quarta-feira, 18 de outubro de 2017

DÓRIA E O REALITY SHOW QUE NÃO DEU CERTO

Alberto Goldman, vice presidente do PSDB, afirmou que São Paulo ainda não tem prefeito, e que João Dória é a velha política, disfarçada. O prefeito é do PSDB. Dessa forma, deixando claro que, pelo menos metade do partido tem feito críticas abertas e duras ao modo de governar do prefeito.
Mas eu diria que governar não é algo que este ser tem feito. O que vemos é uma tentativa enlouquecida de transformar tudo em marketing, com vídeos e ações de publicidade, deixando perdidos até mesmo seus próprios funcionários, que depois têm que correr para tentar explicar e arrumar as ações do prefeito.
Até aí, poderíamos ter um governo populista. Isso tem seus problemas, como ações para a plateia, mas ainda assim seriam algumas ações que beneficiariam a cidade, mesmo que a intensão fosse outra. Mas isso não ocorre em São Paulo.
Quem acompanha as pesquisas de opinião deve perceber que na visão do paulistano, a cidade piorou, e muito. Pra começar, quase seis meses com semáforos queimados e sem manutenção, trazendo um caos generalizado às nossas ruas.
O número de infrações de trânsito disparou. Não sabemos se isso é porque as pessoas viram no novo governo algo bem mais permissivo, se houve uma mensagem implícita, com a recorrente acusação de indústria da multa, de que o povo poderia fazer o que quisesse, porque seria multado por um ato ilícito dos fiscais, ou seja lá o motivo. Mas o fato é que os problemas de trânsito pioraram demais.
Como ciclista diário, já via problemas no ano passado, mas este ano a coisa disparou. As pessoas perderam muito o respeito, seja os motoristas, os motociclistas, pedestres, ciclistas... ninguém mais se importa com a lei. Pra mim o resultado é um braço quebrado e dois meses de molho.
E agora temos as centenas de brigas de Dória com seus críticos, seja integrantes de partidos de oposição, seja com seu próprio partido. O cara chegou ao ponto de chamar o vice presidente de seu partido de velho, ultrapassado e improdutivo, tudo porque seu modo de governar foi contestado.
Agora temos a ração humana. Em geral, a ideia não é de todo ruim. Mas foi apresentado como alimentação completa para os pobres. E depois de críticas duríssimas de muitos especialistas, os integrantes da prefeitura tiveram que corrigir a cagada de seu líder, informando que trata-se somente de um complemento, que por si só tem suas críticas mantidas.
E agora será servido na merenda escolar, merenda esta que sofreu uma série de cortes de verba. Mas a ração humana, que irá dar uma folga na carga tributária de grandes empresas, se tornou a solução perfeita para o grande trabalhador ajudar seus parceiros sem investir em uma alimentação real de qualidade.
Fora o fato de criar um grupo de empresas ligadas à sua empresa, e estas vencerem todas as concorrências, quando existem, para prestarem serviço à prefeitura. Ou simplesmente serem contratadas sem licitação.
No geral, nada de melhoria para a cidade. Tudo piorou muito. Ou, na melhor das hipóteses, permaneceu estagnado. E isso já dispara a olhos vivos diante de toda a população. Na verdade ainda é inacreditável que cerca de 30% das pessoas acreditem que um caos desse nível reflita um governo bom ou ótimo. Gostaria muito que as pessoas pudessem dizer onde está a parte boa.

Deve ser por sair pintando tudo de cinza. Ou apoiar a queda de direitos trabalhistas com as desastrosas reformas. Ou talvez por criticar exposições de arte moderna. Ou talvez por elogiar a proteção ao trabalho escravo. Ou talvez pelo seu passa tempo preferido: criticar o PT. Até nas suas cagadas ele da um jeito de falar mal do PT. E talvez para um povo tão cego, falar mal do PT seja total sinônimo de coisa boa.

O RETROCESSO TOTAL

A reforma trabalhista aprovada no Congresso foi a clara demonstrava que vivemos um momento de total retrocesso em direitos, a maior parte deles em acordos internacionais, fruto de um governo ilegítimo, oportunista e altamente impopular, que serve interesses de um pequeno grupo.
A reforma trabalhista, em sua maioria, é inconstitucional. A Procuradoria Geral já ajuizou ação de inconstitucionalidade, bem como o Tribunal Superior do Trabalho já se manifestou, na maioria de seus ministros, no sentido de não utilizar as novas regras, uma vez que ferem, de forma clara, a Constituição.
Pra começar, a Constituição só permite jornada de trabalho de oito horas diárias, sendo vedada qualquer jornada que supere 10 horas, se as duas excedentes forem apenas em horas extras. Da mesma forma, há previsão de proteção ao mercado do trabalho da mulher, bem como proteção total a mulheres grávidas.
As negociações coletivas são previstas pela Constituição, no entanto, tais negociações envolvem toda a categoria, e não podem, de forma alguma, suplantar o que está descrito na lei, tanto na Constituição, quanto na CLT. Logo, um acordo entre patrão e empregado que firam o descrito na lei, além de como o próprio nome diz, ser ilegal, é inconstitucional.
Todas as polêmicas da desastrosa reforma trabalhista, aprovada por partidos de direita e por partidos que sirvam o interesse de alguma classe, estão dispostas no art. 7º da Constituição, não deixando nenhuma dúvida de sua fraude.
Ao longo de seu desgoverno, foram revogadas áreas de proteção ambiental, terras destinadas aos povos indígenas, que diga-se de passagem são bem limitadas na situação anterior. Tudo para que interesses econômicos de ruralistas fossem atendidos.
Recentemente, a portaria que dificulta o enquadramento de trabalho escravo. Portaria que foi condenada inclusive pela OIT, da qual o Brasil é parte e signatário de seus tratados. O Ministério Público do Trabalho, bem como o Ministério Público Federal já se posicionaram contrários a esse desregramento, que torna legal um crime definido no Código Penal.
Algumas piadas surgem no sentido de vermos um país caminhando de volta à Idade Média, até mesmo com religião única sendo professada nas escolas. Um conjunto total de absurdos que num país decente nunca seriam sequer toleradas como ideias. Mas aqui, onde se manifestar por uma causa que não seja impeachment contra um governo de esquerda é motivo pra apanhar da polícia, tudo bem.

