terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Você não tem mesmo político de estimação?

Há um tempo atrás fazia algumas críticas ao Ministro Joaquim Barbosa, pela teoria do conhecimento do fato, aplicada para condenar José Genoíno. Especificamente porque nosso direito não contempla esse tipo de ideia, assim como pelo fato de, se isso for imposto ao cidadão comum, muita gente honesta e trabalhadora será posta na cadeia sem ter feito nada.
Joaquim Barbosa se declarou, à Folha de São Paulo, dos que eu li, ser eleitor de Dilma e Lula, elogiando as conquistas de seus governos. Mesmo assim, sendo também nomeado por Lula, não deixou de cumprir seu papel, condenando alguns políticos petistas pelo cometimento de crime. O principal, José Dirceu, era o segundo nome mais forte do partido, e principal nome para suceder Lula em 2010.
O exemplo de Joaquim Barbosa, mesmo não concordando com seus métodos, deveriam ser seguidos. Ele não deixou suas preferências pessoais interferirem em seu trabalho, nem em seu juízo de valores. Aliás, possivelmente, como petista, exigiu um comportamento de acordo de seus eleitos.
O que vemos agora é o extremo oposto. Temos o tratamento de herói a quem condena quem nós somos contra, mesmo que este herói esteja agindo descaradamente contrário aos preceitos legais.
O maior exemplo é o juiz Sérgio Moro. As ações deste juiz são extremamente contrárias às nossas leis. As condenações e ações incisivas contra políticos do PT, inclusive com indeferimento de pedidos da defesa, associado ao histórico familiar com o PSDB, principal adversário petista, onde o mesmo participa de eventos ao lado de tucanos, postando fotos em ações sociais, são os grandes sinônimos de imoralidades cometidas por este juiz.
Analisando nosso histórico político, acredito que Lula tenha culpa no cartório. No entanto, minha crença não é suficiente para condená-lo. Toda condenação requer prova, ampla defesa e a observância do processo legal. Se estes preceitos não forem observados, não há condenação válida.
Além disso, a todos é garantido, de forma constitucional, juiz imparcial. Se ele é amigo da parte, ou inimigo capital, o processo está viciado. Sendo assim, existe a possibilidade de se anular um processo em que o político é culpado, é imensa. E neste sentido, todos aqueles que são anti-PT poderá ter seu sonho anulado por erros grosseiros do juiz.
Não há como pular as etapas judiciais, nem como exigir a prisão de alguém cujas provas não demonstram a culpa. Eu não tenho como, por exemplo, querer a condenação de Aécio Neves, o mais delatado da operação Lava Jato, sem que seja provado amplamente que ele tem culpa.
Mas o que podemos exigir é ampla investigação, de todos. Não só os políticos, como todos os brasileiros.
E a partir do momento que se comemora a prisão do Lula, mas não há qualquer comoção por pelo menos uma investigação contra Aécio e Serra, por exemplo, demonstra-se claramente que não existe uma comoção popular contra a corrupção, mas sim contra o PT.

Daí vemos que existe sim por parte da população, um abraço imenso a políticos que sustentem os mesmos objetivos, mesmo que sejam estes políticos corruptos, sendo eles, mesmo por tempo limitado, seus políticos de estimação.

