiro o espiritismo em muitos aspectos.
Eu devia ter uns 10 anos, talvez menos. Não consegui entender perfeitamente o conceito de Deus, nem o que representava a bíblia, encarnação, céu e inferno, nem nada dessa baboseira. Aliás, naquela época eu nem lembro se levava alguma coisa a sério na vida. E olha que minha tia sempre me diz que eu nasci comunista, uma vez que era contestador desde criancinha.
Agora imagina uma criança que é criada num meio evangélico fervoroso, onde a mãe usa deus pra argumentar qualquer coisa que aconteça. Na cabeça da criança, Deus é a resposta pra absolutamente tudo. Fora que a criança vai crescer morrendo de medo de fazer qualquer coisa que desagrade a deus e ir queimar no inferno por causa disso.
Não da pra exigir que uma criança compreenda o que está sendo falado. Ela jamais irá compreender o que representa atitudes que levam à punição eterna, nem o que é uma sessão mediúnica, ou o que é um ritual de yoga. Esse pensamento abstrato só vem quando nos questionamos sobre a nossa existência e sobre a realidade em que vivemos. Que questionamento uma criança vai fazer?
Eu mesmo jamais poderia exigir de uma criança que ele concluísse pela não existência de deus, uma vez que ela jamais poderá entender os questionamentos que levam uma pessoa a contestar o pensamento cristão, e as críticas que fazemos às filosofias teológicas. Isso não faz parte da mentalidade de uma criança.
Acredito piamente que ao você levar uma criança para frequentar uma crença religiosa, você está primeiramente  cercando sua liberdade, uma vez que seu contato com as demais crenças irá ser nulo, o que podemos concluir que seja definitivamente uma lavagem cerebral. Com isso, a fé desta pessoa jamais irá ser sólida, uma vez que ela nunca irá ter pontos de vista pra contestar. E quando isso ocorrer, provavelmente ela irá desmoronar.
Por outro lado, quando alguém acredita, ou deixa de acreditar em algo, é levado a isso por vários motivos. E esses motivos são pessoais, e algumas vezes inexplicáveis. Forçar algo não vai fazer com que nenhuma fé ou nenhum sentimento se consolide. Pelo contrário, pode ocorrer como ocorreu no meu caso, ou no caso de uma prima minha, em que esse exagero de fé levou a uma raiva que jamais passou. Aí o tiro se volta contra a própria arma...
Não pretendo que um filho meu seja ateu, nem vou fazer qualquer coisa pra impedir isso. Espero que ele tenha consciência e inteligência o suficiente, para no momento certo tomar as próprias decisões. Espero que ele faça isso baseado em suas experiências e em seus sentimentos, e não pelo que a família quer. E espero que qualquer decisão a ser tomada seja sólida, pelo menos ao passar dos tempos, pois todo ponto de vista sofrerá um bombardeio por toda a vida.
Por isso, aconteça o que acontecer, filho meu só será batizado se assim ele escolher, e quando a idade for compatível com sua capacidade de escolha, sem influências nem promessas de vantagens. Não importa contra quem eu tenha que brigar pra isso.

Futsal e os esportes sem surpresa


A FIFA organizou sete campeonatos mundiais de futsal desde 1989. O Brasil venceu cinco vezes, e a Espanha duas. Nos torneios anteriores, não organizados pela FIFA, somente o Brasil tinha sido campeão. Nas sete edições oficiais, Brasil e Espanha fizeram a final quatro vezes, ou seja, mais que metade das edições. Mesmo quando não decidiram, uma das duas equipes estava na final. De uns anos pra cá, a Itália sempre é eliminada nas semi finais.
Isso é o futsal internacional. Um esporte previsível. Quando começa o torneio, sabemos que teremos Brasil e Espanha na final, ou pelo menos um deles. E um dos dois ficará com o título. Dezesseis seleções começam o torneio, e somente duas aparecem com chances de título. Algo inacreditável, pensando-se que faz parte de um esporte, onde a competição deveria ser privilegiada.
Pra assistir um esporte desses, ou você é brasileiro, ou é espanhol, ou apenas quer ver um espetáculo, como o faz quando vai ao teatro ou ao cinema. Não adianta um argentino, um iraniano, um colombiano acompanhar e torcer por sua seleção, porque ele sabe que no fim o campeão será um dos dois que historicamente vencem. Além de ser um esporte sem competição, não tem valor mercadológico, porque torcedores aceitam acompanhar seus times perdendo até certo ponto.