Pensar num país que aceita aberrações desse tipo acaba por deixar claro porque tem tanta gente querendo votar em Bolsonaro, ou apoiando golpe militar, tortura  e caça até mesmo a quem tenha tendências a pensar de forma esquerdista. Uma aberração total.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A BIKE, ATÉ O FIM

Dia 28 de setembro de 2017. Tomei uma fechada de um motorista altamente folgado, que invadiu a ciclovia na rua Prates, sendo obrigado a frear bruscamente. Como o dia era de chuva, a pista estava molhada, e o pneu acabou escorregando com força, me fazendo cair sobre meu braço direito, quebrando o úmero. Consequentemente, dois meses de molho.
Diante do quadro de trânsito que temos, onde carros, bicicletas e pedestres não respeitam regra alguma, a pergunta que me fizeram repetidamente é se eu deixaria de fazer meu trajeto de bicicleta, para minha própria segurança.
Vejamos: por um erro praticado por um terceiro, algumas pessoas acham que eu sou “cabeçudo” por querer continuar indo trabalhar com um meio de transporte infinitamente mais saudável e menos estressante do que carros ou transporte público.
A bicicleta tornou-se no último ano e meio quase que uma extensão do meu corpo. São 25 km por dia, da Vila Gustavo até o Centro. Já cheguei a passar dos 600 km percorridos ao longo de um mês. Gostei tanto que enchi minha bike de parafernalhas, como retrovisor, luzes, bagageiro, etc. Tenho inclusive uma câmera que filma meu trajeto, já postando tanto ida quanto volta no youtube.
E por causa de erros de outros, e má conduta de pessoas que vivem no mesmo lugar que eu, eu sou obrigado a mudar algo que tem me feito bem? Quer dizer que por erro de outras pessoas nós deixamos de viver, ou viveremos com medo ou confinados num estilo doentio?
A inversão de valores, onde não se combate o infrator, mas tenta-se infringir medo às vítimas, é a cara da sociedade. As mulheres são responsáveis pelo estupro; os assaltados são responsáveis por vacilarem com seus pertences. Isso é insano.
Não sei que tipo de vida querem as pessoas. Parece que a vida sob medo e em pequenos quadrados delimitados têm feito muita gente feliz. Não a mim. Sou um inquieto por natureza. E não desisto fácil de nada. Algo que só tem me feito bem, menos ainda.

Se é para morrer, que seja andando de bicicleta!

PRIORIDADES NUM RELACIONAMENTO

Não faço questão que gostem de mim. Entendo que pelo meu jeito, algumas pessoas podem me admirar muito, e outras podem vir a ter repulsa pelo meu estilo. É direito de cada pessoa escolher e seguir feliz em sua vida, tendo minha amizade ou meu distanciamento. E não sinto qualquer tipo de mágoa por quem escolhe a distância.
Da mesma forma, não forço a barra. Se a pessoa quer contato, amizade, amor, ou seja lá o que for, a coisa virá naturalmente. O contato será agradável para ambas as partes, sem qualquer tipo de coação. Não vejo qualquer vantagem em obrigar alguém a me aguentar.
Da mesma forma, se eu eventualmente não gostar de alguém, vou manter o máximo de distância possível. Não quero me sentir irritado ou incomodado com alguma presença que não me faz bem. E se odiar alguém, o que é algo raro, aí vou manter deliberadamente a distância máxima, até conseguir esquecer por completo a existência desse ser.
Dito isso, a partir do momento que estamos em um relacionamento amoroso, partimos do princípio que a pessoa que escolhemos é especial, e queremos ao nosso lado em quase todos os momentos, mais do que as demais. Se você chegar ao ponto de casar, significa que realmente você quer essa pessoa ao seu lado em todos os momentos.
O casamento impõe, por uma escolha própria, a ideia que você é a pessoa mais importante para seu cônjuge, acreditando também que o contrário é verdadeiro. Claro, sempre tendo em mente que amor próprio é essencial e vem em primeiro lugar. Ninguém ficará com outra pessoa se estiver fazendo mal a si próprio.
A única exceção para isso são os filhos. Ainda não nasceu o meu, mas imagino que o filho venha em primeiro lugar, inclusive acima de você mesmo. De resto, se você escolheu, seja pela insanidade que for, estar casado, assumiu como seu cônjuge sendo sua principal família, bem como a pessoa mais importante na sua vida (ta até naqueles juramentos malucos que se repete quando casamos).
Daí vem a grande dúvida: como podemos considerar alguém que passa a colocar seus amigos em primeiro lugar? Ou futebol, vídeo game, cinema, ou qualquer merda que passe a superar quem você escolheu compartilhar sua vida?
Será que você se dedicar a uma pessoa integralmente e vê-la tomar como mais importante que você, um amigo, por maior que seja amizade, é algo que vá fazer algum relacionamento sadio e feliz?
Você se dedica loucamente a alguém, especialmente em momentos terríveis e insanos, deixando de lado sua própria saúde, seus projetos pessoais, suas metas, sua alegria, para que alguém consiga dar a volta por cima, acreditando nela e investindo muito mais que seria suportável. Aguenta o tranco, suporta sofrimento interminável, até chegar no limite da sua razão.
Não somente porque existe amor, ou porque exista respeito, ou mesmo uma admiração. Mas porque aquela é a pessoa mais importante na sua vida, e você acredita que seja também da dela.
Mas um belo dia você diz que não gosta de uma pessoa amiga dela, e não quer contato com essa pessoa (como descrito no começo). Não faz a menor diferença se seu cônjuge terá amizade ou não. Apenas não quer ter que sequer lembrar da existência desse ser. O que inclui eventos entre ambos, como nascimento do filho, aniversário do filho, ou coisas relativas ao filho, não ter a presença desta pessoa, como ocorreu no inverso, sem grande sofrimento.
Qualquer ser humano ponderado, que tenha você como a pessoa que decidiu amar e respeitar na saúde e na doença, na tristeza e na alegria, vai acatar o pedido, mesmo que não seja o que quer. Afinal, vocês são casados, têm uma vida juntos, um filho juntos, e isso é mais importante que a presença de um amigo.
Certo?
Completamente errado. Seu cônjuge vira pra você e fala que se você não quer, não participa. Que o amigo será chamado e possivelmente estará presente. Se você quiser, será assim. Amigo este que agiu deliberadamente para prejudicar seu relacionamento.
Será que algum ser seria tão passivo, submisso e sem personalidade, a ponto de se humilhar a aceitar esse tipo de coisa? Será que isso não é uma baita traição, com seu esforço, sua dedicação, seu amor e seu sofrimento nos momentos mais terríveis, sua abnegação, somente para ver a coisa funcionar?
E assim que você percebe que é um total imbecil. Que se meteu numa tremenda encrenca por alguém que não vai te colocar no posto que você merece, nem vai enfrentar tudo o que vier por sua causa. Assim você percebe que fez um monte de merda, que irão te prender pelo resto da vida, por alguém que não faz questão da sua presença, acima dos demais.
Assim você descobre que é um trouxa.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