terça-feira, 26 de julho de 2016

UNINOVE DIREITO - UMA PÉSSIMA INSTITUIÇÃO

Há quase cinco anos iniciei o curso de direito, na Uninove Vergueiro, pagando cerca de R$350,00 por mês. Em princípio, me empolguei bastante com o nível de aulas e com a estrutura da instituição.
Agora, prestes a iniciar o décimo e último semestre do curso, minha opinião mudou radicalmente, chegando ao ponto de concluir que esta instituição é tão ruim quanto a Vivo, que até hoje é a empresa que eu mais abomino de todo o setor privado.
Como todo mundo sabe, a secretaria da instituição é um desastre completo, e ao que parece irreversível. O sistema de infraestrutura decaiu em pouco tempo, com um envelhecimento da biblioteca, sem muita renovação, limpeza precária, chegando ao ponto de ficarmos dias sem papel higiênico, papel toalha e sabonetes, em TODOS os banheiros.
Para piorar, os acessos para deficientes físicos foram retirados, ficando somente os elevadores, sempre lotados e demorados, e que não trariam grande benefício em caso de urgência, uma vez que qualquer curso de brigadista recomenda o não uso do aparelho em casos extremos. Ou seja, para um deficiente físico a instituição é uma condenação certa.
A instituição apresenta uma quantidade imensa de salas sem qualquer tipo de ventilação, totalmente vedadas, sendo objeto de reclamação em todos os locais possíveis para postagem de clientes, oficiais ou não. Eu mesmo já tive uma coleção de problemas com isso, sendo claustrofóbico com laudo assinado.
Estruturalmente a faculdade é um desastre que ao meu ver não tem grandes chances de modificação, exceto se tivermos uma mudança generalizada na mentalidade dos profissionais envolvidos.
O que sempre salvou a instituição foi a qualidade do ensino apresentado, algo que eu enaltecia até o fim do sexto semestre do curso. Esta postura, a meu ver, foi totalmente alterada, pondo fim à qualidade citada.
A Universidade criou um projeto de curso voltado exclusivamente para a aprovação no curso da OAB. Tornou-se praticamente um cursinho de cinco anos, com resultados pífios, nesse sentido. O que temos é uma reprodução copista de conhecimentos, leitura de artigos e uma explicação técnica de cada um deles, algo que uma pessoa de inteligência média pode conseguir lendo os códigos.
Eu mesmo, em 2007, fui aprovado no concurso para Escrevente, sendo formado em Artes Plásticas, apenas pegando os códigos e normas, lendo e relendo os artigos determinados no edital, decorando-os sem muita preocupação, e conseguindo minha nomeação, na frente de muitos graduados. Agora, a única melhoria em relação ao meu método é que eu tenho alguém que venha tirar minhas dúvidas.
Não existe qualquer produção de conhecimento no sentido real da palavra. Pessoas, que estão para interpretar as leis e aplicá-las em caso concreto, não são nem mesmo estimuladas a conseguir fazer uso do material oficial com a vida real. E isso fica bem claro nas aulas de prática jurídica, a meu ver, o aspecto mais decepcionante do curso.