Já critiquei o vôlei por isso, mas pelo menos o vôlei ainda tem algumas pequenas surpresas, como a Polônia ser campeã da Liga Mundial. Obviamente que os jogos olímpicos ficam entre Brasil, Rússia e EUA, mas ainda temos times fortes que podem surpreender os grandes, e de vez em quando, apesar de ser bem de  vez em quando, chegar a uma final.
Ou seja, na minha opinião, o futsal se apresenta hoje como o esporte coletivo mais chato e previsível de todos, onde não existe chance para surpresas, nem para os pequenos. Você não precisa acompanhar o torneio, basta assistir a final, que será entre Brasil e Espanha. E não precisa ficar tenso e preocupado, pois a chance de o Brasil perder o título é menor do que 50%.
Sim, eu confirmo o que eu coloquei no facebook e que gerou tanta polêmica: o futsal é um esporte de merda. Um esporte onde não há chance, não há emoção, nem surpresa, nem merda nenhuma, que não um script marcado e sem improvisos. Um esporte de merda, porque jamais vai conseguir mobilizar multidões, nem se tornar popular. Daí porque ter que levar suas competições para países como a Tailânida, que vê ali sua única chance de receber um evento relativamente importante, e a única chance de ter ginásios pelo menos com metade de capacidade preenchida. Ou levar o evento para o Brasil e para a Espanha.
Não há porque não concluir que este não seja um esporte de merda.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Que porra de democracia é essa?


Ao longo de toda a minha vida eu convivi com manifestações teístas, de diversas religiões, como espíritas, católicas, evangélicas, etc. Manifestações que tentavam a todo custo me convencer sobre a verdade que traziam, a felicidade na aceitação de deus, os problemas que a falta me causaria. Quando estas pessoas exageravam na dose, eu ficava puto, mas raramente discutia ou brigava. Em geral, eu as deixava falar, porque uma hora a pessoa cansa.
Mas essa merda de religião na cansa nunca. Você passa a vida todo ouvindo mensagens e mais mensagens tentando te convencer a aceitar Jesus. E quando você está numa situação realmente difícil, estas mensagens se tornam praticamente um bombardeio. E se estas pessoas sabem que você é ateu, aí vira uma guerra psicológica.
E chegou um momento em que eu cansei de ficar quieto. Primeiro por ter que sair sozinho de situações extremas, onde eu precisava encontrar uma razão pra continuar nessa vida. Depois de ter ralado muito, ter ficado noites em clara, tentando me reerguer contra situações extremas, eu consegui com bons amigos me apoiando, mas sem nenhum Deus a quem eu tivesse recorrido.
Depois, vendo todos os nossos sonhos virarem pó, e pessoas excelentes tendo que passar por um sofrimento indescritível, eu tive certeza de esta merda de deus é uma bobagem que as pessoas usam apenas para controlar e machucar umas as outras. Ninguém tem ideia do sofrimento que foram os primeiros dez meses após a tragédia. Ninguém jamais poderá imaginar pelo que passamos, pelo que eu passei. Então ninguém jamais poderá querer dizer como eu devo pensar sobre tudo isso.
Sim, eu comecei a me manifestar. Comecei a expor com clareza o que eu penso, doa a quem doer. Porque ninguém vai ouvir as suas preces. Ninguém virá te trazer um milagre no último segundo. Se você não levantar a porra da bunda da cadeira e começar a fazer alguma coisa pra se ajudar, você vai se foder legal, meu amigo. E mesmo quando você toma as ações corretas e se prepara bem, ainda assim você corre o risco de ser pêgo pela fatalidade, e ter que começar a construir seu caminho de novo, passo por passo.
Mas é óbvio que se você tem uma opinião contrária à maioria, você sempre será o errado, o cara revoltado, o cara que quer aparecer. Contrariar a ideia de deus num país que 90% da população acredita nesse papai noel é errado. Esse é o tipo de pensamento que por si só ofende as pessoas. E isso sempre será assim, porque quem é ateu acredita que a Bíblia é uma besteira enorme, e que religiões serviram ao longo dos anos pra matar, torturar e criar infelicidade entre as pessoas. Basta estudar um pouquinho de história. E saber que você serve assassinos com certeza irá te ofender. Mas esta é a verdade.
