sábado, 15 de julho de 2017

NÃO IRRITE AS PESSOAS COM SEU BICHINHO DE ESTIMAÇÃO

Já que comecei a falar sobre gatos, acho que podemos estender um pouco o assunto, tratando sobre animais de estimação.
Vejo muita gente que não gosta de gatos. Nem todos são idiotas de maltratar. Algumas pessoas simplesmente não gostam dos bichanos e não querem os ter em casa. Da mesma forma, muitas pessoas não gostam de cães. A partir do momento que não existe um tratamento maldoso, não há agressão, não é deplorável que alguém não queira um bicho desses perto de si. As pessoas têm todo o direito do mundo de gostar ou não de alguma coisa.
Sendo assim, ao contrário do senso comum, é altamente repreensível as pessoas que têm um bichinho e permitem que estes infernizem o ambiente em que vivem, seja com barulho, com sujeira ou com agressividade, obrigando pessoas que não querem ter o bicho a conviverem com ele.
Não sei quem já teve a oportunidade de presenciar um gata no cio. É um inferno. A bichinha mia escandalosamente, se esfrega em tudo, fica agressiva com outras fêmeas, atraia machos para sua casa e ainda faz com que estes tenham brigas violentíssimas. Além do acasalamento ser outro show de miadas gritados e agressões. Se um sujeito não gosta de gatos, possivelmente irá abominá-los quando presenciar tais espetáculos sexuais.
Da mesma forma, quando a pessoa deixa o cachorro latindo sem parar em sua casa, a qualquer hora do dia, quem não gosta de cães irá ficar enfurecido e ainda mais intolerante com esse show. Eu que não gosto do som do latido sinto como se fosse um martelo batendo interminavelmente, dia e noite, tirando totalmente a concentração e não deixando a pessoa dormir.
A nossa legislação obriga que os proprietários tenham os devidos cuidados com seus animais, sendo responsáveis pelos danos que causarem, inclusive se for o caso de danos por ruídos ou perturbação do sossego. Quem tem um bicho é responsável por evitar que ele infernize seus vizinhos.
Não quero que as pessoas sintam ódio das minhas gatas, então evitamos ao máximo que elas fiquem miando a esmo. Da mesma forma que tomamos cuidado quando elas passeiam nos jardins do condomínio, para não danificar nada que não seja nosso. E quando alguém que não gosta de gatos está próximo, evitamos até mesmo que ocorram tais passeios.
Não acho que ações assim farão com que as pessoas mudem de opinião. Mas imagino que isso fará com que pelo menos as pessoas fiquem mais tolerantes quanto à existência de tais animais. Isso com certeza irá ajudar a que não ocorram maus tratos, quando o ódio a ser canalizado é por um dono irresponsável, uma vez que o animal não tem a devida consciência de seus atos.

Sendo assim, se você tem um bichinho de estimação, cuide dele com todo amor possível. Mas cuide com responsabilidade, lembrando que a escolha de tê-lo em sua casa foi sua, e ninguém é obrigado a suportar algo que não foi escolhido. Não irrite seus vizinhos com o seu bichinho.

TELAS NAS JANELAS – GATOS FELIZES

Desde pequeno crio gatos, sendo um irreparável apaixonado por essa maravilhosa e fantástica espécie. Acredito piamente, e defendo isso aos quatro ventos, que o gato é o melhor animal para se ter em casa. Não que eu tenha algo contra as demais espécies, mas acredito que nada é tão maravilhoso e recompensador quanto o amor de um gato.
No entanto, vejo que as pessoas apenas têm em gatos em muitos casos. Possivelmente por acreditarem que os bichanos sejam realmente animais independentes tratam a casa como um espaço para que durmam e dão comida algumas vezes ao dia.
Esse tipo de ação é uma condenação para o bicho. Gatos que têm essa liberdade extrema são frequentadores de ruas, em geral passando a noite toda fora, voltando durante o dia para dormir. Muitos donos consideram isso como um ato de liberdade, mas não é.
Os gatos são apenas relativamente independentes. Nas ruas, estão expostos a todo tipo de perigo possível, desde atropelamento, ataques de cães, ataques de outros gatos, brigas sanguinárias e, principalmente, a imbecilidade de pessoas que tentam agredir ou maltratar os animais, talvez puramente por maldade.
Por mais que sejam livres, o gato não está, jamais, totalmente preparado pra isso. Apesar do costume de voltar todas as manhãs, vai haver uma que ele não voltará mais. A maior probabilidade é que ele tenha sucumbido aos perigos que a rua oferece.
Não vejo esse tipo de coisa como ato de amor. Pra quem acompanha comunidades de gatos nas redes sociais, há um número cada dia maior de pessoas que colocam anúncios na internet procurando gatos que sumiram, citando ser um bicho dócil, às vezes deixando crianças doentes.
Pois bem. As ONGs que maior sucesso têm no tratamento de gatos dão a possibilidade de adoção com uma gama imensa de escolha. O grande fato é que esta adoção precisa ser responsável. E isso significa que o gato não pode ter acesso à rua, até porque a ONG busca a felicidade do animal, não sua condenação.
Adoção responsável é colocar telas nas possíveis saídas do gato. Janelas teladas impedem definitivamente a passagem dele para a rua. A porta claro, não há como lacrar deste modo, mas ainda assim mantê-la fechada é impedir que o bicho suma.
Nossas gatas, Siana e Sofia, prestes a completarem dois anos, vieram para casa já com orçamento feito, e pouco tempo depois, telas foram instaladas. As gatas, desde pequenas, não foram acostumadas com a rua. Uma delas é fissurada em passear no jardim, até porque há plantas na área comum do condomínio em que moro. Não negamos isso à pobre esfregona, mas sempre o passeio é feito com supervisão, sendo que eu ou minha esposa ficamos o tempo todo ao lado das gatas, impedindo completamente que ela corra para a rua.
O costume foi tão grande que, quando ela chega perto do portão, vendo movimentos de carros ou de pessoas, já se assusta e volta para a área conhecida.
Não da pra vacilar e acreditar que ela sempre terá medo, porque a tendência do gato é enfrentar e vencer este medo. E uma hora ela vai chegar até a rua. Como não há qualquer tipo de costume, a duração de vida dele talvez não chegue a 24 horas.
No entanto, com cuidados básicos e supervisão, as gatas estão amplamente saudáveis, dóceis e muito amadas, super companheiras e parte tão integrante da família, que podemos dizer que são filhas. Meu persa viveu 12 anos, sempre com uma saúde de ferro, por ter um acesso restrito à rua.

Sendo assim, se você realmente ama o seu gato, e quer o melhor para ele, não deixe, sob hipótese alguma, que ele seja um frequentador do mundo lá fora. Ele não irá durar muito para expressar sua gratidão. Telar sua casa é um sinal de amor.