Tais aulas, ministradas aos sábados, tirando totalmente a possibilidade de descanso dos alunos depois da semana cheia de aulas e o trabalho para pagar o curso de cada um, apresentam uma infinidade de peças jurídicas, escritas por advogados em defesa de um cliente, numa situação hipotética, uma limitação que nenhuma relação tem com a prática de um profissional jurídico, a não ser um advogado.
E para piorar, analisando uma situação imaginária, apresentada para que o futuro advogado defenda os interesses de uma determinada pessoa, indicada pelo caso, o que temos é uma folha de respostas que deve ser fielmente seguida. Se eu analisar o código e o caso e encontrar uma forma de defesa diversa, e argumentar nesse sentido, perderei pontos por fazer uso de outra tese, cuja justificativa é a realização da prova da OAB, que em geral pouco tem me interessado, e conforme já citado, não seria necessário uma faculdade pra isso, exceto pela necessidade do diploma.
O que posso dizer que em, até agora um ano e meio tendo aulas de prática, a única coisa que posso apresentar é a realização de um modelo de petição feita por advogados, o que tenho contato direto em todos os dias da minha vida profissional, bem como não mais que uma aula seria suficiente. Mas em geral, não vejo grandes proveitos em perder todos os meus sábados para atingir um resultado tão pífio e de pura memorização.
E tudo isso, no fim, com um boleto de R$923,00, mais de 200% de aumento, utilizados de forma enganadora, com descontos fornecidos em uma mensalidade cheia, no intuito de poderem evitar uma chuva de ações judiciais. Ou seja, pagamos infinitamente mais caro por um ensino infinitamente ruim.
Para fechar com chave de ouro, o Trabalho de Conclusão de Curso é uma imensa e sem graça piada. Algo feito inteiramente pela plataforma virtual, com instrução muito pobre sobre os pontos exigidos, sem qualquer ensino sobre metodologia científica. Eu sequer conheço o rosto do meu orientador.
Na data da apresentação um dos professores da banca, no início da minha fala saiu da sala e voltou quando havia encerrado. A meu ver, tive um bom desempenho, dito também por colegas que assistiram. Não foi feita qualquer pergunta e mesmo assim perdi quase 2 pontos na apresentação. Enviei e-mail pessoalmente questionando o orientador, sem receber qualquer resposta. No fim, aceitei a nota apenas para me ver livre desse pesadelo, sabendo que as pessoas que avaliaram não demonstraram qualquer capacidade para o fazer.
Como conclusão do curso, vejo uma instituição muito ruim, muito desorganizada e sem qualquer abertura para ouvir as necessidades e reclamações de seus alunos, que pagam e sustentam a instituição. A resposta que tive, em contato direto com o diretor geral, foi que a situação é assim há 13 anos, dando certo então vai ficar. Há 13 anos o país era bem diferente para dizer que não precisamos mudar nada, eu acho.
Não vale o dinheiro investido. Saio da instituição com vergonha de ter este nome no meu diploma e já pensando rapidamente numa pós, para poder deixar essa instituição como totalmente secundária na minha vida. Acredito que mesmo falando em ensino particular, há instituição pelo menos não tão ruins, que valorizem seres pensantes, e não somente memorizadores de artigos e de peças.