E claro que eu entendo que pessoas pensam diferente de mim. Aliás, poucas vezes encontrei pessoas pensando da mesma forma que eu, exceto na política. Sei que meus comentários e meus textos serão alvos de críticas. E acreditem em mim: gosto disso. A polêmica gera a discussão, ideias divergentes. E acredito que isso seja extremamente saudável, pois é com o debate que se chega a um consenso, qualquer que seja o assunto.
Ao longo dos anos a humanidade se viu diante de polêmicas, e precisou pensar pra sair destas situações. A igreja católica um dia foi contestada em sua soberania, com a crítica de suas atitudes sanguinárias, para que se pudesse ter a religião protestante. Um dia as pessoas precisaram protestar, fazer greve e até mesmo dar a vida para que tivessem direitos trabalhistas. As mulheres precisaram protestar, reclamar, e chocar o mundo pra que pudessem ter sua liberdade e o direito a serem iguais, para que pudessem ter direito a ter uma vida sexual satisfatória.
E todas essas pessoas foram contestadas. Todas foram criticadas e acusadas de promoverem a desordem, ferirem a moral, de ofenderem os valores que havia na época. Com certeza quem foi contra escravidão de negros no século XIX ofendeu aqueles que ganhavam seu sustento disso. Esta é a vida, e provavelmente sempre será assim.
Agora querem que eu me cale porque minha opinião é contrária à massa. Eu devo manter o silêncio porque meu modo de pensar vai ofender a crença de todos. Claro, mocinhas, eu sei que irei ferir seus sentimentos expondo os meus. Mas, aceitar opiniões divergentes faz parte daquilo que ouvimos na infância de nossos pais, do “tornar-se homens”. Talvez vocês que nunca são contestados tenham uma grande dificuldade com isso, mas acreditem: respeitar o que nos contraria não é tão difícil assim.
Eu continuarei. Não me importo o quanto as pessoas irão me odiar. E menos ainda o que irão pensar sobre mim. Cara, você provavelmente não entendeu que eu sou ateu. Eu sou a negação de valores sociais, como outros 10% que pensam como eu. Eu já ouvi por causa disso todo tipo de crítica, ofensa e manifestação de ódio que você possa imaginar. Já conheci pessoas que pararam de falar comigo por causa do que eu penso. Você acredita mesmo que eu vou recuar por que você ficou com raivinha?
Eu não importo como as pessoas vão pensar no meu modo de me vestir. Não me importo se irão se indignar pelo fato de eu ser fanático por heavy metal, ou por ser um amante incondicional de gatos. Não me importo se vão ficar indignada quanto eu repudio valores tidos como intocáveis. E mais do que tudo isso: não me importo muito se você quiser continuar acreditando em deus, usar roupas da moda, se quiser ser um religioso moralista, nem se você gosta de pagode. Não me importo que você tenha sua opinião, desde que você seja consciente nem obrigue ninguém a seguir o que você segue, ou ouvir o que você ouve. Se você quer me ofender sobre isso, beleza, não vai ser o primeiro, e provavelmente não será o último. E também não vai fazer sequer um arranhão sobre meu modo de pensar.
Com certeza eu continuarei discutindo meu ponto de vista sobre suas manifestações que considero erradas, como a pena de morte, ataques a casamento gay, etc. E não vou me sentir nenhum pouco ofendido se minhas ideias ateias, do sexo livre, do casamento gay, e toda forma de polêmica forem contestadas. Porque isso é a democracia, porra. Isso é o que faz com que possamos evoluir, como gente grande. Ninguém precisa partir pra ofensas pessoais pra contestar ideias, a não ser que não se tenha argumento plausível pra debate-las, e se veja forçado a ser como um selvagem.
Doa a quem doer.

São Paulo quase Rio


Antigamente quando ouvíamos notícias do Rio de Janeiro, tínhamos a clara sensação de que estávamos diante de uma terra em guerra civil, onde a polícia era refém dos criminosos, e praticamente lutavam todos os dias apenas para sobreviver. A população não tinha segurança, e saía de casa num clima de “roleta russa”, sem saber ao certo se voltaria para casa viva ou não.
Agora basta abrir a porta de casa para nos sentirmos assim. Enquanto o Rio teve significativas melhoras nos últimos anos, São Paulo se tornou uma praça de guerra e de extermínio como poucas vezes se viu. Policiais têm sido mortos todas as noites, em execuções por vingança, mostrando que a segurança em nosso Estado não passa de uma piada.
Muita coisa no governo estadual é uma tragédia, mas pouca coisa vem à tona. Agora com as mortes de policiais, não há como esconder. O crime organizado está destruindo todo nossos sistema policial, mostrando que ele não é nada. A polícia está com medo, e em evidente desvantagem.