DESILUSÃO

O sentimento de desilusão é forte. Saber que um grande esforço não foi recompensado. Você dedica seu tempo, sua alma, sua saúde, acreditando em um objetivo, mas ele nunca vem.
Acreditar que está em uma posição a ser considerado o mais importante na vida de alguém, ser o para-raio no momento de uma imensa tempestade, mas perceber que isso nunca aconteceu, nem nunca irá acontecer.
Perceber que nos momentos mais angustiantes, apesar de escolhas deliberadas e complexas, você nunca será colocado em primeiro lugar. Nem em segundo, nem em terceiro...
Perceber que quem está ali para destruir ganha mais crédito, não importa que o esforço tenha sido visível a todos. Que você será colocado para trás por não suportar conviver com situações tão falsas e hipócritas em algo que fez não só sentido para sua vida, como foi sua vida durante muito tempo.
Abrir mão de coisas importantes, acreditando que ao menos a sua importância está sendo incontestável, mas não está.
Não podemos nos arrepender. A vida é assim. Às vezes as coisas não funcionam como nós queremos. Possivelmente nós mesmos nos engamos, acreditando que seremos enaltecidos por fazer tanto por alguém. Não dá pra cobrar isso das pessoas. Não da pra imaginar que gratidão é inerente a todos.

Mas, a vida sempre segue.

TRAIÇÃO

Imagine que você pegue o celular da sua esposa e encontre um daqueles nudes, que viraram moda, com modelos inteiramente nus, corpos esculturais e alguma conversa altamente picante com as amigas. Você sem querer percebeu que ela sentiu-se excitada com a imagem, de repente até se masturbando, pensando no cara. Você se sentiria traído?
Ou de repente se sua esposa revela que sua grande fantasia é transar com dois homens (ou mesmo com você e mais uma mulher). Ou ser uma frequentadora de clubes de swing. Participar de orgias. Ter um relacionamento liberal no que diz respeito a sexo.
Pra muitos, traição. O corpo e a mente de uma pessoa, dentro de um relacionamento, são só dela.
Não posso entender dessa forma. Toda manifestação honesta no sentido de chegar a um resultado, seja ele aceito ou não, onde as partes tomam uma decisão e vivem firmes dentro dela, não pode ser considerada traição. Até porque não podemos dizer que somos possuidores de ninguém, seja do corpo ou seja da mente.
Você mentir no lugar que foi, mesmo que seja apenas pra não dar uma resposta mais complexa, é um ato muito maior de traição do que ter desejos sexuais por outra pessoa. Trair a confiança de alguém que tem a sua palavra como suficiente é muito mais complexo do que sentir-se excitado por outro.

Nesse sentido, qualquer tipo de mentira é uma traição. E relacionamentos não podem ser feitos sobre mentiras, porque uma hora ou outra serão descobertas.