Se alguém quiser meu conselho, não venha para esta instituição, pois ela não vale o sacrifício.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

FEMINISMO

No final de 1999, ao realizar a redação do vestibular da Unicamp, me deparei com o tema mais interessante que já realizei em redações: a relação de igualdade entre os gêneros demonstrando o nível de evolução que cada nação atingira. A prova, como qualquer outra, trazia textos, excelentes, demonstrando que a igualdade entre homens e mulheres, em seu sentido máximo, demonstrava que quanto maior, mais equilibrado, desenvolvido e com grandes Índices de Desenvolvimento Humano detinha o país.
Por muitos anos eu pesquisei sobre o assunto, bem como observei em filmes, documentários e noticiários a forma como as mulheres são tratadas em cada país e em cada cultura. A conclusão óbvia é que a igualdade é a única forma de atingirmos bons níveis em todo e qualquer análise.
Acredito que nesse sentido, o movimento feminista é de essencial importância para que homens e mulheres tenham os mesmos direitos: liberdade sexual, liberdade de pensamento, salários iguais, tratamento, respeito, etc. Até mesmo para direitos que algumas sociedades em geral possuem, como a nossa, os movimentos feministas foram fundamentais, como as greves com desfecho trágico por igualdade de direitos, que após  serem conquistados, atingiram os homens também.
Nesse sentido, cada vez que vejo manifestações machistas, sinto certa vergonha de ser homem. É bastante triste ver uma mulher que tenha uma vida sexual ativa, mesmo sendo solteira, ser classificada com os piores adjetivos possíveis, enquanto homens podem fazer o que bem entenderem. Também acho lamentável a repulsa que muitos têm ao serem comandados por mulheres em empresas. O preconceito extremo que existe ao ver mulheres dirigindo. E quantos outros exemplos que vemos diariamente.
E este machismo, mais infelizmente ainda, não é coisa só para homens. O que eu vejo de mulheres com pensamentos extremamente machistas é algo que me enche ainda mais de vergonha. Mulheres detonando outras mulheres por suas vidas sexuais é algo que choca tanto, que nem palavras para contestar nos vêm. Detonando outras mulheres por erros ao dirigirem (enquanto elas mesmas estavam no volante), ou pelo sucesso que estas venham ter, ou mesmo por terem amizade com outros homens.
A cultura machista existe, não só em relação aos pensamentos que os homens têm, como muitas e muitas mulheres. Pensamentos estes que, em pleno século XXI, com tantas lutas, atos e protestos, deixaram de fazer qualquer tipo de sentido, sendo quase tão ridículos quanto frases racistas.
Particularmente acho que a coisa mais linda que existe é uma mulher atingindo orgasmo, ou pelo menos gozando. Sou tão fissurado na busca disso, que já fui até criticado pela minha esposa por não me preocupar comigo mesmo. Sou capaz de lembrar das expressões de cada mulher que já transei na vida, chegando lá. Este é um dos pensamentos que mais me enche de alegria e melhora meu ego.
Utilizando este tema, que é um dos mais polêmicos que ainda assola nossa sociedade, não faz mais sentido tratamento desigual, qualquer que seja o assunto a se tratar. A sociedade se constrói com todos os cidadãos. O sucesso de todos, de forma igual, é o sucesso da sociedade. O mesmo vale para a sociedade conjugal, para a família, para uma empresa. O pensamento entre homens e mulheres deveria ser separado única e exclusivamente quando estivermos pensando na paquera e no ato sexual, apenas pelas necessidades fisiológicas de cada um.
Nesse sentido a única ressalva a ser feita a algumas feministas, as mais radicais, são de tratar homens e mulheres como rivais. Acredito que isso apenas muda o foco do problema, mas o mantém. Homens e mulheres são iguais e devem ser tratados como tais, sempre.