Pra quem já precisou dos serviços da polícia, sabe o quão ruim as coisas são. Sequer pra coibir o excesso de barulho eles têm eficiência. Parece que nos últimos anos a polícia vinha tentando não atender ocorrências, não sei se pela extrema falta de pessoal, ou se por comodidade mesmo. Quem um dia precisou fazer um boletim de ocorrência deve ter ideia da tragédia que é isso.
E nosso ilustre governador... esse tem extrapolado todos os níveis de lucidez que poderíamos imaginar. A afirmação de que São Paulo é a maior cidade do mundo e que os índices de assassinatos são proporcionais é algo que deixa qualquer um estupefato. Acho que ele não entendeu que a polícia está sendo massacrada. Aqueles que deveriam ser os responsáveis pela segurança estão sendo destruídos, o que deixa clara a mensagem para o povo que ele governa que cada um será obrigado a cuidar da sua própria segurança. Mas acho que a inteligência de nosso picolé não atingiu este nível ainda.
Mas para ele, a mídia faz propaganda contra São Paulo. Claro, só porque estão matando alguns policiais todos os dias, é preciso noticiar? Aliás, ele nem está acostumado mesmo a ter as merdas do governo divulgadas na TV, assim como várias CPIs engavetadas na administração tucana, o sustento da editora Abril com verbas públicas pra que esta editora não os ataque, arrocho salarial, sucateamento do serviço público. Agora que eles são obrigados a responder uma crítica feroz, é claro que ele não sabe como fazer.
O povo sabe que aqui virou uma terra sem lei. Sabe que nosso governo é fraco e incompetente. E sabe que temos uma polícia sem condições de agir. O povo começa a buscar soluções extremistas, como sair matando todo mundo. Ninguém mais confia no governo, apesar de pouca gente conseguir raciocinar sobre a culpa desse partidinho de merda sobre o que está acontecendo. E agora sabemos que São Paulo está com muito medo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vergonha verde


Dia 18 de novembro de 2012. Dez anos depois, o Palmeiras é rebaixado pela segunda vez no Campeonato Brasileiro. Eu deveria dizer que como palmeirense estou triste, mas não estou. O que aconteceu foi plenamente justo e previsível. Incrível mesmo foi ser campeão da Copa do Brasil no primeiro semestre.
Entendo que tudo na vida deve provir de organização. As pessoas precisam ser minimamente organizadas pra conseguir algum tipo de sucesso na vida. Você obtém êxito num concurso público se você estudar regularmente, tiver uma dedicação mais ou menos razoável, etc. Consegue comprar uma casa se for uma pessoa controlada com dinheiro, que entenda que juntar dinheiro é quase que uma obrigação. Tudo na vida precisa de organização.
E não é o que temos visto no Palmeiras há um bom tempo. Facções política diferentes disputam avidamente o poder no clube. Mais parece a máfia do que dirigentes. Até aí tudo bem, todo clube tem disputa de poder. Mas em geral as partes divergentes querem que seu time do coração vença e seja campeão, independente de quem está no comando.
No Palmeiras é cada um por si. E não só isso, como quem comanda espera e faz tudo o que estiver a seu alcance pra prejudicar o trabalho do seu opositor. Prefere ver o Palmeiras perdendo para ter o poder, do que ver seu time do coração ser campeão de alguma coisa. E se passar uma imensa vergonha com isso, melhor ainda. Ou seja, o Palmeiras é um  time comandado por uma guerra civil.
E há muito tempo que está claro pra todo mundo que o destino seria esse. Há anos o time é mero coadjuvante para seus principais adversários, não conquistando títulos, nem disputando finais importantes. Sendo goleado rotineiramente, e sendo preterido pelas principais emissoras de televisão. Isso é mais do que óbvio.
Não vou deixar de torcer pelo Palmeiras, porque esse tipo de coisa agente não escolhe. Mas, por outro lado, não consigo deixar de lado os meus ideais por causa de uma suposta paixão por um time. Não posso torcer pelo sucesso de pessoas hipócritas e interesseiras, que não medem esforço para conseguirem o que querem, especialmente quando isso prejudica um monte de gente. Isso não é certo, independente de que camisa. Não achei nada correto o Corinthians usar dinheiro público para construir seu estádio, por que agora deveria achar certo que dirigentes usem um time que é a paixão de muita gente para seus interesses particulares?