UM FATO QUE ME FEZ SENTIR UM IMENSO ÓDIO

Em meados de 2000, a pedido de uma pessoa que considerava minha amiga a época, tentei intermediar uma reconciliação dela com o namorado, após terem terminado o relacionamento. Tentando acalmar os ânimos, com outras pessoas fazendo o meio campo, conseguimos marcar uma conversa. Obviamente, não deu certo o objetivo, e o relacionamento manteve-se rompido. No dia seguinte, ouvi cobras e lagartos por não ter o sucesso desejado, de ambas as partes, no que perdi completamente a paciência e briguei em definitivo, encerrando também minha amizade com essa moça.
Desse dia em diante nunca mais tomei partido em qualquer relacionamento de pessoas próximas. Cheguei a ver um caso de um grande amigo que estava em um relacionamento visivelmente desastroso com uma garota, onde era evidente que havia mentiras e falta de respeito. Mas jamais emiti qualquer juízo de valor sobre o caso.
Acredito que duas pessoas ficam juntas porque, apesar de haver coisas ruins, sempre há boas também. Pode ser que a única coisa boa seja o sexo, mas que seja tão incrivelmente bom, que supere todas ruins. Eu não convivo no dia a dia com um relacionamento que não seja o meu, então não sei quais fatores levam as pessoas a manterem algo que a meu ver esteja ruim.
É bem verdade que amigos trazem informações. Mas sempre temos informações de somente um dos lados, o que é insuficiente para emitir qualquer parecer de forma imparcial, que venha a ajudar.
Dito isso, vejo com uma extrema e irreconciliável revolta quando alguém tenta, por qualquer razão, se intrometer negativamente no meu relacionamento. É absolutamente inaceitável, deplorável e imperdoável que tentem fazer a cabeça da minha esposa de forma negativa para que ela se decida a divorciar-se de mim.
Tenho um monte de defeitos, como todas as pessoas. E pode ser, como qualquer um, que meu relacionamento não tenha sucesso, por incompatibilidade de gênios. No entanto, depois de longos, difíceis e felizes anos, isso caberia exclusivamente a uma análise minha e dela.
Costumo conversar com algumas pessoas sobre meus problemas. Mas pessoas que tentam me acalmar e colocar panos quentes sobre a minha raiva, às vezes tentando me fazer ver o lado dela. Não tenho nem razão para tentar palavras de pessoas que queiram inflamar ainda mais o meu ódio.
Ao longo desses 11 anos de relacionamento, 5 de casados, enfrentamos os mais malucos e intensos problemas, como a morte do pai dela dois meses antes do casamento, extrema depressão por parte dela, um transtorno de ansiedade generalizado pelo meu lado, cujo tratamento continua até hoje. Muita instabilidade emocional, algumas mágoas de parte a parte.
Manter a coisa toda foi altamente difícil, para ambas as partes. Noites e mais noites sem dormir, uma auto-crítica constante, análises de erros, de acerto, do que valia a pena ou não ser tolerado. Muito dinheiro gasto com terapia, com remédios.
De repente me vem uma menina mimada, que conseguiu tudo o que quis, com constante ajuda pelos pais até para as eventualidades materiais, trazer juízos de valor sobre a minha pessoa, sem jamais ter uma única conversa mais aprofundada. Li uma mensagem que eu era um cara que era frustrado com a vida como um todo. Ao postar isso em redes sociais, todos os meus amigos rechaçaram energicamente tal frase, inclusive algumas constando que me viam como exemplo de perseverança e dedicação.
Eu nunca, em toda a minha vida, por maior que fosse a minha raiva, havia sentido qualquer vontade de matar, de verdade, um ser humano. Mas esse sentimento existe claro e indisfarçável dentro de mim. Por um ser altamente desprezível, que veio tentar, a troca de absolutamente nada, destruir um relacionamento que já enfrentou tantos problemas, problemas estes que claramente ela não teria qualquer possibilidade de enfrentar.
E este sentimento permanece, apesar de a raiva maior ter passado.
Gostaria de não sentir esse tipo de coisa. Gostaria de poder perdoar até. Mas mais do que isso, gostaria imensamente que esse ser desprezível e asqueroso mantivesse a máxima distância da minha família e de todas as pessoas que são importantes para mim, até mesmo para que eu possa tentar esquecer esse fato. Porque se esta vadia se aproximar daquelas que dependem de mim, por qualquer razão, é bem provável que meus próximos textos sejam escritos de dentro da cadeia, cumprindo pena por assassinato. E orgulhoso disso.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A ONDA CONSERVADORA E SEUS EFEITOS DESASTROSOS

De alguns anos pra cá, estamos vendo crescer no mundo um movimento altamente conservador, em sua grande maioria, radical e perigoso. O Estado Islâmico no Oriente Médio, a onda neo-nazista em vários países da Europa, bem como a crescente xenofobia que tornou-se pauta governamental. A ascensão de Donald Trump nos EUA, o crescimento da bancada evangélica no Brasil.
É preciso deixar claro que eu sinto um profundo repúdio pelo conservadorismo. Acredito inicialmente que as leis da física deixam claro que conservar é algo bastante transitório e efêmero. Nem mesmo os continentes permanecem no mesmo local, apesar da movimentação ser tão lenta que sequer podemos perceber.
Como podemos imaginar que ideias podem ser mantidas por décadas e décadas, justificadas por uma tradição que começou com uma realidade totalmente diferente. As necessidades mudam, os desejos mudam, a velocidade da vida em si muda. Não há como manter uma relação estática segundo valores morais que são incapazes de se adaptar a uma realidade que se move em progressão geométrica.
Mas mais do que isso: o conservadorismo não é uma busca de estática para o eu. A ideia mais assustadora e perigosa da onda conservadora é a obrigatoriedade de fazer com que outras pessoas vivam sob um ditame moral que elas jamais aceitariam.
No Brasil temos visto a promulgação de leis como a obrigatoriedade do ensino religioso ou de orações em escolas públicas, prática que já abolida há muito tempo, diante de nossa inserção em um Estado laico. Ou pregações evangélicas durante sessões legislativas, no Congresso Nacional, em Assembleia de Vereadores ou tantos outros órgãos públicos, cuja função inclui manter distância de organizações religiosas.
Esta mesma religião que tenta condenar qualquer forma de aborto, mesmo quando traz grave risco de vida à mulher, ou quer controlar a vida sexual de toda e qualquer pessoa do sexo feminino, por ideias que não fazem parte de seus mundo.
Um conservadorismo que ainda hoje tenta diferenciar as pessoas pela cor de sua pele, mesmo sabendo quantos problemas sociais isso nos trouxe e nos traz nos dias atuais.
Este mesmo conservadorismo que quer fazer as pessoas acreditarem que alguém pode ser agredido e assassinado simplesmente porque tem desejos sexuais por pessoas do mesmo sexo. Desejos estes que não atingem em nada a minha vida, nem de ninguém, não tornando ninguém pior, nem melhor.

Por mais que se tente, não há qualquer possibilidade de se observar algum aspecto positivo de atitudes conservadoras. Sabendo que aquilo que eu considero correto e ético pode mudar de uma hora pra outra, diante da velocidade da informação e entendimento que os conceitos podem ter, como podemos aceitar como verdadeiro o fato de alguém querer manter as verdades paralisadas no tempo e se recusar a aceitar aquilo que nasce com o pensamento diferente?