A ESCOLHA E A EVOLUÇÃO

Para quem me conhece, sabe que sou um persistente nato. Acredito que tenha um ego altamente inflado, pois a negativa numa empreitada pra mim é motivo de não conformismo, ao invés de decepção. E como ateu confesso, vejo um fracasso como uma demonstração de onde erramos e o que podemos melhorar, partindo daí para uma nova tentativa, mais eficiente.
Disso posso dizer que tirei minha aprovação para Escrevente do TJ, em 2007, após não conseguir em 2004. Analisei algumas falhas, o que eu precisava melhorar, me esforcei, tentei de novo, e consegui.
Não acredito que isso seja uma característica pessoal. Acredito piamente que quem se esforçar, agir de acordo com uma auto-crítica total e estiver disposto a evoluir, vai conseguir. Não é fácil, e menos ainda rápido. É uma escolha, que leva a denegar algumas outras possibilidades. Mas é perfeitamente possível.
A evolução é uma escolha. Você pode optar por corrigir seus defeitos, ou colocar a culpa no outro. Pode encarar uma derrota como uma afronta, ou como uma oportunidade de dar a volta por cima. Até mesmo uma traição sexual pode ter seu lado proveitoso, se você tentar tirar daí alguma eventual atitude sua que possa ter levado à frustração do outro para que isso ocorresse.
Mas esta escolha tem seus limites. Um relacionamento amoroso, por exemplo. Você pode brigar por ele contra todas as adversidades que ocorrerem, trilhar um caminho juntos, ser um grande parceiro em todos os momentos. Mas isso só é possível quando o outro está em total consonância com a sua atitude. Se a pessoa não quer ficar com você, não importa o que você faça, ela estará ao seu lado somente para evitar um problema maior, ou por algum outro interesse, ou pelo simples comodismo, que ainda não tenha sido percebido, em alguns casos.
E neste sentido a própria ideia de evolução viria no sentido de entender que todo o esforço possível foi feito, que você lutou, batalhou, se esforçou, melhorou, se superou, mas nem sempre a vontade dos demais seguiu este mesmo ideal. Nada pra se envergonhar ou se frustrar, até porque, a luta é sempre digna.

Mas às vezes a evolução também requer a aceitação que não vencemos sempre. Aceitar que a experiência é válida, nos tornará ainda maiores, mas é preciso seguir a vida em frente, enfrentando os próximos obstáculos. É meio dolorido, um tanto quanto constrangedor, mas nem sempre a decisão pode estar em nossas mãos.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O QUE O FUTURO NOS RESERVA, QUANDO ANDAMOS PARA TRÁS?

A recente decisão do STF de permitir o ensino catedrático religioso nas escolas, demonstra como estamos andando para trás em passos largos, na nossa sociedade. Some-se a esta decisão a censura a uma peça de teatro que exibia Jesus Cristo com um transexual, ou anteriormente a proibição de exposições de arte por conteúdo dito impróprio.
Desde 1988 evoluímos para um Estado laico, livre de censura, com possiblidade de livre expressão, onde homens e mulheres são livres e iguais. Com o tempo, a homossexualidade ganhou o mesmo status, mesmo não sendo explícito texto de lei. Estávamos caminhando para o mesmo tratamento para animais.
De repente, o mundo começou não a andar, mas correr para trás. Um conservadorismo retrógrado, sem sentido e desprovido de conhecimento, que faz com que percamos tudo aquilo que conquistamos ao longo de séculos de muito sacrifício e luta.
A recente pesquisa que quase metade dos brasileiros quer uma intervenção militar, depois de amargarmos quase trinta anos dessa aberração, com muita gente torturada, morta ou desaparecida, simplesmente porque não concordava com o governo, mostra que a capacidade intelectual recuou absurdamente no nosso país.
Agora temos uma “bancada evangélica”, que quer trazer como norte para o país a crença que eles acreditam que está de acordo com a vontade deles, que não é compartilhada por todos nem mesmo no bairro de onde saíram. Uma bancada de políticos que traz seus interesses religiosos acima dos interesses da nação. E isso não é piada.
Como chegamos a este ponto? Será que é tão difícil de entender que estamos voltando no tempo, abrindo mão de todas as conquistas que duramente conseguimos?
Fico imaginando como será criado meu filho, por nascer, num país tão patético que não consegui aprender com sua própria história. Será que ele vai ser mais um machista ridículo que trata mulheres como inferiores e gays como aberrações? Será vai ser dos que acham os índios os vilões e pregam direito algum pra quem é minoria?
E as meninas que estão nascendo por estes tempos, serão meras submissas a seus maridos, correndo o risco de serem estupradas a cada saída de casa? Será que trataremos nossas mulheres como meras procriadoras e escravas sexuais, como foi um dia?
E de repente nos veremos jogando escravos para se matarem em coliseus, uns contra os outros, todos contra animais selvagens? Jogaremos gays de prédios em todos os cantos do mundo? Iremos declarar guerra contra todo aquele que não crê na mesma baboseira que nós? Que espécie de futuro vocês querem dar a seus filhos com esse tipo imbecil de pensamento? Porque desta forma, no momento em que eu deveria estar muito feliz pelo nascimento do meu, estou dominado pelo pavor do tipo de futuro que ele terá pela frente, num mundo, e especialmente num país, tão ridiculamente atrasado.

SE VOCÊ NÃO ENTENDE DE ARTE, O QUE VOCÊ QUER OPINAR?

