quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A GRANDE AMEAÇA ULTRA CONSERVADORA


Debater o racismo no Brasil é praticamente um momento de extrema insanidade. Um país que originalmente era habitado por índios, sendo formado por europeus colonizadores, negros que foram traficados da África e posteriormente japoneses que tentaram a vida por aqui, não tem qualquer possibilidade de pregar,  insinuar ou mesmo cogitar uma separação de pessoas por causa da cor da pele.
Mas é o que ocorre. Com a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência, temos essa situação. Com discursos que trazem uma dose imensa de racismo, algumas vezes até mesmo para negar a existência de escravidão por parte dos brancos, Bolsonaro deixa claro que pra ele os negros são inferiores.
O mesmo tratamento, de forma aberta, traz aos homossexuais, deixando claro que não gosta de gays, bem como prefere que o filho morra num acidente do que seja gay. Prega abertamente a inferioridade das mulheres, tratando a própria filha como uma “fraquejada”, ou em liberdade profissional para que recebam menos que homens. Já usou seu discurso para atacar índios, integrantes de movimentos sociais, e até mesmo pessoas que são ideologicamente de esquerda. Sem falar dos não cristãos.
Bolsonaro é a expressão máxima do ódio. Prega abertamente a violência contra aquilo que considera errado ou ruim. Busca que suas ideologias dominem a tudo e a todos, e quem não for adepto, que aceite e se submeta, como disse de quem não era cristão, para com os cristãos, maioria no país. Prega que o simples fato de se nascer mulher é suficiente para justificar prejuízo econômico, devendo ser tratada com inferioridade, recebendo menos, porque a mulher fera filhos. Tenho dó da mãe deste ser, bem como da esposa, e especialmente da filha, a grande fraquejada.
E em situações como estas fico pensando em todas as mulheres que conheço na vida. A mãe do meu filho, minha mãe, minha sogra, a esposa do meu pai, minhas chefes. Tenho grandes amigas que coloco entre as melhores pessoas que conheci na vida. Muitas deles com uma competência fora do comum, além de um caráter irretocável, melhor que grande parte dos homens. Devo considerar estas pessoas como inferiores por que são mulheres?
Tenho um filho, de quase oito meses. Um lindo menino que não sabe nada da vida. E não deu demonstrações sobre suas preferências, anseios, desejos, medos... e eu jamais iria cogitar uma vontade de vê-lo morto pelo fato dele ter desejos por homens. Isso soa tão sinistro e cruel aos meus ouvidos, que não da nem ao menos pra pensar. E ainda menos bater no meu filho por causa desse tipo de comportamento. Não faz sentido. E não da pra supor amar um filho somente quando ele faz o que eu quero. Isso é doença pura.
Tratando apenas dois pequenos tópicos, de forma bem simples e seca. Duas aberrações. Considerando ainda o fato de eu ser ateu e detestar o cristianismo, é quase uma somatória sem fim de coisas que este ser propaga como metas de vida, num país onde não cabe esse tipo de coisa. Um retrocesso absurdo, que nos leva a situações como a dos países muçulmanos, sem liberdade, sem expressão e com extrema perseguição a todos os que não se enquadram no que é considerado sagrado.
Além do fato de haver uma pregação absurda de solução de problemas por extrema violência, com defesa de assassinatos oficiais, tortura e impunidade. Mas em momento algum haver qualquer tentativa de combater os motivos que levam a esse quadro de violência extrema que temos no país: uma desigualdade social que encabeça a lista mundial, um grupo imenso de pessoas vivendo na pobreza e a total falta de perspectiva de vida. Este ser demente prega que se combata a doença matando o doente. É uma ideia estúpida a olhos vivos, que por algum motivo inexplicável tem colado nesse país.
Fora que ao contrário do que pensam seus eleitores, Bolsonaro não representa nada de novo. É o velho na política, o cara que está aí há quase trinta anos, rodando por partidos que estão assolados em corrupção, votando a favor de governos que ele critica e jura combater. Ganhando salários pompudos e enfiando a família na política pra enriquecer. Defendendo um regime que não só era absurdamente corrupto, como perseguia e matava quem se levantasse contra. Além de um retorno em tempos sombrios, mais um que perpetua um sistema podre.
Ou seja: Bolsonaro é o pior de todos os mundos. Está no meio de corrupção como todos os políticos. Traz os preconceitos e desigualdades de grupos de direita, com favorecimento de ricos e empresas de grande porte, mas ao mesmo tempo traz o radicalismo e a intransigência de parte da esquerda, que trata grupos adversários como inimigos mortais.
Por mais que os demais candidatos sejam péssimos, ou que apresentem ideias que não se sustentem, nada é tão ruim quanto este ser asqueroso e repulsivo. Não tenho candidato no primeiro turno, devendo anular meu voto. Mas no segundo há uma certeza inabalável que aquele que estiver enfrentando o “Mico” será meu eleito, não importa quem seja. E quem tiver bom sendo deveria seguir o mesmo caminho.

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