BRASILEIRO NÃO TEM ÉTICA

Em princípio começo me desculpando pelo título tão generalizado. Sabemos todos que existem sim muitos brasileiros honestos e que vivem sob um rigorosa conduta moral. No entanto, com muita tristeza, devemos dizer que é uma pequena exceção.
Pelo que podemos observar, uns 90% da população brasileira está envolvida em algum ato ilícito, em algum esquema, ou em algum tipo de infração. Sonegação de impostos, corrupção, furtos, transgressão descarada de leis de trânsito, mentiras no trabalho... todos os tipos de “jeitinhos brasileiros” para se dar bem sem ter que se esforçar demais.
Acredito que há uma série imensa de fatores que levam a esta situação: um sistema de educação destruído; segurança pública, bem como saúde pública, praticamente inexistentes; um círculo vicioso que impõe a todos os que montam seu próprio negócio a necessidade de se associar a algum tipo de ilegalidade para se manterem de portas aberta. Daí podemos aumentar esta lista de razões até não poder mais.
São tantos problemas que levam a esta situação caótica, que atualmente fica difícil pensar em alguma medida para sanar o problema geral. Onde quer que olhemos, há corrupção e ilegalidade. A imagem que existe do nosso país é das piores.

Não há como sentir orgulho ou amor por um país assim, sabendo que esta situação não vai melhorar a curto prazo, e que pouquíssimas pessoas sequer se interessam pela melhoria. 

SUA OPINIÃO NÃO MERECE MEU RESPEITO 2

Você já tentou colocar uma imagem de Jesus dando a entender que ele era homossexual em algum local público? Já tentou ridicularizar alguma religião em virtude de alguma teoria ridícula? Se não o fez, pense bem antes, pois essa é a maneira mais fácil e rápida de se colocar a vida em risco.
Por motivos absurdamente estúpidos, as pessoas chegaram a um ponto em que a crítica a um ponto de vista, especialmente se este for extremamente polêmico, tornou-se o mesmo que uma ofensa pessoal irreparável. Desenhistas de um jornal foram mortos por fazerem desenhos do profeta do islã.
Estamos no Século XXI, em plena era da informação, onde tudo pode se disseminado em segundos, e as pessoas continuam se matando simplesmente porque você não concorda com a crença de outras pessoas. É preciso manter-se em silêncio, e em alguns casos aceitar o que você acha errado e prejudicial, para evitar uma grande briga.
Não existe conhecimento dessa forma. O que temos aqui é um medo extremo de que outros pontos de vista nos façam ver que estivemos errados por muito tempo. Um medo que se reflete somente numa fobia intensa de mudanças.
Colocar pontos de vista à prova é algo maravilhoso. Existem diversas de visões que foram proferidas ao longo da nossa história, sobre política, religião, espiritualidade, legislação, etc. E ao longo dos tempos, alguns grandes pensadores contestaram outros grandes pensadores, modificando a maneira de agir de todo o planeta.
O cristianismo em sua essência surgiu como uma contestação ao politeísmo, pregando que fosse seguido apenas um deus. Para os politeístas, o cristianismo foi uma ofensa e uma ameaça, tratada com perseguição e sangue. Porém, o cristianismo tratou assim o islã, assim como outras vertentes cristãs de interpretarem a Bíblia.
Em termos políticos, Marx trouxe à luz uma crítica feroz ao capitalismo e ao modelo liberal de produção, de Adam Smith. Hobbes e Locke foram altamente conflitantes em sua filosofia política.
Um tribunal é feito com a colisão de duas teses distintas para um mesmo fato, tentando ambas provarem que apresentam a visão verdadeira sobre o que ocorreu, bem como sobre quem é culpado do ocorrido. O debate é parte essencial da profissão, bem como a necessidade de conhecer, ouvir e contra argumentar a visão do “oponente”.
Porém, agora não se pode dizer que você discorda do outro. Não se pode criticar ideias que você vier a julgar errado. Se você considerar alguma teoria ridícula, o proponente da teoria irá se ofender, como se você o tivesse humilhado por inteiro.
Opiniões e ideias não possuem sentimentos. Não sentem nada. Não são humilhadas, não são ridicularizadas, nem enaltecidas. São apenas linhas de raciocínio, que muitas vezes sucumbem ao tempo. Existem para serem colocadas à prova, debatidas, atacadas e defendidas.

O que devemos respeitar é o direito de cada pessoa defender aquilo que entender mais apropriado. Ou o direito de não defender e apenas manter para si. As pessoas sempre precisarão de respeito por seus pontos de vista. Seus pontos de vista, não.

Sua opinião não merece meu respeito

Começo por dizer que considero o cristianismo uma imensa idiotice que traz imensos prejuízos para a raça humana. Considero também que uma mulher tem o direito de fazer sexo com quantas pessoas quiser, quando quiser. Sou amplamente favorável à reforma agrária. A favor do casamento gay. Contra a liberação das drogas. E por aí vai.
Acredito, pela experiência que tive, que meus pensamentos e opiniões são amplamente polêmicos, e em muitos casos acabam por incomodar quem pensa o contrário. Até porque eu, mais do que tudo, sou um amante incondicional da quebra de paradigmas. Acredito que o simples fato de mencionar quem o cristianismo é uma idiotice é algo ofensivo para muitos.
As pessoas devem ser livres para seguir, defender e propagar as ideias que consideram melhores e mais apropriadas, que acreditam que melhor serviriam à raça humana. Acredito piamente que o intenso debate de tais ideias é algo extremamente positivo para a evolução pessoal.
Considero que o direito de expressão é uma das coisas mais importantes que existe, até porque com ela podemos acertar caminhos, ter ideias, observar erros e aprender. Não existe nada que se possa considerar ofensivo na expressão de opinião de uma pessoa.
Primeiramente porque todos temos o direito de ter um posicionamento e um pensamento sobre cada assunto, de externa-lo e iniciar um debate sobre o ponto. Obviamente não iremos agradar a todos, talvez nem cheguemos a atingir a maioria. No entanto, isso nunca irá invalidar o fato de existir o direito de mostrarmos o que consideramos correto.
Mas o que mais me impressiona quando as pessoas afirmam que não estamos respeitando a opinião que elas têm é: desde quando opiniões exigem respeito? Uma ideia pode ter honra? Uma ideia sofre? Ela sente dor? A ideia poderia ser magoada por falarmos mal dela?
Me parece muito óbvio que nada disso faz sequer sentido. O fato de eu criticar, por mais dura que seja a crítica, o cristianismo, não faz com que haja qualquer falta de respeito com qualquer ser humano. Ninguém deverá, por minha causa, deixar de ser cristão, ou de propagar tal conceito, se entender ser o mais correto. Ninguém será impedido de acreditar em Cristo porque eu estou criticando.
Ninguém será obrigado a concordar com o meu pensamento, nem aceitar o que eu digo, menos ainda concordar só pra não “eu não me sentir ofendido”. Minhas ideias nunca precisaram de respeito algum. Muito contrário, se eu as coloco em um ambiente público, ou se falo sobre elas, significa que estou, mesmo que de forma implícita, me abrindo à possibilidade de receber alguma resposta, no sentindo oposto do que eu penso.
Dessa forma, só posso dizer que estamos vivendo em um mundo adulto, cujas informações explodem a todo momento, em todos os lugares. Existem diversos tipos de filosofias, pensamentos e críticas. Não há como fugir disso. Então, vamos deixar de agir feito crianças mimadas, e aceitar que o pensamento diferente é o que faz o conhecimento valer a pena, e talvez o que nos faça diferente da maioria dos animais. Vamos crescer um pouco.