A exposição Queer Musian e a recente performance com um homem nu, com a infeliz permissão de uma criança tocá-lo acenderam no país uma antiga e já superada batalha no mundo, sobre o que pode ser considerado ou não arte. Batalha esta que teve seu auge em 1917, bem como nos anos seguintes. Ou seja, estamos 100 anos atrasados em relação ao próprio questionamento.
E para piorar, não são levadas questões estéticas ou filosóficas, que são aquelas que guiam a arte ao longo do tempo. No Brasil estamos envergonhando grandes artistas ao colocar a arte dentro de um leque moral ou religioso, que era sua pauta no Século XVI. Neste caso, nosso atraso é colossal.
Mas o que me deixa mais perplexo é que as pessoas que passaram a criticar ou se manifestar duramente sobre a produção artística atual, em geral, não têm o menor conhecimento sobre o que é arte, como ela evoluiu ao longo dos séculos, e menos ainda, quem são os grandes expoentes que levaram ao que ocorre hoje.
Possivelmente há o conhecimento sobre Leonardo da Vinci, que por sua vez já trabalhava com a figura humana em nudez, cheios de conteúdos eróticos ou com mensagens subliminares, utilizando crianças, querubins e animais. Também devem conhecer Michelangelo, pela incrível fama de suas obras.
Mas será que tais pessoas seriam capazes de diferenciar suas obras renascentistas das que vieram posteriormente, barrocas? Será que com o estilo artístico que era utilizado, com técnicas pictóricas, seriam capazes de entender o que era uma coisa ou outra? Será que poderia diferenciá-las do realismo do século XIX, uma tarefa incrivelmente simples para qualquer estudioso da arte.
Mas conheceriam os principais conceitos da arte moderna, fruto da grande controvérsia da Semana de Arte de 1922? Saberiam qual teoria artística utilizou Picasso para ter a fama que tem hoje? Será que sabem quem é Henri Matisse e como ele foi o principal expoente do Fauvismo? Será que conhecem Renné Magrite, a meu ver, o maior nome do Surrealismo (ao contrário da crença popular, que é Salvador Dali)? E conseguiriam linkar com a criança de Paul Gaguin, cerca de um século antes?
Aliás, conheceriam essas pessoas o incrível trabalho de Marcel Duchamp, e como em duas obras ele revolucionou toda a história milenar da arte, dando início ao que vemos como arte moderna? Será que saberiam entender o que foi o dadaísmo, e como isso teve impactos irreversíveis para a arte atual?
Com algumas exceções, creio que não. Pelo que tenho visto, a arte tem sido objeto de duras críticas por quem sequer conhece sua história. Pessoas que cravam o que é o ou não arte, mas jamais tentaram entender os conceitos aplicados nos primórdios da arte. Como levar em consideração tais manifestações, totalmente desprovidas de conhecimento?
Claro que a arte pressupõe crítica. Nem todas as produções atuais poderão ser consagradas como obras de arte. Muitas são meras tentativas, frustradas. Outras talvez desprovidas de criatividade suficiente para sobreviverem ao tempo. Mas a gama de possibilidades de criação artística jamais poderia ser limitada por críticas, mesmo aquelas de pessoas que se dizem entendidas no assunto. Afinal, Van Gogh, Renóir, Monet, Picasso, entre tantos nomes imortalizados na arte foram duramente criticados por especialistas, que se mostraram pífios em seu trabalho.

No entanto, jamais, em qualquer situação, a arte pode ser objeto de crítica baseado em valores morais, totalmente parciais, e ainda mais em religiões. A arte não está a serviço dessas futilidades, mesmo que às vezes possa trazer tais temas em suas obras. E se você ainda não percebeu isso, é melhor se informar e estudar mais.

domingo, 24 de setembro de 2017

SEXO É VIDA

No momento mais conservador que já presenciei no nosso país, vivemos uma verdadeira cruzada contra a vida sexual, especialmente quando o assunto é o sexo entre pessoas do mesmo sexo (se é que me entende).
Graças a uma patética ideologia religiosa, existe uma mentalidade de que o sexo é errado pra muita gente. Serve apenas como procriação. E há até um pequeno grupo de pessoas que se diz “assexuado”, onde não existe um interesse real por sexo.
Particularmente, todas essas ideias pra mim demonstram nada mais que uma profunda perturbação mental. Bloquear o sexo é uma demonstração clara que seu organismo apresenta problemas a serem tratados, ou mesmo que a sua mente esteja em desequilíbrio total.
Existem necessidades biológicas inerentes a todos os seres vivos, como dormir, comer, evacuar, exercitar o corpo. E entre elas, está o sexo. Se não podemos viver sem nos alimentar, ou sem dormir, o que faz as pessoas pensarem que é possível viver sem sexo?
Talvez exista uma dificuldade em se descobrir qual modalidade que as pessoas realmente preferem, como que tipos de parceiros, quais  posições, modalidades, locais. Algumas pessoas preferem vidas mais liberais, outras relacionamentos abertos, outras relacionamentos grupais... não vejo problema alguma em buscar aquilo que realmente poderia saciar os desejos. Mas é importante chegar a tal busca.
E não existe nada pior do que sentir-se sexualmente desprezado. Especialmente quando você decide viver com alguma pessoa que manifesta esse desejo, mas que de repente ele acaba e que há uma resistência absurda em tentar se resolver tal problema, como se ele fosse insolucionável mas você se recusasse a seguir adiante.
A não correspondência quando o assunto é sexo, especialmente por um parceiro fixo de longa data também é algo danoso à saúde mental. É um golpe violento na auto-estima de qualquer pessoa. Faz com que ela se sinta muito mal. A negativa reiterada sem sombra de dúvidas pode trazer sintomas de depressão.
Obviamente que honestidade é tudo. É preciso saber se tem sido feito algo pra desagradar, se podemos melhorar, se é preciso mudar alguma coisa, se o estilo do relacionamento deixou de ser tão interessante. Mas se aquilo que foi colocado como problema foi superado e a coisa não mudou, não existe outra saída senão procurar ajuda especializada para colocar a vida nos eixos.

Não existe relacionamento amoroso sem sexo. O nome disso é amizade. Eu amo meus amigos, mas não transo com eles. E também não faço planos de morar na mesma casa que eles por mais que um curto espaço de tempo. Se o relacionamento chegou nesse ponto, deixou de ser relacionamento e passou a ser mera amizade.

