sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Minha grande dúvida


Hoje, dois de dezembro, findam minhas férias. Segunda feira estarei de volta ao comando da Sexta Câmara. No meu último dia de trabalho cheguei decidido a entregar o cargo, e voltar à minha vida normal. Graças a algumas propostas da minha supervisora, aceitei “dar uma chance” e seguir no comando, para ver se ocorriam algumas mudanças.
Porém, com a cabeça um pouco mais fria (mas não menos triste), ainda estou realmente sem vontade de permanecer neste cargo. Não sei exatamente pelo momento em que estou vivendo, ou se por ter detestado mesmo. Mas estou dividido, entre manter minha palavra (coisa que sempre fiz), ou seguir minha vontade, que é de ser um simples Escrevente, que cumpre seu papel.
O fato é que eu nunca quis ser chefe. Na verdade, não queria mesmo, de achar a idéia ruim. Aceitei o fato como desafio, especialmente por confiar absurdamente na minha supervisora. O grande problema é que certos problemas de estrutura nem ela, nem coordenador, nem ninguém podem solucionar. Os poucos que podem fazê-lo, que elegemos para governo e assembléia, querem mais é que o tribunal se exploda.
Durante os três meses que fiquei no comando, constatei a dificuldade extrema que é lidar com pessoas. Quando você vê pessoas frustradas com a situação que já demonstram claramente esta frustração, e passam a se odiar, fica complicado. Até porque eu jamais tive um perfil ditatorial ou punitivo, acreditando que diálogo e conscientização sempre serão os melhores remédios. Até porque as pessoas que passaram a se odiar trabalham todas muito bem, apenas não se bicam. Mas sem dúvida isso é muito frustrante.
Por outro lado, meu lado máquina, se um dia existiu, já enferrujou. Devo admitir que não estou muito animado pra fazer as coisas na rapidez que eu sempre fiz, até porque o momento da minha vida não é muito empolgante. Mas quando você acumula três funções, não tem empolgação que resista. O condicionamento físico uma hora começa a cobrar, e você passa a dormir mal, ficar mal humorado, e querer apenas jogar pela janela a primeira pessoa que vê na frente.
Por fim, lidar com desembargadores é a pior coisa que eu já fiz. Não se compara aos traficantes e bandidos que eu dei aula, porque estes eram maleáveis, e uma boa conversa servia pra pelo menos chegarmos a um meio termo. Os primeiros querem tudo na hora, e querem que você vire do avesso pra conseguir. Não importa que você tenha acabar com sua saúde, você tem que cumprir o ordenado pelos seres superiores. E definitivamente, eu não concordo com isso, além de me revoltar mais do que com qualquer coisa.
Por isso realmente estou com vontade de desistir deste cargo. Não encontrei qualquer prazer em trabalhar nesta função, pelo contrário, perdi a alegria que tinha em trabalhar no Tribunal. Minhas noites ficaram mais sombrias, e meu humor simplesmente sumiu. Meu nervosismo é muito alto, hoje em dia. Mas, mesmo assim, me comprometi a tentar. Ainda mais porque foi a mesma pessoa que quis minha presença, e que tem sido um grande exemplo de honestidade e trabalho desde que entrei. Com isso, fico dividido e desesperado. E parece que meus pensamentos fazem cada vez menos sentido...

Nenhum comentário:

Postar um comentário