O JUDICIÁRIO POLITIZADO

Dia 12 de julho. Lula condenado a 9 anos e meio de prisão por corrupção. O fato em si, nada de mais, não fossem as situações que cercam o caso, bem como outros que fazem parte da nossa realidade.
Pra começar, o caso Lula tornou-se um verdadeiro carnaval, desde que tivemos a condução coercitiva de Lula pelo pseudo-heroi Sérgio Moro. A politização do caso, associada a farta cobertura da mídia para todo e qualquer fato que tivesse relação ao processo criou um pulguinha de dúvidas sobre a seriedade da ação.
Junta-se a isso o fato do juiz do caso ter uma ligação bastante íntima com político do PSDB, principal adversário de Lula, culminando com fotos bastante constrangedoras com Aécio Neves e Michel Temer.
Por outro lado, Aécio Neves, pêgo em uma gravação claramente confessando atos corruptos e ameaças de morte a integrantes de sua família, foi mantido solto, e o Supremo manteve seu cargo intacto de Senador, com todos os benefícios e foro.
O presidente da República, no cargo do modo mais fraudulento possível, também foi flagrado na gravação, com posterior confissão indireta do ato em pronunciamento nacional, tendo cobertura plena do judiciário, com sentença altamente favorável pelo TSE, alegando “fartura de provas”, cujo voto decisivo veio pelo Ministro Gilmar Mendes, colocado no cargo por integrantes do PSDB, sendo que antes era claramente a favor da cassação de Dilma, quando presidente.
Eu sinceramente não ligo muito para a condenação do Lula. Se ele for corrupto, que seja condenado e preso. No entanto, as nuances que envolvem o caso, inclusive alegações que não houve provas suficientes para a condenação, e sim somente a delação, trazem um tremendo mal estar para quem acredita no papel do Poder Judiciário.
As ações que sempre se mostram favoráveis a políticos e grupos de direita, ao passo que temos uma mão extremamente pesada contra integrantes da esquerda, demonstram sem qualquer dúvida que não há imparcialidade, apesar de ser um preceito legal.
Deixam claro que todos os políticos integrantes de direita podem fazer a farra que quiserem, que terão ampla cobertura em seus julgamentos, enquanto a esquerda será condenada meramente com delações, mesmo que as provas não evidenciem as delações.
Pra quem não faz parte de nenhuma torcida organizada, os casos em questão são a pá de cal no caixão do país, uma vez que todos já sabemos de cor o péssimo nível de políticos que temos, bem como fica cada vez mais evidente que nosso povo não se mexe nem quando é prejudicado. Mas o judiciário sempre foi a esperança de dar um mínimo de moral nessa merda toda, quando os casos chegavam a ele.

E ver tudo isso em algo que eu realmente acreditava, dói mais que qualquer caso de corrupção já visto.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Você não tem mesmo político de estimação?

Há um tempo atrás fazia algumas críticas ao Ministro Joaquim Barbosa, pela teoria do conhecimento do fato, aplicada para condenar José Genoíno. Especificamente porque nosso direito não contempla esse tipo de ideia, assim como pelo fato de, se isso for imposto ao cidadão comum, muita gente honesta e trabalhadora será posta na cadeia sem ter feito nada.
Joaquim Barbosa se declarou, à Folha de São Paulo, dos que eu li, ser eleitor de Dilma e Lula, elogiando as conquistas de seus governos. Mesmo assim, sendo também nomeado por Lula, não deixou de cumprir seu papel, condenando alguns políticos petistas pelo cometimento de crime. O principal, José Dirceu, era o segundo nome mais forte do partido, e principal nome para suceder Lula em 2010.
O exemplo de Joaquim Barbosa, mesmo não concordando com seus métodos, deveriam ser seguidos. Ele não deixou suas preferências pessoais interferirem em seu trabalho, nem em seu juízo de valores. Aliás, possivelmente, como petista, exigiu um comportamento de acordo de seus eleitos.
O que vemos agora é o extremo oposto. Temos o tratamento de herói a quem condena quem nós somos contra, mesmo que este herói esteja agindo descaradamente contrário aos preceitos legais.
O maior exemplo é o juiz Sérgio Moro. As ações deste juiz são extremamente contrárias às nossas leis. As condenações e ações incisivas contra políticos do PT, inclusive com indeferimento de pedidos da defesa, associado ao histórico familiar com o PSDB, principal adversário petista, onde o mesmo participa de eventos ao lado de tucanos, postando fotos em ações sociais, são os grandes sinônimos de imoralidades cometidas por este juiz.
Analisando nosso histórico político, acredito que Lula tenha culpa no cartório. No entanto, minha crença não é suficiente para condená-lo. Toda condenação requer prova, ampla defesa e a observância do processo legal. Se estes preceitos não forem observados, não há condenação válida.
Além disso, a todos é garantido, de forma constitucional, juiz imparcial. Se ele é amigo da parte, ou inimigo capital, o processo está viciado. Sendo assim, existe a possibilidade de se anular um processo em que o político é culpado, é imensa. E neste sentido, todos aqueles que são anti-PT poderá ter seu sonho anulado por erros grosseiros do juiz.
Não há como pular as etapas judiciais, nem como exigir a prisão de alguém cujas provas não demonstram a culpa. Eu não tenho como, por exemplo, querer a condenação de Aécio Neves, o mais delatado da operação Lava Jato, sem que seja provado amplamente que ele tem culpa.
Mas o que podemos exigir é ampla investigação, de todos. Não só os políticos, como todos os brasileiros.
E a partir do momento que se comemora a prisão do Lula, mas não há qualquer comoção por pelo menos uma investigação contra Aécio e Serra, por exemplo, demonstra-se claramente que não existe uma comoção popular contra a corrupção, mas sim contra o PT.