Acredito que a torcida do Palmeiras vá encolher ainda mais. E acredito que dias negros estão à vista. Não da pra torcer por um time com tanta podridão, mesmo que eu torça pra que pessoas possam recuperá-lo. E mais ainda, é com muita tristeza que eu penso que eu seria totalmente errado se eu tentasse fazer com que um filho meu fosse palmeirense, se meu time tem uma realidade tão catastrófica.

Onde está o respeito?


Se você mora em periferia, você já deve ter passado mais de uma madrugada com os nervos a flor da pele porque algum vizinho seu resolveu dar uma festinha, e às 3h00 da manhã está com o som no último volume, e um monte de gente está gritando na casa do seu lado. Você provavelmente já deve ter sido acordado domingo bem cedo porque aquele seu vizinho trabalhador resolveu reformar sua casa, e começou a quebrar e bater em todas as paredes, além de ligar a furadeira pra colocar os novos furos dos móveis. Também deve ter passado uma madrugada inteira entre acordar e dormir, porque um bando de cachorros ficou latindo pro nada horas e horas sem parar, enquanto você tentava desesperadamente dormir.
Eu sempre fui e sempre serei um estressado com esse tipo de coisa. Mas depois que voltei de Buenos Aires, me dei conta da mediocridade em que estamos atolados. Lá você realmente dorme à noite, as pessoas têm controle total sobre seus animais, ninguém precisa ouvir música no último volume pra se divertir, nem passar com o carro cheio de módulos pra mostrar pra todo o mundo que tem um som potente. Lá as pessoas respeitam minimamente a privacidade das demais.
E não sei exatamente onde nos perdemos, mas parece que nos tornamos babacas demais pra nos importamos com isso. E digo “nós”, porque acho que muitas vezes eu mesmo não me importo com alguns excessos de barulhos. Já é normal sermos acordados por gritos, é normal o sujeito estacionar o carro na calçada e impedir a passagem de todo mundo, é normal as pessoas pararem no meio do caminho, montarem barraca e criar transtorno para pessoas andarem. É normal você aceitar o som do seu vizinho, para não parecer chato.
Chegamos a um ponto em que a sociedade ruiu. Aqui cada um faz exclusivamente o que lhe dá na telha, e não importa em que isso irá intervir na vida dos outros. E não se trata de manifestar opiniões divergentes, e sim de obrigar as pessoas a compactuar de coisas que elas muitas vezes não gostam. E não deixar opção. Ninguém vai furar os tímpanos pra não ouvir o barulho do seu som, nem é um super homem pra arrancar seu carro da calçada. Elas simplesmente são obrigadas a suportar aquilo que as prejudica, porque um desgraçado acha que é dono do mundo.
O que eu me questiono mesmo é saber se as pessoas realmente são felizes dessa forma. Se elas acham que viver desta forma é algo que realmente lhes de prazer e alegria. Eu queria saber se é realmente pra isso que as pessoas têm se esforçado tanto. E se a resposta for sim, realmente teremos um imenso problema...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

The Walking Dead


Sou um homem que odeio seriados Americanos. Primeiro porque demora anos pra chegar ao fim, segundo porque eu tenho um tempo um tanto quanto escasso, e segundo porque em geral começa-se a encher demais a linguiça pra conseguir manter o tempo de história. Além disso, histórias com zumbis servem apenas para entretenimento momentâneo. Uma hora e meio vendo gente ser dilacerada pra quem gosta de filmes de terror, sabendo que no fim todo mundo morre. Desta feita, o seriado The Walking Dead tinha tudo pra ser um fiasco no meu conceito.
Comecei a assistir a série porque meu amigo Rodrigo Reis nos convidou pra reunir a galera em sua casa pra assistir o primeiro episódio. Como eu gosto muito de estar entre os amigos, achei que seria uma boa ideia, mesmo imaginando o quão besta iria ser o programa. Cerca de um ano depois tenho a série toda baixada no meu computador, além de ter lido as 54 primeiras edições dos quadrinhos, e ter baixado até a 70ª no computador, só não tem o restante porque ainda não tive paciência pra baixar uma por uma.
A história começa com o policial Rick em coma, e quando acorda, o mundo está infestado por zumbis. Ele vê sua cidade morta, e sua família desaparecida. O seu primeiro passo é encontra-los. Assistindo ainda o segundo episódio, temos o protagonista encontrando um grupo de sobreviventes, em meio a um ataque de zumbis, em Atlanta, já tomada pelo caos. Nada tão diferente do que ocorre em filmes como Madrugada dos Mortos e coisas do tipo.