Mesmo assim, as idéias e reivindicações do movimento feminista devem ser louvadas e tratadas com toda a gratidão possível, porque se temos, mesmo ainda bastante problemática, uma realidade melhorada em relação a cerca de cinqüenta anos, a glória é dessas mulheres, que lutaram por seus direitos.

O IMPÉRIO DO RADICALISMO

A possível subida de Donald Trump ao poder na maior nação do planeta, bem como a ascensão do Estado Islâmico no mundo muçulmanos tornaram-se preocupantes marcos da ações radicais, de conseqüências claras e gravíssimas. Mas de forma alguma, são as únicas.
Talvez por graves e seqüenciais crises econômicas, associadas a uma infindável intolerância religiosa que existe desde que existem as religiões, as pessoas passaram a tomar rumos cada dia mais extremos em suas formas de pensamento.
O radicalismo de direita é visível diante de governos de esquerda que agiram em alguns países do mundo: Donald Trump nos EUA, a saída do Reino Unido da União Europeia, o Estado Islâmico. No Brasil, o imbecil movimento separatista do Estado de São Paulo; apoio a ações extremas da polícia; culpa de problemas a movimentos sociais, etc.
Mas existe também um crescente e proporcional radicalismo de esquerda, como vemos na Venezuela, ou em apoio irrestrito a políticos condenados do PT, com pagamento de fiança ou contas pessoais por partidários do povo, etc. A diferença é que, como o momento global tornou-se propício ao crescimento da direita, o radicalismo de esquerda é bem mais fraco, em termos de ações.
Como um pensador de esquerda, acredito que as soluções ali propostas são mais plausíveis para igualdade social. Mas ser de esquerda não quer dizer que eu seja comunista, bolivariano ou qualquer coisa do tipo. Acredito que, a tentativa de chegar à justiça social não exclui necessariamente o capitalismo. E mesma que seja o objetivo final, ainda devemos lembrar que este sistema econômica é o preferido pela maioria das pessoas, sejam devidamente instruídas ou não. Não vejo qualquer lógica em impor uma revolução para mudar isso à força. Seria mais uma forma de radicalismo.
Para qualquer pessoa que goste de estudos técnicos, de história, de filosofia, economia, geopolítica ou qualquer área do conhecimento, as idéias apresentadas por grandes nomes de cada área são fascinantes e essenciais. Para quem gosta de filosofia política, como não admirar Thomas Hobbes ou Nicolau Maquiavel, mesmo que suas idéias tenham sido contra qualquer tipo de liberdade? Como entender os pensamentos contrários, de Locke ou Montesquieu, se você não leu seus antagonistas, que inclusive foram a razão de suas criações?
Por que eu devo escolher entre Marx e Adam Smith, se ambos, dentro da área econômica, foram incrivelmente brilhantes e visionários, mesmo sendo radicalmente contrários? Como eu posso sequer criticar o comunismo se eu nem conheço as idéias que o criaram?
Até mesmo as pessoas que agem de forma intelectual pegam algumas idéias as usam como se fossem meros manuais de instrução. Se quer verificar isso, basta ver textos de economistas: adota-se um modelo contemporâneo e o aplica de forma integral, criticando os demais. Que porra é essa? Quando foi que um pensador, em qualquer momento da história, conseguiu acertar de forma integral alguma coisa? Todos os filósofos que eu citei, por exemplo, foram brilhantes, geniais e inovadores, mas todos apresentarem modelos que consideravam, e foram em seu tempo, soluções a grandes problemas, mas que ao serem implantados, confrontados com a realidade social e com sua intensa e inegável modificação, trouxeram erros grotescos, que precisaram ser corrigidos por outros pensadores ou técnicos, que contrariaram suas idéias.
Mas em nenhum momento houve certeza absoluta. Quer dizer, quem apresenta a idéia sempre tem certeza absoluta. Mas a prática mostra que nunca é assim. E isso ocorre porque a raça humana está em constante e eterna inovação e movimentação. As coisas mudam, as necessidades mudam. E atualmente numa velocidade frenética.
A falta de flexibilidade no diálogo com idéias diferentes, levados hoje a um status assustador e absurdo, cria única e exclusivamente novos problemas para o mundo. Não consigo mais enxergar lógica em textos de economistas, porque eles simplesmente são incapazes de se conectar com outras áreas e analisar problemas sociais de forma ampla. Não leio mais nada que venha de religiosos, porque eles acham que a palavra de Deus/Alá/Jeová/ou-a-puta-que-o-pariu-do-caralho são únicas, imutáveis e inquestionáveis.