Daí vemos que existe sim por parte da população, um abraço imenso a políticos que sustentem os mesmos objetivos, mesmo que sejam estes políticos corruptos, sendo eles, mesmo por tempo limitado, seus políticos de estimação.

terça-feira, 26 de julho de 2016

UNINOVE DIREITO - UMA PÉSSIMA INSTITUIÇÃO

Há quase cinco anos iniciei o curso de direito, na Uninove Vergueiro, pagando cerca de R$350,00 por mês. Em princípio, me empolguei bastante com o nível de aulas e com a estrutura da instituição.
Agora, prestes a iniciar o décimo e último semestre do curso, minha opinião mudou radicalmente, chegando ao ponto de concluir que esta instituição é tão ruim quanto a Vivo, que até hoje é a empresa que eu mais abomino de todo o setor privado.
Como todo mundo sabe, a secretaria da instituição é um desastre completo, e ao que parece irreversível. O sistema de infraestrutura decaiu em pouco tempo, com um envelhecimento da biblioteca, sem muita renovação, limpeza precária, chegando ao ponto de ficarmos dias sem papel higiênico, papel toalha e sabonetes, em TODOS os banheiros.
Para piorar, os acessos para deficientes físicos foram retirados, ficando somente os elevadores, sempre lotados e demorados, e que não trariam grande benefício em caso de urgência, uma vez que qualquer curso de brigadista recomenda o não uso do aparelho em casos extremos. Ou seja, para um deficiente físico a instituição é uma condenação certa.
A instituição apresenta uma quantidade imensa de salas sem qualquer tipo de ventilação, totalmente vedadas, sendo objeto de reclamação em todos os locais possíveis para postagem de clientes, oficiais ou não. Eu mesmo já tive uma coleção de problemas com isso, sendo claustrofóbico com laudo assinado.
Estruturalmente a faculdade é um desastre que ao meu ver não tem grandes chances de modificação, exceto se tivermos uma mudança generalizada na mentalidade dos profissionais envolvidos.
O que sempre salvou a instituição foi a qualidade do ensino apresentado, algo que eu enaltecia até o fim do sexto semestre do curso. Esta postura, a meu ver, foi totalmente alterada, pondo fim à qualidade citada.
A Universidade criou um projeto de curso voltado exclusivamente para a aprovação no curso da OAB. Tornou-se praticamente um cursinho de cinco anos, com resultados pífios, nesse sentido. O que temos é uma reprodução copista de conhecimentos, leitura de artigos e uma explicação técnica de cada um deles, algo que uma pessoa de inteligência média pode conseguir lendo os códigos.
Eu mesmo, em 2007, fui aprovado no concurso para Escrevente, sendo formado em Artes Plásticas, apenas pegando os códigos e normas, lendo e relendo os artigos determinados no edital, decorando-os sem muita preocupação, e conseguindo minha nomeação, na frente de muitos graduados. Agora, a única melhoria em relação ao meu método é que eu tenho alguém que venha tirar minhas dúvidas.
Não existe qualquer produção de conhecimento no sentido real da palavra. Pessoas, que estão para interpretar as leis e aplicá-las em caso concreto, não são nem mesmo estimuladas a conseguir fazer uso do material oficial com a vida real. E isso fica bem claro nas aulas de prática jurídica, a meu ver, o aspecto mais decepcionante do curso.
Tais aulas, ministradas aos sábados, tirando totalmente a possibilidade de descanso dos alunos depois da semana cheia de aulas e o trabalho para pagar o curso de cada um, apresentam uma infinidade de peças jurídicas, escritas por advogados em defesa de um cliente, numa situação hipotética, uma limitação que nenhuma relação tem com a prática de um profissional jurídico, a não ser um advogado.
E para piorar, analisando uma situação imaginária, apresentada para que o futuro advogado defenda os interesses de uma determinada pessoa, indicada pelo caso, o que temos é uma folha de respostas que deve ser fielmente seguida. Se eu analisar o código e o caso e encontrar uma forma de defesa diversa, e argumentar nesse sentido, perderei pontos por fazer uso de outra tese, cuja justificativa é a realização da prova da OAB, que em geral pouco tem me interessado, e conforme já citado, não seria necessário uma faculdade pra isso, exceto pela necessidade do diploma.
O que posso dizer que em, até agora um ano e meio tendo aulas de prática, a única coisa que posso apresentar é a realização de um modelo de petição feita por advogados, o que tenho contato direto em todos os dias da minha vida profissional, bem como não mais que uma aula seria suficiente. Mas em geral, não vejo grandes proveitos em perder todos os meus sábados para atingir um resultado tão pífio e de pura memorização.
E tudo isso, no fim, com um boleto de R$923,00, mais de 200% de aumento, utilizados de forma enganadora, com descontos fornecidos em uma mensalidade cheia, no intuito de poderem evitar uma chuva de ações judiciais. Ou seja, pagamos infinitamente mais caro por um ensino infinitamente ruim.
Para fechar com chave de ouro, o Trabalho de Conclusão de Curso é uma imensa e sem graça piada. Algo feito inteiramente pela plataforma virtual, com instrução muito pobre sobre os pontos exigidos, sem qualquer ensino sobre metodologia científica. Eu sequer conheço o rosto do meu orientador.
Na data da apresentação um dos professores da banca, no início da minha fala saiu da sala e voltou quando havia encerrado. A meu ver, tive um bom desempenho, dito também por colegas que assistiram. Não foi feita qualquer pergunta e mesmo assim perdi quase 2 pontos na apresentação. Enviei e-mail pessoalmente questionando o orientador, sem receber qualquer resposta. No fim, aceitei a nota apenas para me ver livre desse pesadelo, sabendo que as pessoas que avaliaram não demonstraram qualquer capacidade para o fazer.
Como conclusão do curso, vejo uma instituição muito ruim, muito desorganizada e sem qualquer abertura para ouvir as necessidades e reclamações de seus alunos, que pagam e sustentam a instituição. A resposta que tive, em contato direto com o diretor geral, foi que a situação é assim há 13 anos, dando certo então vai ficar. Há 13 anos o país era bem diferente para dizer que não precisamos mudar nada, eu acho.
Não vale o dinheiro investido. Saio da instituição com vergonha de ter este nome no meu diploma e já pensando rapidamente numa pós, para poder deixar essa instituição como totalmente secundária na minha vida. Acredito que mesmo falando em ensino particular, há instituição pelo menos não tão ruins, que valorizem seres pensantes, e não somente memorizadores de artigos e de peças.

Se alguém quiser meu conselho, não venha para esta instituição, pois ela não vale o sacrifício.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