DIÁLOGO SINCERO OU NADA

Casamento é uma empreitada dificílima. Duas pessoas altamente diferentes, com uma história de vida cada um, que se cruzam em um determinado ponto para colocar tudo num mesmo espaço. Tudo movido pelo intenso desejo de formar uma família feliz, perpetuar o nome e construir uma história.
No entanto, com duas mentes diferentes, por mais que exista amor, ele só irá perpetuar caso essas mentes sejam capazes de chegar a um equilíbrio sobre o modo em que a vida será levada. O que na prática parece extremamente fácil. Mas é absurdamente difícil.
Ter um ritmo de vida, com manias, costumes, objetivos e um determinado comportamento e de repente se ver no mesmo local que uma pessoa que traz tudo isso de sua forma mas totalmente diferente, é quase uma insanidade. É basicamente ver se o amor pode sobreviver a uma luta de gladiadores. Você começa a ter que ceder muito da sua personalidade para poder viver em paz e em amor, mas ao mesmo tempo tenta não anular sua personalidade.
E depois de muito tempo vivendo esta situação, fica claro que o amor não é a coisa mais importante para ter sucesso nessa empreitada. O que importa, acima de todas as coisas, é a possibilidade de poder conversar de forma honesta e sincera. Diálogo é a única forma de conseguir chegar a um senso comum dentro de uma família.
Você tem que ter a liberdade de falar o que pensa, de ser você mesmo, expor suas angústias, insatisfações e seus desejos. Tem que ser ouvido e nunca guardar aquilo que você acredita ser necessário para que o relacionamento possa evoluir. E claro, ouvir também, porque se há problemas no outro, certamente há em você.
Mas o diálogo inclui um profundo e insuperável desejo de melhorar a cada dia. Já escrevi que isso deveria ser um lema de vida para cada ser humano no mundo. Nossa vida deveria ser uma constante busca por evolução. E isso só pode ocorrer se nós desejamos corrigir erros e melhorar.
Dessa forma, acredito piamente que toda e qualquer crítica que venha de alguma pessoa que nos ama ou que demonstre se importar conosco, tem intuito de fazer com que sejamos pessoas melhores. Pode até ser que ao analisar aquilo que está sendo criticado, discordemos ou concordemos apenas parcialmente. Mas daí a importância do diálogo, onde os pontos podem ser debatidos e solucionados.

Neste sentido, um relacionamento envolve maturidade emocional, pois lidar com críticas não é a coisa mais fácil que existe. E querer melhorar exige muita força de vontade. Mas sem isso, não existe um relacionamento que sobreviva.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

CENSURA NA ARTE: VOLTANDO NO TEMPO

Recebi com surpresa uma informação de que uma exposição de arte havia sido cancelada por trazer obras que incentivavam a pedofilia e a zoofilia. Imaginando que estes atos constituem apologia ao crime, de bate  e pronto fui contra, imaginando que havia sido desta forma.
Vendo as notícias que vieram a seguir, foi apavorante perceber que nossa sociedade está regredindo a períodos medievais no trato com a manifestação artística.
Sendo minha primeira formação acadêmica artes plásticas, por si só a defendo, não importa se gosto ou não. O repertório histórico e contemporâneo trazem coisas que me agradam muito, e outras que acho de extremo mal gosto. O mesmo pode ser dito para outros apreciadores. Da mesma forma que entendo que algumas mensagens são contestáveis. Aliás, a ideia geral da arte é mexer com o imaginário, com emoções e fazer pensar (de uma maneira bem simplista para definir).
Não me lembro o nome correto da exposição ocorrida no Rio Grande do Sul, e isso pouco importa. O que chocou de forma intolerável foi saber que, por se tratar de uma exposição de abrangia sexo de forma bastante ampla, o que incluía homossexualismo e outras formas minoritárias, houve uma imensa contestação e informações inverídicas sobre o que estava sendo pregado.
Na data de hoje procuradores do Ministério Público averiguaram que não houve qualquer apologia a crimes. Mas uma análise bastante básica às obras já seria suficiente. Um apreciador mediano de arte já tem em sua mente que a obra em si é aberta (tomando emprestado o grande Umberto Eco). Isso quer dizer que existem centenas de mensagens contidas numa obra, uma vez que toda a composição é tratada para nos fazer viajar na proposta do autor.
E tratando-se de um tema tão polêmico, as possibilidade de conclusão são ainda maiores. É possível deixar o imaginário fluir até o infinito, tirar diversas conclusões, recuar, abraçar outras ideias. Não há um limite para chegar a algum lugar, mesmo que no fim das contas não gostemos das obras em questão.
Exceto para seres como os que compõe ou os que admiram o MBL. E a coluna deixada por um de seus fundadores na Folha mostra claramente que não há capacidade intelectual para que seus integrantes sequer tentem pensar no que estão observando. Não houve sequer um debate, que é basicamente aquilo que se espera da arte.
Assim como ocorre ainda hoje nos países mais atrasados do planeta, como Irã, Arábia Saudita, Coreia do Norte, este grupo arcaico executou e apoiou um ataque total à página do museu, até que a exposição fosse cancelada. Ou seja, censura ao que não se concorda.
Um retrocesso que beira o período medieval. Uma aberração em momentos em que liberdade se tornou o mantra de qualquer democracia.