E nisso, não temos sequer vislumbre de solução. Não temos sequer vislumbre de evolução. Pelo que pude observar nos últimos anos, estamos andando para trás.

ESTAMOS VIVENDO UM GOLPE DE ESTADO SIM!

Por algum tempo ensaiei e pesquisei muito sobre as leis utilizadas no impeachment corrente da presidente eleita, Dilma Roussef. A Lei do Impeachment, Lei de Responsabilidade Fiscal, Constituição. Em muitos aspectos as leis em questão são um tanto quanto ambíguas e de difícil interpretação, o que nos leva a soluções jurídicas diversas e possíveis. Tanto o é que a advogada dos golpistas utilizou-se de diversas teses, após ser devidamente paga para isso, para justificar o ato, bem como em análise do caso, o Ministério Público determinou que não há crime ocorrendo.
Já os juristas em análises técnicas apresentaram muitas teses diferentes, tanto contrárias quanto favoráveis. E no fundo, o problema no campo jurídico é exatamente esse: de acordo com as nossas leis é perfeitamente possível atingir interpretações absurdamente distintas, todas lógicas e perfeitamente dentro da lei. E é ainda mais comum hoje, para quem está dentro da área jurídica, defender teses mais absurdas, sem ser absurdo.
Desta forma, em termos legais, acabei por desistir de escrever qualquer tipo de teoria a respeito, pois seria mais uma dentre a enxurrada que existe, sendo eu um mero graduando do direito, que não possui todo o conhecimento que as análises já existentes possuem, o que significa que não tenho condições atualmente de escrever qualquer coisa tão boa sobre o assunto.
Mas o problema, é o que está em jogo, não é a idéia de cometimento de crime ou não. O problema maior é a nossa já frágil democracia, dentro de um processo que até agora tem se demonstrado totalmente lícito quanto à eleição da presidente, bem como sendo a escolha da maioria da população.
Em primeiro lugar, devo pontuar que minha opinião sobre o governo Dilma encontra-se entre os brasileiros que a consideram ruim ou péssima, diante de medidas desastrosas tomadas em diversas áreas, bem como sua incapacidade total em lidar com problemas políticos, numa país onde a sujeira desta área é de conhecimento público. Outro ponto importante é ressaltar que o PT, partido a qual ela foi eleita, é uma completa vergonha para quem tem o pensamento de esquerda. O partido vendeu a alma para sair-se vencedor do pleito, associou-se com corruptos, criou corruptos, defendeu corruptos, bem como tomou medidas totalmente voltadas à direita que, sem querer fazer um tipo qualquer de crítica ideológica, não foi escolhido, naquele determinado momento, para governar o país.
Dito isso, não faço qualquer questão de defender a escolha da presidente ou do partido para governar o país, até porque tenho defendido abertamente o voto em candidatos de partidos menores, até mesmo por nunca terem sido agraciados com a oportunidade, não sabendo se são ou não dignos de um bom governo.
O problema é que, numa eleição limpa, com pelo menos com sete opções de nomes para presidência de partidos e modelos governamentais diferentes, ela foi a escolha. No primeiro turno, com 40% dos votos, enquanto no segundo, com 51%, vencendo em ambos, de forma incontestável. Não foi minha escolha no primeiro turno, nem de longe, e acabou sendo minha no segundo para evitar a vitória de seu adversário, candidato que eu ainda acho o mais deplorável.
E não foi simplesmente a escolha de um nome, foi a de um grupo, que apresentou um determinado modelo de governo específico. Este modelo esteve a provas de críticas e rejeições, mas foi escolhido. A coligação da presidente, trazida com um vice e alguns nomes fortes, foi eleita pela maioria da população brasileira para governar o país de 2014 a 2018.
Caso a pessoa da presidente tenha cometida algum crime, julgada e condenada pela maioria, temos a mudança especificamente e unicamente da pessoa da presidente, e mais nada. Seu vice assume, mantendo o programa eleito pelo povo, na mesma coligação, com os mesmos nomes que eventualmente não tenham sido condenados ou mesmo acusados de crime algum.
E na nossa política, o que vimos, que de forma completamente aberratória, imoral e desavergonhada, foi uma mudança radical,  de um momento para outro, de um dos partidos que eram parte da coligação, movimentando-se para tirar o partido principal, associando com os PERDEDORES DO PLEITO,  em nome de um patética e criminosa justiça.
Daí em diante modificou-se a situação: o PSDB, partido que se mostrou mais imoral do nosso país, tornou-se poder, mesmo perdendo a eleição, por rejeição da maioria, virou governo, associado com sua coligação, igualmente perdedora, enquanto o PT, que foi o vencedor, virou oposição. Sem qualquer participação popular, sem qualquer nova eleição. Apenas numa manipulação sem qualquer medo de mostrar, com apoio de uma mídia podre e interesseira.
Uma manobra, sustentada por políticos, utilizando-se um eventual artigo de lei, para modificar o jogo de poderes, assumindo este sem precisar de qualquer tipo de escolha ou aprovação popular, na tentativa de impor suas “idéias”. Isso não tem outro nome, que não seja golpe. O que vivemos é um golpe de Estado, de forma inegável e descarada.
E nesse sentido acredito que há o direito inegável e altamente desejável das pessoas não quererem o PT no poder. A contrariedade é mais do que desejável numa democracia. Eu mesmo tento fazer as pessoas entenderem há anos sobre a desgraça que é o PSDB em São Paulo, sem muito sucesso. Agora daí a achar que as pessoas não sabem o que estão fazendo, e numa vontade individual e própria querer mudar as regras do jogo no meio deste, porque eu ou meu grupo não concordamos com a escolha da maioria, isso pra mim é pura sujeira. E não acredito que ninguém vá conseguir limpar algum tipo de merda fazendo merda.

Desta forma, se você é contra o PT, faça campanha contra ele, vote contra ele, mas não queira impor sua vontade aos outros, ou defender que ela seja imposta. É podridão demais.