FEMINISMO

No final de 1999, ao realizar a redação do vestibular da Unicamp, me deparei com o tema mais interessante que já realizei em redações: a relação de igualdade entre os gêneros demonstrando o nível de evolução que cada nação atingira. A prova, como qualquer outra, trazia textos, excelentes, demonstrando que a igualdade entre homens e mulheres, em seu sentido máximo, demonstrava que quanto maior, mais equilibrado, desenvolvido e com grandes Índices de Desenvolvimento Humano detinha o país.
Por muitos anos eu pesquisei sobre o assunto, bem como observei em filmes, documentários e noticiários a forma como as mulheres são tratadas em cada país e em cada cultura. A conclusão óbvia é que a igualdade é a única forma de atingirmos bons níveis em todo e qualquer análise.
Acredito que nesse sentido, o movimento feminista é de essencial importância para que homens e mulheres tenham os mesmos direitos: liberdade sexual, liberdade de pensamento, salários iguais, tratamento, respeito, etc. Até mesmo para direitos que algumas sociedades em geral possuem, como a nossa, os movimentos feministas foram fundamentais, como as greves com desfecho trágico por igualdade de direitos, que após  serem conquistados, atingiram os homens também.
Nesse sentido, cada vez que vejo manifestações machistas, sinto certa vergonha de ser homem. É bastante triste ver uma mulher que tenha uma vida sexual ativa, mesmo sendo solteira, ser classificada com os piores adjetivos possíveis, enquanto homens podem fazer o que bem entenderem. Também acho lamentável a repulsa que muitos têm ao serem comandados por mulheres em empresas. O preconceito extremo que existe ao ver mulheres dirigindo. E quantos outros exemplos que vemos diariamente.
E este machismo, mais infelizmente ainda, não é coisa só para homens. O que eu vejo de mulheres com pensamentos extremamente machistas é algo que me enche ainda mais de vergonha. Mulheres detonando outras mulheres por suas vidas sexuais é algo que choca tanto, que nem palavras para contestar nos vêm. Detonando outras mulheres por erros ao dirigirem (enquanto elas mesmas estavam no volante), ou pelo sucesso que estas venham ter, ou mesmo por terem amizade com outros homens.
A cultura machista existe, não só em relação aos pensamentos que os homens têm, como muitas e muitas mulheres. Pensamentos estes que, em pleno século XXI, com tantas lutas, atos e protestos, deixaram de fazer qualquer tipo de sentido, sendo quase tão ridículos quanto frases racistas.
Particularmente acho que a coisa mais linda que existe é uma mulher atingindo orgasmo, ou pelo menos gozando. Sou tão fissurado na busca disso, que já fui até criticado pela minha esposa por não me preocupar comigo mesmo. Sou capaz de lembrar das expressões de cada mulher que já transei na vida, chegando lá. Este é um dos pensamentos que mais me enche de alegria e melhora meu ego.
Utilizando este tema, que é um dos mais polêmicos que ainda assola nossa sociedade, não faz mais sentido tratamento desigual, qualquer que seja o assunto a se tratar. A sociedade se constrói com todos os cidadãos. O sucesso de todos, de forma igual, é o sucesso da sociedade. O mesmo vale para a sociedade conjugal, para a família, para uma empresa. O pensamento entre homens e mulheres deveria ser separado única e exclusivamente quando estivermos pensando na paquera e no ato sexual, apenas pelas necessidades fisiológicas de cada um.
Nesse sentido a única ressalva a ser feita a algumas feministas, as mais radicais, são de tratar homens e mulheres como rivais. Acredito que isso apenas muda o foco do problema, mas o mantém. Homens e mulheres são iguais e devem ser tratados como tais, sempre.

Mesmo assim, as idéias e reivindicações do movimento feminista devem ser louvadas e tratadas com toda a gratidão possível, porque se temos, mesmo ainda bastante problemática, uma realidade melhorada em relação a cerca de cinqüenta anos, a glória é dessas mulheres, que lutaram por seus direitos.

O IMPÉRIO DO RADICALISMO

A possível subida de Donald Trump ao poder na maior nação do planeta, bem como a ascensão do Estado Islâmico no mundo muçulmanos tornaram-se preocupantes marcos da ações radicais, de conseqüências claras e gravíssimas. Mas de forma alguma, são as únicas.
Talvez por graves e seqüenciais crises econômicas, associadas a uma infindável intolerância religiosa que existe desde que existem as religiões, as pessoas passaram a tomar rumos cada dia mais extremos em suas formas de pensamento.
O radicalismo de direita é visível diante de governos de esquerda que agiram em alguns países do mundo: Donald Trump nos EUA, a saída do Reino Unido da União Europeia, o Estado Islâmico. No Brasil, o imbecil movimento separatista do Estado de São Paulo; apoio a ações extremas da polícia; culpa de problemas a movimentos sociais, etc.
Mas existe também um crescente e proporcional radicalismo de esquerda, como vemos na Venezuela, ou em apoio irrestrito a políticos condenados do PT, com pagamento de fiança ou contas pessoais por partidários do povo, etc. A diferença é que, como o momento global tornou-se propício ao crescimento da direita, o radicalismo de esquerda é bem mais fraco, em termos de ações.
Como um pensador de esquerda, acredito que as soluções ali propostas são mais plausíveis para igualdade social. Mas ser de esquerda não quer dizer que eu seja comunista, bolivariano ou qualquer coisa do tipo. Acredito que, a tentativa de chegar à justiça social não exclui necessariamente o capitalismo. E mesma que seja o objetivo final, ainda devemos lembrar que este sistema econômica é o preferido pela maioria das pessoas, sejam devidamente instruídas ou não. Não vejo qualquer lógica em impor uma revolução para mudar isso à força. Seria mais uma forma de radicalismo.
Para qualquer pessoa que goste de estudos técnicos, de história, de filosofia, economia, geopolítica ou qualquer área do conhecimento, as idéias apresentadas por grandes nomes de cada área são fascinantes e essenciais. Para quem gosta de filosofia política, como não admirar Thomas Hobbes ou Nicolau Maquiavel, mesmo que suas idéias tenham sido contra qualquer tipo de liberdade? Como entender os pensamentos contrários, de Locke ou Montesquieu, se você não leu seus antagonistas, que inclusive foram a razão de suas criações?
Por que eu devo escolher entre Marx e Adam Smith, se ambos, dentro da área econômica, foram incrivelmente brilhantes e visionários, mesmo sendo radicalmente contrários? Como eu posso sequer criticar o comunismo se eu nem conheço as idéias que o criaram?
Até mesmo as pessoas que agem de forma intelectual pegam algumas idéias as usam como se fossem meros manuais de instrução. Se quer verificar isso, basta ver textos de economistas: adota-se um modelo contemporâneo e o aplica de forma integral, criticando os demais. Que porra é essa? Quando foi que um pensador, em qualquer momento da história, conseguiu acertar de forma integral alguma coisa? Todos os filósofos que eu citei, por exemplo, foram brilhantes, geniais e inovadores, mas todos apresentarem modelos que consideravam, e foram em seu tempo, soluções a grandes problemas, mas que ao serem implantados, confrontados com a realidade social e com sua intensa e inegável modificação, trouxeram erros grotescos, que precisaram ser corrigidos por outros pensadores ou técnicos, que contrariaram suas idéias.
Mas em nenhum momento houve certeza absoluta. Quer dizer, quem apresenta a idéia sempre tem certeza absoluta. Mas a prática mostra que nunca é assim. E isso ocorre porque a raça humana está em constante e eterna inovação e movimentação. As coisas mudam, as necessidades mudam. E atualmente numa velocidade frenética.
A falta de flexibilidade no diálogo com idéias diferentes, levados hoje a um status assustador e absurdo, cria única e exclusivamente novos problemas para o mundo. Não consigo mais enxergar lógica em textos de economistas, porque eles simplesmente são incapazes de se conectar com outras áreas e analisar problemas sociais de forma ampla. Não leio mais nada que venha de religiosos, porque eles acham que a palavra de Deus/Alá/Jeová/ou-a-puta-que-o-pariu-do-caralho são únicas, imutáveis e inquestionáveis.

E nisso, não temos sequer vislumbre de solução. Não temos sequer vislumbre de evolução. Pelo que pude observar nos últimos anos, estamos andando para trás.

ESTAMOS VIVENDO UM GOLPE DE ESTADO SIM!