Até agora tivemos 24 episódios lançados, numa história bastante complexa e cheia de tensão. Em pouco tempo você percebe que os zumbis são somente um pretexto. O que conta aqui é a situação extrema, onde o que importa é sobreviver. As poucas pessoas que restaram devem lutar por suas vidas, praticamente sem esperança e sem nada que lhes dê grande vantagem, exceto a inteligência.
Mas o que é incrível nesta história é ver diversos tipos de personalidades diferentes, colocadas constantemente em situações de extremo perigo e tensão, passando pro traumas e perdas, sendo modificadas pelo ambiente ao longo dos meses. Conseguimos imaginar o que passaríamos se estivéssemos diante destas situações, a cada episódio, a cada fato, e a cada reação de cada personagem.
Temos na história um traficante racista, um homem que banca de mal, mas na verdade apresenta um grande coração; um garoto que ainda têm esperanças na humanidade; um mulher forte e decidida que perde a irmã e tem que encontrar um razão pra sobreviver neste mundo terrível; dois amigos que disputam o amor da mesma mulher, vendo a própria amizade de ambos se esfacelar por causa deste amor. Pessoas questionando decisões de outros. Um prato recheado com muita informação.
Ao longo da história os personagens se deparam com situações bastante complicadas, como a decisão de matar ou não um intruso que os agrediu, mas que aparentemente o fez porque não tinha outra escolha. Decidir o que fazer com um celeiro cheio de zumbis cultivados por um homem que tem esperança de que sejam apenas pessoas doentes. Entre tantas situações extremas pelas quais passam.
Não necessariamente um protagonista nessa história, apesar de ter um pouco mais de importância o próprio Rick. Outros personagens que ao longo da série ganham grande importância e passam a ser decisivos para a série, acabam por morrer. Outros que pareciam ser meros coadjuvantes ao longo da história ganham importância. Temos uma situação onde é inimaginável saber quem vai viver ou quem vai morrer no próximo episódio. É tensão e polêmica o tempo todo.
Como eu disse, os zumbis são o pretexto. O que importa é ver como reage o ser humano quando o medo o domina. Como reagem as pessoas em situações extremas, quando não há mais lei e eles estão equiparados a animais selvagens. Analisar diversos tipos de mentalidades diferentes, querendo resolver as coisas ao seu modo. Conflitos reais numa situação hipotética.
Pra quem gosta de uma história bastante original, muito bem elaborada, cheia de reviravoltas e surpresas, onde nem sempre a justiça prevalece, The Walking Dead é essencial. Uma história única, épica, que com certeza será um marco. E serve de quebra pra fazer com que pessoas que odeiem séries e zumbis revejam seus conceitos.

Novas reflexões sobre a vida


Algumas pessoas acreditam que quando estamos próximos à morte e sobrevivemos temos uma revelação, e isso muda a nossa vida. Eu posso dizer que morri duas vezes, e esta ideia é absolutamente certa. E essa revelação, para estas pessoas, vem como um cosmo lançado em nossa alma, que nos transforma em outras pessoas de uma hora pra outra. E acreditem: elas estão completamente erradas.
Quando você vê sua vida ruir em um segundo, isso é a morte. Seus sonhos morrem naquele momento, sua luta, seu esforço, sua fé. Tudo vira nada. E por mais que o dia amanheça, você não é mais a mesma pessoa. O mundo passa a ser outro, de um momento para outro. Você entende que passa a ser um zumbi, porque você percebe que ali sua alma pode ter morrido, mas seu corpo continua fazendo as mesmas coisas que sempre fez. E falem o que quiserem, isso é a morte, em sua versão mais cruel.
Acreditem: não existe nada pior no mundo do que a sensação de impotência. E quando ela é elevada a graus maiores do que os nossos valores, essa sensação passa a ser uma navalha, que corta lenta e tortuosamente sua pele. Você ver seu esforço ser reduzido a pó, é algo terrível. Quando seu esforço é por algo realmente importante, isso é algo parecido com cortarem um pedaço do seu corpo. E foi exatamente isso que aconteceu: eu dediquei boa parte da minha vida por fazer pessoas felizes. E sim, eu sei que isso não depende de mim, mas acredito que um pouco da magia de vivermos como seres humanos é podermos proporcionar isso a pessoas. E eu fiz isso por alguém que eu amo, além de toda sua família, por serem pessoas honestas, que merecem o melhor.