terça-feira, 5 de abril de 2016

1964 piorado



E apesar de termos a nossa disposição formas infindáveis de informação e da busca de conhecimento, estamos retorno a 1964. Sim, muita coisa está ocorrendo da mesmíssima forma, apesar de termos coisas diferentes, que tornam o atual momento ainda pior do que no século passado.
Em 1964 a ordem democrática foi rompida abruptamente, por um golpe, travestido de revolução, em virtude de acusações subjetivas contra o presidente, o que incluía corrupção, falta de apoio popular, incapacidade de guiar o país. O “processo” em curso atualmente apresenta as mesmas características. Quem acusa tenta transformá-lo em um procedimento dentro da legalidade sob acusações sem sentido.
Senão, vejamos: a nossa presidente está sofrendo este processo por pedaladas fiscais. O ato foi “cometido” também nos governos anteriores, de FHC e Lula, que tiveram suas contas aprovadas pelo mesmo Congresso que agora tenta imputar a culpa na atual presidente. Ou seja, criaram a jurisprudência que a favorece.
Fora isso, as suas contas nem sequer foram apreciadas pelo Congresso, o que quer dizer que o objeto da acusação nem existe. Fora que até agora ninguém conseguiu sequer demonstrar onde as tais pedaladas entram em algum crime, uma vez que foram recursos “desviados” em proveito de programas sociais, ou seja, na teoria, em benefício do país.
Outra justificativa, esdrúxula, é que a presidente perdeu apoio, sendo que o povo não a quer mais no poder. Fato é que seu governo é um desastre, dando demonstrações de incompetência e de incapacidade políticas fora do comum. Mas estes argumentos não são válidos para um processo de derrubada. A presidente está nesse cargo em virtude de vitória num processo eleitoral, que até agora mostrou-se dentro das leis brasileiras. Ela está ali porque a maioria do povo assim o quis. Infelizmente  a democracia indica que algumas pessoas são contrariadas. Não há nada de ilegal nisso.
Porém, deve-se falar sobre as diferenças com os acontecimentos de 1964, e neste ponto que os eventos que estão acontecendo estão nos levando para um abismo cujo fundo é difícil de enxergar.
Primeiramente, não temos agora apoio dos militares. Agora quem está tentando mudar as regras do jogo no meio da partida são os próprios políticos, ávidos pelo poder, muitos que perderam as eleições.
Mas o pior de tudo é o cenário que se constrói em âmbito internacional. Em 64 o mundo estava voltado à ditadura, com apoio irrestrito dos EUA, no caso dos países capitalistas, e da URSS, nos comunistas. Naquela época não havia nenhum constrangimento nisso. Atualmente, o processo democrático é exigido em qualquer relação internacional estabelecida.
Nesse sentido posicionaram-se contra o impeachment, na forma que está sendo imposto, a ONU, a OEA, e os países com as quais o país tem maior relação comercial, especialmente na América do Sul. Por este mesmo fato o Paraguai foi expulso do Mercosul, tendo sua condição econômica piorada em muitos níveis. E já existe a ameaça da suspensão do Brasil,  o que provavelmente irá ocorrer.
Fora que diante da fraqueza do país no cenário internacional, as instituições citadas irão impor sanções. Bem como a própria credibilidade do país, que não respeita suas próprias leis, sofrerá um significativo abalo.

Desta forma, não há uma situação lógica que possibilite justificar essa insanidade que está ocorrendo. Este impeachment, da forma que está sendo desenhado, é golpe, pura e simplesmente, da mesma forma que foi em 1964. E a defesa feita pelas pessoas, as poucas que o fazem com alguma tentativa frustrada de demonstrar inteligência, só demonstram um ódio irracional ao PT e uma incapacidade gritante em analisar o cenário completo do que ocorre no presente, e do que está para acontecer no futuro.
A afirmação, corretíssima, de que a presidente faz um péssimo mandato, e de que a população na aprova seu mandato, não pode em hipótese alguma ser utilizada para quebrar um processo democrático correto, nem uma tentativa de justificar uma absurda infração da lei, sob o risco de retornar a um período desastroso, com consequências ainda piores.