Por algum tempo ensaiei e pesquisei muito sobre as leis utilizadas no impeachment corrente da presidente eleita, Dilma Roussef. A Lei do Impeachment, Lei de Responsabilidade Fiscal, Constituição. Em muitos aspectos as leis em questão são um tanto quanto ambíguas e de difícil interpretação, o que nos leva a soluções jurídicas diversas e possíveis. Tanto o é que a advogada dos golpistas utilizou-se de diversas teses, após ser devidamente paga para isso, para justificar o ato, bem como em análise do caso, o Ministério Público determinou que não há crime ocorrendo.
Já os juristas em análises técnicas apresentaram muitas teses diferentes, tanto contrárias quanto favoráveis. E no fundo, o problema no campo jurídico é exatamente esse: de acordo com as nossas leis é perfeitamente possível atingir interpretações absurdamente distintas, todas lógicas e perfeitamente dentro da lei. E é ainda mais comum hoje, para quem está dentro da área jurídica, defender teses mais absurdas, sem ser absurdo.
Desta forma, em termos legais, acabei por desistir de escrever qualquer tipo de teoria a respeito, pois seria mais uma dentre a enxurrada que existe, sendo eu um mero graduando do direito, que não possui todo o conhecimento que as análises já existentes possuem, o que significa que não tenho condições atualmente de escrever qualquer coisa tão boa sobre o assunto.
Mas o problema, é o que está em jogo, não é a idéia de cometimento de crime ou não. O problema maior é a nossa já frágil democracia, dentro de um processo que até agora tem se demonstrado totalmente lícito quanto à eleição da presidente, bem como sendo a escolha da maioria da população.
Em primeiro lugar, devo pontuar que minha opinião sobre o governo Dilma encontra-se entre os brasileiros que a consideram ruim ou péssima, diante de medidas desastrosas tomadas em diversas áreas, bem como sua incapacidade total em lidar com problemas políticos, numa país onde a sujeira desta área é de conhecimento público. Outro ponto importante é ressaltar que o PT, partido a qual ela foi eleita, é uma completa vergonha para quem tem o pensamento de esquerda. O partido vendeu a alma para sair-se vencedor do pleito, associou-se com corruptos, criou corruptos, defendeu corruptos, bem como tomou medidas totalmente voltadas à direita que, sem querer fazer um tipo qualquer de crítica ideológica, não foi escolhido, naquele determinado momento, para governar o país.
Dito isso, não faço qualquer questão de defender a escolha da presidente ou do partido para governar o país, até porque tenho defendido abertamente o voto em candidatos de partidos menores, até mesmo por nunca terem sido agraciados com a oportunidade, não sabendo se são ou não dignos de um bom governo.
O problema é que, numa eleição limpa, com pelo menos com sete opções de nomes para presidência de partidos e modelos governamentais diferentes, ela foi a escolha. No primeiro turno, com 40% dos votos, enquanto no segundo, com 51%, vencendo em ambos, de forma incontestável. Não foi minha escolha no primeiro turno, nem de longe, e acabou sendo minha no segundo para evitar a vitória de seu adversário, candidato que eu ainda acho o mais deplorável.
E não foi simplesmente a escolha de um nome, foi a de um grupo, que apresentou um determinado modelo de governo específico. Este modelo esteve a provas de críticas e rejeições, mas foi escolhido. A coligação da presidente, trazida com um vice e alguns nomes fortes, foi eleita pela maioria da população brasileira para governar o país de 2014 a 2018.
Caso a pessoa da presidente tenha cometida algum crime, julgada e condenada pela maioria, temos a mudança especificamente e unicamente da pessoa da presidente, e mais nada. Seu vice assume, mantendo o programa eleito pelo povo, na mesma coligação, com os mesmos nomes que eventualmente não tenham sido condenados ou mesmo acusados de crime algum.
E na nossa política, o que vimos, que de forma completamente aberratória, imoral e desavergonhada, foi uma mudança radical,  de um momento para outro, de um dos partidos que eram parte da coligação, movimentando-se para tirar o partido principal, associando com os PERDEDORES DO PLEITO,  em nome de um patética e criminosa justiça.
Daí em diante modificou-se a situação: o PSDB, partido que se mostrou mais imoral do nosso país, tornou-se poder, mesmo perdendo a eleição, por rejeição da maioria, virou governo, associado com sua coligação, igualmente perdedora, enquanto o PT, que foi o vencedor, virou oposição. Sem qualquer participação popular, sem qualquer nova eleição. Apenas numa manipulação sem qualquer medo de mostrar, com apoio de uma mídia podre e interesseira.
Uma manobra, sustentada por políticos, utilizando-se um eventual artigo de lei, para modificar o jogo de poderes, assumindo este sem precisar de qualquer tipo de escolha ou aprovação popular, na tentativa de impor suas “idéias”. Isso não tem outro nome, que não seja golpe. O que vivemos é um golpe de Estado, de forma inegável e descarada.
E nesse sentido acredito que há o direito inegável e altamente desejável das pessoas não quererem o PT no poder. A contrariedade é mais do que desejável numa democracia. Eu mesmo tento fazer as pessoas entenderem há anos sobre a desgraça que é o PSDB em São Paulo, sem muito sucesso. Agora daí a achar que as pessoas não sabem o que estão fazendo, e numa vontade individual e própria querer mudar as regras do jogo no meio deste, porque eu ou meu grupo não concordamos com a escolha da maioria, isso pra mim é pura sujeira. E não acredito que ninguém vá conseguir limpar algum tipo de merda fazendo merda.

Desta forma, se você é contra o PT, faça campanha contra ele, vote contra ele, mas não queira impor sua vontade aos outros, ou defender que ela seja imposta. É podridão demais.