Dediquei meus dias por fazer uma pessoa se sentir realmente feliz e importante. Dediquei todo meu esforço, minha saúde e minha energia em ver uma mulher realmente sentir o que era seu maior sonho. Trabalhei além da minha necessidade e muito além das minhas forças. Fiquei noites acordado pensando em maneiras das coisas saírem perfeitas. Deixei de lado por um bom tempo família e amigos. Arrumei brigas por causa disso. Perdi meu humor. E num pequeno segundo, tudo acabou, como se nunca tivesse acontecido. Todos os sonhos, todos os esforços, todo o desejo de alegria, tudo estava morto.
E as pessoas dizem que quando nos vemos diante de uma situação de extremo perigo ou de total desespero, nessa hora nós encontramos e pensamos em deus.Elas estão certas e erradas. Quando você vê pessoas boas e honestas, que dedicam suas vidas em fazer do mundo um lugar melhor, sofrerem um sofrimento inexplicável no momento de maior sensibilidade de suas vidas, você não vê deus em porra de lugar algum. Quando a injustiça é absolutamente desproporcional, você não imagina sequer uma mísera possibilidade dele existir. Mas em um determinado momento isso passa sim pela sua cabeça: você se vê diante desse sofrimento, e tenta entender, se ele existe, como esse maldito desgraçado pode colocar tanto sofrimento gratuito na vida de pessoas que não mereciam isso. E no segundo seguinte, você entende que o simples fato de pensar na existência de um verme desse tipo te faz um idiota.
Não, deus não existe. E quanto a isso, não resta a menor sombra de dúvida. Ele nunca irá ouvir suas preces, nem irá te ajudar no último segundo a fazer da sua vida algo melhor. Nem irá te dar a luz que você precisa quando você estiver desesperado. E não irá fazê-lo se você frequentar a missa todos os domingos, ou se você estiver sempre no culto da sua igreja, ou se você for um praticante do evangelho no lar. Porque deus é simplesmente uma das mais estupidas e inexplicáveis ilusões que a humanidade insiste em usar para continuar fazendo as mesmas merdas que sempre fez.
Mas, isso traz revolta. Para alguns, como é o meu caso, esta revolta é externada claramente. Para outros, vêm em forma de reclusão e irritação. Mas todos sentem. E isso faz com que tenhamos dúvidas, sobre até que ponto nossas vidas estão sendo guiadas pela maneira correta.
E como em qualquer situação extrema, isso nos muda. E infelizmente, para pior. Você fica desgostoso com a própria vida. Você deixa seus ideais escaparem por entre seus dedos, se torna uma pessoa impaciente, briguenta. O sono some. Sua capacidade de conversar sobre assunto polêmicos vira propensão à brigas. Você se torna intolerante com muita coisa. E então você entende porque o evento foi a sua morte.
Eu entendi plenamente porque pessoas usam drogas, bebem até cair e continuam bebendo todos os dias. Porque pessoas vivem no crime. Porque pessoas se metem numa religião como se fossem depender somente dela para permanecerem vivas. Esse é o momento em que a esperança acaba, e todos tentamos desesperadamente nos apegarmos a alguma coisa.
Mas, cara, é preciso entender: a vida continua. Todos sabemos que um dia ela acaba. Não dá pra ter sequer ideia de quando, mas ela vai acabar. Será injusta, e provavelmente triste, mas é a única certeza que temos. E não da pra saber se erra porra de vida vale a pena ou não, mas não da pra pararmos de tentar. Acho que o que pode nos diferenciar é a capacidade que temos de nos levantarmos e tentarmos de novo, e de novo, e de novo...
E  demorou, mas eu consegui me reerguer. Na verdade, este processo está acontecendo ainda, assim como todas as pessoas que passaram por traumas em suas vidas. Algumas não conseguem. Demorou, mas eu começo a controlar meu humor, deixando de lado coisas ruins e sem sentido, como a porra de uma formalidade inútil no seu trabalho, que serve pra que você acredite ser um mal profissional, quando você é um cara do caralho, mas que deixa de lado frescuras inúteis. Ou quando agente perde a paciência além da conta quando alguém derruba um pedaço de doce no chão branco da sala, e você sai tanto do sério que esquece que um pequeno pedaço de pano com um pouco de água resolve seu problema em alguns segundos.