sábado, 26 de março de 2016

Não era só um gato



Meados de 2004. Eu, um jovem magrelo e cabeludo, chegando perto do fim da faculdade de Artes Plásticas, saía desesperado no fim da aula, sem me despedir direito de ninguém, correndo pra casa, no Jardim Aeroporto. Naquele dia meu tio iria levar meu novo bichinho de estimação, um gato persa, à época com seis meses de idade.
Subi correndo a escada, e meu pai estava sentado no sofá, sozinho. Não vi o gato. Perguntei sobro paradeiro, e recebi como resposta que o bichano estava fazendo reconhecimento de seu novo território.
Fui pra cozinha, super ansioso, e ali veio aquele lindo bichinho peludo, olhando pra mim de forma carinha, imediatamente se esfregando nas minhas mãos, com o rabinho empinado, já ronronando.
Eu não costumo me lembrar como conheci as pessoas. Não lembro como conheci minha esposa. Então provavelmente não lembrarei como te conheci. Mas eu lembro cada detalhe daquele dia, exceto que dia exato era. Lembro exatamente do primeiro olha que ele lançou pra mim, e lembro exatamente do sorriso que eu dei em retribuição,
Provavelmente eu já sabia que aquele não era um dia comum na minha vida. Aquele foi o dia em que o Gordo apareceu. Um dia em que eu era um merdinha como muitos outros, em busca de um lugar ao sol, com tendências depressivas, num relacionamento destrutivo com uma garota chamada Joyce, com muitos problemas de família.
De lá pra cá, muitas coisas ocorreram. Caí numa forte depressão, onde não queria prosseguir minha vida. Saí de casa, morei de favor na casa de um amigo. Voltei a morar com minha mãe. Fui morar com outro amigo. Fui morar sozinho. Casei. Fomos morar num apartamento. Depois viemos pra casa. E sempre o Gordo esteve ao meu lado.
Aliás, o dia que ele conheceu a Vanessa também foi incrível. Ele nunca gostou muito de outras pessoas, que não fossem eu. Quando a Vanessa me abraçou e me beijou, na frente dele, eu pude ver que ele sentiu raiva. Naquele momento, nós dois ficamos com medo que ele a atacasse. Mas ele era dócil. Não fez isso. Porém, de lá em diante, sempre que nos abraçávamos, ficava passando no meio, miando, chamando a atenção. Era um poço de ciúmes.
E não é que ela vive dizendo que quando eu não estava em casa ele era híper carinhoso com ela. Porque era só eu chegar, que ele mal deixava ela chegar perto dele. Virava uma espécie de sombra.
E ele é também a prova viva que gatos gostam da casa e não do dono. Desde que ele nasceu, moramos no Jardim Aeroporto, no Tucuruvi, no Jardim São Paulo, Vila Gustavo, Guarulhos e Vila Gustavo novamente. Ele teve seis casas diferentes. E sempre continuou sendo o mesmo bichinho amoroso e companheiro de sempre.
Meu pai o definiu como eu bichinho especial. Ele era um gato especial. Viveu comigo cada momento, intenso ou não, que tive. Viveu meu relacionamento amoroso, tomando atenção sempre que podia, mas sempre respeitando e nos deixando em paz, quando começávamos uma relação sexual. Ele sabia que tipo de contato eu gostava, sabia quando poderia vir pedir carinho, ou quando eu queria ficar sozinho.
Em doze anos, jamais ficou doente. Sempre forte. Nunca tentou afiar as unhas no sofá, mas não tinha chinelo que ficasse inteiro.
E no último dia 20 de março, esta história chegou ao fim. Uma parte de mim faleceu. Depois de uma rápida e devastadora doença, enfim, seu coração parou, enquanto o meu estava destruído.
Nos últimos dias entrei numa crise fortíssima diante do meu problema com ansiedade. Tive medo de entrar em mais uma crise de depressão, depois de doze anos. Depois de um bichano que me mostrou como a vida poderia ser feliz.
Exagero? Tudo isso por causa de um gato? Não. Se eu tivesse realmente ficado doente, não seria exagero. Ele não era, nunca foi, nem nunca será só um gato. Ele era aquilo que de melhor eu pude demonstrar ao mundo ao longo desses doze anos incríveis. Ele era minha representação maior de amor aos animais, às pessoas. Minha crença que no fundo todos são bons. Ele era a bola de pelos capaz de colocar um sorriso no meu rosto.
E eu nunca mais vou esquecer, daquele miado roco, baixinho, de olhos fechados, e linguinha de fora, pedindo carinho e atenção, afofando as próprias patas, todas as noites, antes de dormir.
Eu nunca mais vou esquecer...