Como artista plástico me sinto indignado. Mas como cidadão, sinto um profundo nojo deste grupo, mas mais ainda, uma tristeza imensa pela nossa sociedade se aproximar cada vez mais do fundo do poço.

sábado, 15 de julho de 2017

NÃO IRRITE AS PESSOAS COM SEU BICHINHO DE ESTIMAÇÃO

Já que comecei a falar sobre gatos, acho que podemos estender um pouco o assunto, tratando sobre animais de estimação.
Vejo muita gente que não gosta de gatos. Nem todos são idiotas de maltratar. Algumas pessoas simplesmente não gostam dos bichanos e não querem os ter em casa. Da mesma forma, muitas pessoas não gostam de cães. A partir do momento que não existe um tratamento maldoso, não há agressão, não é deplorável que alguém não queira um bicho desses perto de si. As pessoas têm todo o direito do mundo de gostar ou não de alguma coisa.
Sendo assim, ao contrário do senso comum, é altamente repreensível as pessoas que têm um bichinho e permitem que estes infernizem o ambiente em que vivem, seja com barulho, com sujeira ou com agressividade, obrigando pessoas que não querem ter o bicho a conviverem com ele.
Não sei quem já teve a oportunidade de presenciar um gata no cio. É um inferno. A bichinha mia escandalosamente, se esfrega em tudo, fica agressiva com outras fêmeas, atraia machos para sua casa e ainda faz com que estes tenham brigas violentíssimas. Além do acasalamento ser outro show de miadas gritados e agressões. Se um sujeito não gosta de gatos, possivelmente irá abominá-los quando presenciar tais espetáculos sexuais.
Da mesma forma, quando a pessoa deixa o cachorro latindo sem parar em sua casa, a qualquer hora do dia, quem não gosta de cães irá ficar enfurecido e ainda mais intolerante com esse show. Eu que não gosto do som do latido sinto como se fosse um martelo batendo interminavelmente, dia e noite, tirando totalmente a concentração e não deixando a pessoa dormir.
A nossa legislação obriga que os proprietários tenham os devidos cuidados com seus animais, sendo responsáveis pelos danos que causarem, inclusive se for o caso de danos por ruídos ou perturbação do sossego. Quem tem um bicho é responsável por evitar que ele infernize seus vizinhos.
Não quero que as pessoas sintam ódio das minhas gatas, então evitamos ao máximo que elas fiquem miando a esmo. Da mesma forma que tomamos cuidado quando elas passeiam nos jardins do condomínio, para não danificar nada que não seja nosso. E quando alguém que não gosta de gatos está próximo, evitamos até mesmo que ocorram tais passeios.
Não acho que ações assim farão com que as pessoas mudem de opinião. Mas imagino que isso fará com que pelo menos as pessoas fiquem mais tolerantes quanto à existência de tais animais. Isso com certeza irá ajudar a que não ocorram maus tratos, quando o ódio a ser canalizado é por um dono irresponsável, uma vez que o animal não tem a devida consciência de seus atos.

Sendo assim, se você tem um bichinho de estimação, cuide dele com todo amor possível. Mas cuide com responsabilidade, lembrando que a escolha de tê-lo em sua casa foi sua, e ninguém é obrigado a suportar algo que não foi escolhido. Não irrite seus vizinhos com o seu bichinho.

TELAS NAS JANELAS – GATOS FELIZES

Desde pequeno crio gatos, sendo um irreparável apaixonado por essa maravilhosa e fantástica espécie. Acredito piamente, e defendo isso aos quatro ventos, que o gato é o melhor animal para se ter em casa. Não que eu tenha algo contra as demais espécies, mas acredito que nada é tão maravilhoso e recompensador quanto o amor de um gato.
No entanto, vejo que as pessoas apenas têm em gatos em muitos casos. Possivelmente por acreditarem que os bichanos sejam realmente animais independentes tratam a casa como um espaço para que durmam e dão comida algumas vezes ao dia.
Esse tipo de ação é uma condenação para o bicho. Gatos que têm essa liberdade extrema são frequentadores de ruas, em geral passando a noite toda fora, voltando durante o dia para dormir. Muitos donos consideram isso como um ato de liberdade, mas não é.
Os gatos são apenas relativamente independentes. Nas ruas, estão expostos a todo tipo de perigo possível, desde atropelamento, ataques de cães, ataques de outros gatos, brigas sanguinárias e, principalmente, a imbecilidade de pessoas que tentam agredir ou maltratar os animais, talvez puramente por maldade.
Por mais que sejam livres, o gato não está, jamais, totalmente preparado pra isso. Apesar do costume de voltar todas as manhãs, vai haver uma que ele não voltará mais. A maior probabilidade é que ele tenha sucumbido aos perigos que a rua oferece.
Não vejo esse tipo de coisa como ato de amor. Pra quem acompanha comunidades de gatos nas redes sociais, há um número cada dia maior de pessoas que colocam anúncios na internet procurando gatos que sumiram, citando ser um bicho dócil, às vezes deixando crianças doentes.
Pois bem. As ONGs que maior sucesso têm no tratamento de gatos dão a possibilidade de adoção com uma gama imensa de escolha. O grande fato é que esta adoção precisa ser responsável. E isso significa que o gato não pode ter acesso à rua, até porque a ONG busca a felicidade do animal, não sua condenação.
Adoção responsável é colocar telas nas possíveis saídas do gato. Janelas teladas impedem definitivamente a passagem dele para a rua. A porta claro, não há como lacrar deste modo, mas ainda assim mantê-la fechada é impedir que o bicho suma.
Nossas gatas, Siana e Sofia, prestes a completarem dois anos, vieram para casa já com orçamento feito, e pouco tempo depois, telas foram instaladas. As gatas, desde pequenas, não foram acostumadas com a rua. Uma delas é fissurada em passear no jardim, até porque há plantas na área comum do condomínio em que moro. Não negamos isso à pobre esfregona, mas sempre o passeio é feito com supervisão, sendo que eu ou minha esposa ficamos o tempo todo ao lado das gatas, impedindo completamente que ela corra para a rua.
O costume foi tão grande que, quando ela chega perto do portão, vendo movimentos de carros ou de pessoas, já se assusta e volta para a área conhecida.
Não da pra vacilar e acreditar que ela sempre terá medo, porque a tendência do gato é enfrentar e vencer este medo. E uma hora ela vai chegar até a rua. Como não há qualquer tipo de costume, a duração de vida dele talvez não chegue a 24 horas.
No entanto, com cuidados básicos e supervisão, as gatas estão amplamente saudáveis, dóceis e muito amadas, super companheiras e parte tão integrante da família, que podemos dizer que são filhas. Meu persa viveu 12 anos, sempre com uma saúde de ferro, por ter um acesso restrito à rua.