Este processo é lento, doloroso e com cicatrizes. E dói, pra caralho. Por muitas vezes da vontade de desistir e mandar o mundo a merda. Viver no seu mundo, sem ver tanto sofrimento. Mas isso seria apenas o enterro de uma morte sem sentido. Mas, cara, vale a pena levantar e tentar de novo. Vale a pena saber que você consegue dar a volta por cima de um monte de coisas. E vale a pena você conseguir olhar pra dentro de si mesmo e observar seus próprios erros. E vale mais a pena do que qualquer coisa você ser capaz de se curar e se concertar, porque este deve ser o desafio mais difícil que qualquer ser humano pode passar.
Mas mesmo que seja por um breve momento, o sorriso de felicidade de uma pessoa, especialmente por estar ao seu lado, é o que faz esta vida tão cheia de pedras valer cada segundo.

QUANDO O ESTÍMULO ACABA


Dando sequência à minha epopeia de inferno astral, cheguei num ponto onde estou sentindo que as coisas no TJ ficaram muito parecidas com o que era na escola. Claro, nada que se compare àquele monte de gente gritando e jogando coisas, mas minha falta de estímulo começa a ficar igual. Pela primeira vez desde que cheguei lá, me sinto sem vontade de trabalhar, pensando seriamente em procurar outro lugar para tentar fazer o melhor, e por que não, traído.
Uma das maiores dádivas que recebi do meu pai é a minha maior maldição. Eu sou um perfeccionista. E não daquele tipo que quer tudo extremamente ordenado e visivelmente bonito, mas aquele que quer que tudo saia na máxima eficiência no menor tempo possível. Gosto de dar vazão a uma quantidade absurda de trabalho, assumindo que para isso ocorram alguns erros.
O que me deixa mais “orgulhoso” e convencido é saber que, quando cheguei a um determinado setor, a situação era um caos total. Imagina que todo o serviço estava atrasado, desorganizado e errado. E que, em pouco tempo, eu e meu colega conseguimos colocar as coisas em ordem, deixamos o serviço em dia e começamos a organizar partes que nem eram nosso serviço, mas que poderiam servir para agilizar o serviço de todo o resto do setor. Quando você consegue deixar as coisas na linha deste modo, você realmente se sente foda.
Imagina que, de um uma pequena parte do seu serviço você consegue fazer 1.600 “trabalhos”. E de tudo aquilo que você faz, o que é muito mais do que isso, você faz 50 “trabalhos” errados. Isso seria menos de 1% de erro. Mas esta porcentagem é o suficiente para tornar sua vida um inferno, com várias reclamações, com dúvidas frequentes até mesmo da qualidade do que você faz.
E então resolvem que o método que você usou para colocar toda a bagunça em ordem, e deixou o serviço em dia, está errado. E resolvem a partir de informações sabe-se lá de onde, gente que não tem a menor ideia do que você faz todos os dias, o que é mais complexo e o que é mais fácil, o que precisa ser feito com mais frequência ou não. E você avisa claramente que esta situação vai ser um desastre. Mas as pessoas, baseadas em sabe-se lá o que, batem o pé que não, que não tem como dar errado (como não tinha naquele caos total, né?). E em questão de um estalar de dedo, seu trabalho volta a ser uma zona completa, onde você sabe que está sendo forçado a ser ineficiente, e trabalhar na constante zona.
Desculpe, mas não. Não dá pra trabalhar nesta catástrofe. Não da pra aceitar que temos que fazer o serviço mal feito porque alguns egos querem que seja desta forma. Não da pra aceitar que você veja seus resultados despencarem porque alguém impôs algo que não faz o menor sentido, ou porque algum outro setor, que não tem nada a ver comigo, não consegue cumprir sua parte. Não existe nada mais frustrante do que saber que você pode fazer algo muito melhor, mas tem alguém tentando impedir que você faça. Isso é o que me deixa mais desestimulado no trabalho.
E a partir do momento que você passa meses recebendo elogios de quase todos os seus colegas, que pessoas de outros setores admiram o que você faz, e que muita gente diz que você é indispensável para o bom andamento do serviço, não da pra pensar que eu estou sendo arrogante, egocêntrico ou briguento ao colocar tais pontos. Acho que já provei por todos os modos possíveis aquilo que sou capaz, o quanto consigo fazer com que as coisas andem com maior rapidez e eficiência. E acho que, depois de tanto tempo, e ter ajudado significativamente para a melhoria do serviço, posso dizer que sei exatamente o que estou falando, e o quanto estou frustrado em chegar a um ponto onde alguns burocratas parecem fazer força para que a coisa não ande.