terça-feira, 5 de abril de 2016

1964 piorado



E apesar de termos a nossa disposição formas infindáveis de informação e da busca de conhecimento, estamos retorno a 1964. Sim, muita coisa está ocorrendo da mesmíssima forma, apesar de termos coisas diferentes, que tornam o atual momento ainda pior do que no século passado.
Em 1964 a ordem democrática foi rompida abruptamente, por um golpe, travestido de revolução, em virtude de acusações subjetivas contra o presidente, o que incluía corrupção, falta de apoio popular, incapacidade de guiar o país. O “processo” em curso atualmente apresenta as mesmas características. Quem acusa tenta transformá-lo em um procedimento dentro da legalidade sob acusações sem sentido.
Senão, vejamos: a nossa presidente está sofrendo este processo por pedaladas fiscais. O ato foi “cometido” também nos governos anteriores, de FHC e Lula, que tiveram suas contas aprovadas pelo mesmo Congresso que agora tenta imputar a culpa na atual presidente. Ou seja, criaram a jurisprudência que a favorece.
Fora isso, as suas contas nem sequer foram apreciadas pelo Congresso, o que quer dizer que o objeto da acusação nem existe. Fora que até agora ninguém conseguiu sequer demonstrar onde as tais pedaladas entram em algum crime, uma vez que foram recursos “desviados” em proveito de programas sociais, ou seja, na teoria, em benefício do país.
Outra justificativa, esdrúxula, é que a presidente perdeu apoio, sendo que o povo não a quer mais no poder. Fato é que seu governo é um desastre, dando demonstrações de incompetência e de incapacidade políticas fora do comum. Mas estes argumentos não são válidos para um processo de derrubada. A presidente está nesse cargo em virtude de vitória num processo eleitoral, que até agora mostrou-se dentro das leis brasileiras. Ela está ali porque a maioria do povo assim o quis. Infelizmente  a democracia indica que algumas pessoas são contrariadas. Não há nada de ilegal nisso.
Porém, deve-se falar sobre as diferenças com os acontecimentos de 1964, e neste ponto que os eventos que estão acontecendo estão nos levando para um abismo cujo fundo é difícil de enxergar.
Primeiramente, não temos agora apoio dos militares. Agora quem está tentando mudar as regras do jogo no meio da partida são os próprios políticos, ávidos pelo poder, muitos que perderam as eleições.
Mas o pior de tudo é o cenário que se constrói em âmbito internacional. Em 64 o mundo estava voltado à ditadura, com apoio irrestrito dos EUA, no caso dos países capitalistas, e da URSS, nos comunistas. Naquela época não havia nenhum constrangimento nisso. Atualmente, o processo democrático é exigido em qualquer relação internacional estabelecida.
Nesse sentido posicionaram-se contra o impeachment, na forma que está sendo imposto, a ONU, a OEA, e os países com as quais o país tem maior relação comercial, especialmente na América do Sul. Por este mesmo fato o Paraguai foi expulso do Mercosul, tendo sua condição econômica piorada em muitos níveis. E já existe a ameaça da suspensão do Brasil,  o que provavelmente irá ocorrer.
Fora que diante da fraqueza do país no cenário internacional, as instituições citadas irão impor sanções. Bem como a própria credibilidade do país, que não respeita suas próprias leis, sofrerá um significativo abalo.

Desta forma, não há uma situação lógica que possibilite justificar essa insanidade que está ocorrendo. Este impeachment, da forma que está sendo desenhado, é golpe, pura e simplesmente, da mesma forma que foi em 1964. E a defesa feita pelas pessoas, as poucas que o fazem com alguma tentativa frustrada de demonstrar inteligência, só demonstram um ódio irracional ao PT e uma incapacidade gritante em analisar o cenário completo do que ocorre no presente, e do que está para acontecer no futuro.
A afirmação, corretíssima, de que a presidente faz um péssimo mandato, e de que a população na aprova seu mandato, não pode em hipótese alguma ser utilizada para quebrar um processo democrático correto, nem uma tentativa de justificar uma absurda infração da lei, sob o risco de retornar a um período desastroso, com consequências ainda piores.

sábado, 26 de março de 2016

Não era só um gato



Meados de 2004. Eu, um jovem magrelo e cabeludo, chegando perto do fim da faculdade de Artes Plásticas, saía desesperado no fim da aula, sem me despedir direito de ninguém, correndo pra casa, no Jardim Aeroporto. Naquele dia meu tio iria levar meu novo bichinho de estimação, um gato persa, à época com seis meses de idade.
Subi correndo a escada, e meu pai estava sentado no sofá, sozinho. Não vi o gato. Perguntei sobro paradeiro, e recebi como resposta que o bichano estava fazendo reconhecimento de seu novo território.
Fui pra cozinha, super ansioso, e ali veio aquele lindo bichinho peludo, olhando pra mim de forma carinha, imediatamente se esfregando nas minhas mãos, com o rabinho empinado, já ronronando.
Eu não costumo me lembrar como conheci as pessoas. Não lembro como conheci minha esposa. Então provavelmente não lembrarei como te conheci. Mas eu lembro cada detalhe daquele dia, exceto que dia exato era. Lembro exatamente do primeiro olha que ele lançou pra mim, e lembro exatamente do sorriso que eu dei em retribuição,
Provavelmente eu já sabia que aquele não era um dia comum na minha vida. Aquele foi o dia em que o Gordo apareceu. Um dia em que eu era um merdinha como muitos outros, em busca de um lugar ao sol, com tendências depressivas, num relacionamento destrutivo com uma garota chamada Joyce, com muitos problemas de família.
De lá pra cá, muitas coisas ocorreram. Caí numa forte depressão, onde não queria prosseguir minha vida. Saí de casa, morei de favor na casa de um amigo. Voltei a morar com minha mãe. Fui morar com outro amigo. Fui morar sozinho. Casei. Fomos morar num apartamento. Depois viemos pra casa. E sempre o Gordo esteve ao meu lado.
Aliás, o dia que ele conheceu a Vanessa também foi incrível. Ele nunca gostou muito de outras pessoas, que não fossem eu. Quando a Vanessa me abraçou e me beijou, na frente dele, eu pude ver que ele sentiu raiva. Naquele momento, nós dois ficamos com medo que ele a atacasse. Mas ele era dócil. Não fez isso. Porém, de lá em diante, sempre que nos abraçávamos, ficava passando no meio, miando, chamando a atenção. Era um poço de ciúmes.
E não é que ela vive dizendo que quando eu não estava em casa ele era híper carinhoso com ela. Porque era só eu chegar, que ele mal deixava ela chegar perto dele. Virava uma espécie de sombra.
E ele é também a prova viva que gatos gostam da casa e não do dono. Desde que ele nasceu, moramos no Jardim Aeroporto, no Tucuruvi, no Jardim São Paulo, Vila Gustavo, Guarulhos e Vila Gustavo novamente. Ele teve seis casas diferentes. E sempre continuou sendo o mesmo bichinho amoroso e companheiro de sempre.
Meu pai o definiu como eu bichinho especial. Ele era um gato especial. Viveu comigo cada momento, intenso ou não, que tive. Viveu meu relacionamento amoroso, tomando atenção sempre que podia, mas sempre respeitando e nos deixando em paz, quando começávamos uma relação sexual. Ele sabia que tipo de contato eu gostava, sabia quando poderia vir pedir carinho, ou quando eu queria ficar sozinho.
Em doze anos, jamais ficou doente. Sempre forte. Nunca tentou afiar as unhas no sofá, mas não tinha chinelo que ficasse inteiro.
E no último dia 20 de março, esta história chegou ao fim. Uma parte de mim faleceu. Depois de uma rápida e devastadora doença, enfim, seu coração parou, enquanto o meu estava destruído.
Nos últimos dias entrei numa crise fortíssima diante do meu problema com ansiedade. Tive medo de entrar em mais uma crise de depressão, depois de doze anos. Depois de um bichano que me mostrou como a vida poderia ser feliz.
Exagero? Tudo isso por causa de um gato? Não. Se eu tivesse realmente ficado doente, não seria exagero. Ele não era, nunca foi, nem nunca será só um gato. Ele era aquilo que de melhor eu pude demonstrar ao mundo ao longo desses doze anos incríveis. Ele era minha representação maior de amor aos animais, às pessoas. Minha crença que no fundo todos são bons. Ele era a bola de pelos capaz de colocar um sorriso no meu rosto.
E eu nunca mais vou esquecer, daquele miado roco, baixinho, de olhos fechados, e linguinha de fora, pedindo carinho e atenção, afofando as próprias patas, todas as noites, antes de dormir.
Eu nunca mais vou esquecer...