Sendo assim, se você realmente ama o seu gato, e quer o melhor para ele, não deixe, sob hipótese alguma, que ele seja um frequentador do mundo lá fora. Ele não irá durar muito para expressar sua gratidão. Telar sua casa é um sinal de amor.

UM FATO QUE ME FEZ SENTIR UM IMENSO ÓDIO

Em meados de 2000, a pedido de uma pessoa que considerava minha amiga a época, tentei intermediar uma reconciliação dela com o namorado, após terem terminado o relacionamento. Tentando acalmar os ânimos, com outras pessoas fazendo o meio campo, conseguimos marcar uma conversa. Obviamente, não deu certo o objetivo, e o relacionamento manteve-se rompido. No dia seguinte, ouvi cobras e lagartos por não ter o sucesso desejado, de ambas as partes, no que perdi completamente a paciência e briguei em definitivo, encerrando também minha amizade com essa moça.
Desse dia em diante nunca mais tomei partido em qualquer relacionamento de pessoas próximas. Cheguei a ver um caso de um grande amigo que estava em um relacionamento visivelmente desastroso com uma garota, onde era evidente que havia mentiras e falta de respeito. Mas jamais emiti qualquer juízo de valor sobre o caso.
Acredito que duas pessoas ficam juntas porque, apesar de haver coisas ruins, sempre há boas também. Pode ser que a única coisa boa seja o sexo, mas que seja tão incrivelmente bom, que supere todas ruins. Eu não convivo no dia a dia com um relacionamento que não seja o meu, então não sei quais fatores levam as pessoas a manterem algo que a meu ver esteja ruim.
É bem verdade que amigos trazem informações. Mas sempre temos informações de somente um dos lados, o que é insuficiente para emitir qualquer parecer de forma imparcial, que venha a ajudar.
Dito isso, vejo com uma extrema e irreconciliável revolta quando alguém tenta, por qualquer razão, se intrometer negativamente no meu relacionamento. É absolutamente inaceitável, deplorável e imperdoável que tentem fazer a cabeça da minha esposa de forma negativa para que ela se decida a divorciar-se de mim.
Tenho um monte de defeitos, como todas as pessoas. E pode ser, como qualquer um, que meu relacionamento não tenha sucesso, por incompatibilidade de gênios. No entanto, depois de longos, difíceis e felizes anos, isso caberia exclusivamente a uma análise minha e dela.
Costumo conversar com algumas pessoas sobre meus problemas. Mas pessoas que tentam me acalmar e colocar panos quentes sobre a minha raiva, às vezes tentando me fazer ver o lado dela. Não tenho nem razão para tentar palavras de pessoas que queiram inflamar ainda mais o meu ódio.
Ao longo desses 11 anos de relacionamento, 5 de casados, enfrentamos os mais malucos e intensos problemas, como a morte do pai dela dois meses antes do casamento, extrema depressão por parte dela, um transtorno de ansiedade generalizado pelo meu lado, cujo tratamento continua até hoje. Muita instabilidade emocional, algumas mágoas de parte a parte.
Manter a coisa toda foi altamente difícil, para ambas as partes. Noites e mais noites sem dormir, uma auto-crítica constante, análises de erros, de acerto, do que valia a pena ou não ser tolerado. Muito dinheiro gasto com terapia, com remédios.
De repente me vem uma menina mimada, que conseguiu tudo o que quis, com constante ajuda pelos pais até para as eventualidades materiais, trazer juízos de valor sobre a minha pessoa, sem jamais ter uma única conversa mais aprofundada. Li uma mensagem que eu era um cara que era frustrado com a vida como um todo. Ao postar isso em redes sociais, todos os meus amigos rechaçaram energicamente tal frase, inclusive algumas constando que me viam como exemplo de perseverança e dedicação.
Eu nunca, em toda a minha vida, por maior que fosse a minha raiva, havia sentido qualquer vontade de matar, de verdade, um ser humano. Mas esse sentimento existe claro e indisfarçável dentro de mim. Por um ser altamente desprezível, que veio tentar, a troca de absolutamente nada, destruir um relacionamento que já enfrentou tantos problemas, problemas estes que claramente ela não teria qualquer possibilidade de enfrentar.
E este sentimento permanece, apesar de a raiva maior ter passado.
Gostaria de não sentir esse tipo de coisa. Gostaria de poder perdoar até. Mas mais do que isso, gostaria imensamente que esse ser desprezível e asqueroso mantivesse a máxima distância da minha família e de todas as pessoas que são importantes para mim, até mesmo para que eu possa tentar esquecer esse fato. Porque se esta vadia se aproximar daquelas que dependem de mim, por qualquer razão, é bem provável que meus próximos textos sejam escritos de dentro da cadeia, cumprindo pena por assassinato. E orgulhoso disso.