segunda-feira, 31 de agosto de 2020

VOCÊ MUDOU A MINHA VIDA

 

No primeiro texto que publiquei no presente blog, deixei claro que tudo o que escrevo aqui é sem filtro e sem correção. Me sinto praticamente um ser possuído que não tem controle do que escreve, simplesmente flui. E uma vez escrito, dificilmente irei ler novamente. Aqui é basicamente meu espaço de expressão. Até agora. Neste momento vou escrever algo que está na minha cabeça há algumas semanas e que eu pensei e repensei pra escrever.

É fato que tudo aquilo que você escreve que reflete seu posicionamento sobre algum assunto, especialmente quando o tema é complexo e sensível, vai causar incômodo em várias pessoas. Já ouvi um monte de merda sobre textos que escrevo, como sou agressivo, como faço pra provocar, que tento agredir alguém, que quero cutucar… o foda é que geralmente fixo na ideia que me incomodou e tento descrever meu pensamento sobre essa, e foda-se se alguém vai achar ruim ou não.

O fato é que tudo pode incomodar. Tudo pode soar provocação. Tudo pode parecer direcionado a determinada pessoa, ou grupo de pessoas. Nesse sentido, não tenho como responder pela interpretação de ninguém, uma vez que cada pessoa enxerga fatos e argumento de acordo com a sua experiência de vida. Como tudo na vida, alguns vão gostar, outros não. Faz parte. Mas sinto uma necessidade emocional muito grande de colocar em palavras o que penso agora.


Feita essa introdução, vamos falar do que criou dentro de uma mente perturbada uma grande mudança. E tudo começou com uma curtida numa página de gatos (Migles ou Janis? Agora não lembro qual era a modelo). Comentários, e de repente outras fotos comentadas, e a pergunta inicial sobre vegetarianismo. E comecei uma nova amizade na minha vida, o que não chega a ser uma novidade, uma vez que tenho muitos e excelentes amigos.

O que se desenrolou a seguir foi uma das coisas mais surpreendentes e incríveis que eu nem sonhava em fazer parte. Acabara de terminar um namoro que teve uma virada inacreditável, e diante de muitos problemas que tinha vivido nos últimos anos, me senti uma pessoa muito complexa. Estava decidido a tentar me entender por completo, fazer uma análise minuciosa sobre minha vida, meus desejos, os fatos que me perturbaram muito… não tinha muito como me dedicar a alguém no meio de um furacão mental.

Mas ela é diferente. Pra começar, psicóloga. Então, uma pessoa acostumada a lidar com furacões. E desde o começo ela viu em mim algo que eu achei que estava perdido no meio de um mar de dor. E mais do que ver, ela trouxe isso de volta à superfície, algo que eu buscava há tempos, inclusive em terapia.

Eu acho que me abri por completo. Sinceramente, não me lembro de detalhes que possa ter deixado passar. Erros que cometi, ou que achava que tinha cometido, rasteiras que tomei, frustrações, traumas… qualquer pessoa normal correria dessa fonte de problemas potenciais. Mas não ela. Ela me decifrou.

Ela conseguiu fazer um monte de nós se desenrolarem na minha mente. Eu finalmente tenho aceitado os erros que cometi (ainda acho que cometi mesmo, mas entendo que naquela situação eu não tinha como fazer melhor do que fiz), outros que não fui eu, outras coisas que foram escolhas erradas. Comecei a entender grandes momentos de sofrimento que na minha mente não faziam sentido nenhum. E tudo o que não faz sentido me consome.

Eu consegui entender algumas perspectivas diferentes. Intenções que não estavam claras, ações infantis, desesperadas, ações por estresse. Não que eu esteja concordando ou justificando cada merda que fizeram, ou as que eu fiz. Ao longo de quase 40 anos (e não de um determinado período específico). Alguns erros são imperdoáveis, porque refletem o caráter de algumas pessoas. Outros mostram apenas uma infelicidade extrema. Mas finalmente pelo menos fez sentido, sobre o motivo que leva determinadas pessoas a fazerem coisas ruins de verdade.

E de repente, o ódio na minha mente começou a diminuir. Se você me conhece há mais de 20 anos, lembra de um cara de boa, tranquilo e compreensivo. Se me conhece há cerca de 10, provavelmente tem em mente que eu seja o cara mais estressado e bélico do planeta. E agora estou voltando a ser o que eu era há 20 anos. E isso tem sido espetacular.

Ainda tenho meus momentos de raiva, mas eles são incrivelmente menores, e mais curtos. Ouvi há cerca de duas semanas que eu sou o cara mais paciente e compreensivo que ela conheceu (chupa essa antis!!!!!). E sim, eu fui mesmo. Não foi exagero. Porque ela despertou isso em mim.

Obviamente, como toda mulher apaixonada, vieram alguns elogios físicos. Mas os que me mexeram comigo foram os de caráter. Ouvir que eu sou um cara diferente, que eu sou um grande exemplo, uma pessoa admirável… e mostrando exemplos na minha vida de onde coisas assim aconteceram, além dela. Isso fez uma diferença abismal na minha vida. Poderia ser tudo isso coisa de mulher apaixonada, mas ela também critica pra cacete (o que você não odeia???). Então posso ver sinceridade, quando temos as opiniões de acordo com as atitudes. E ela odiou meu bolo de limão e meu chocolate mega amargo. Então acho que é de verdade. Rs

Pela primeira vez em décadas, talvez pela primeira vez na vida, eu me senti em paz. Poderia dizer que muito feliz, mas a verdade é que é em paz. Incrivelmente em paz com a vida que eu tenho, com as coisas que aconteceram ao longo dos anos, com o que conquistei e com o que fracassei. Me senti feliz comigo mesmo, com o que sou, com meu jeito, com o que causo nas pessoas, com as pessoas que não gostam de mim. Hoje, eu sou um homem completamente em paz. E agora praticando yoga!!!!!!

Uma determinada análise que ela fez em relação à minha relação com o meu filho, que estava me consumindo dia a dia, me impedia de dormir e me causava calafrios na alma, ela descreveu e disse que seria de determinado modo. Quando eu o revi, após a pandemia, eu vi exatamente as reações que ela descreveu, as atitudes, e os sentimentos. Eu diria que esse foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Porque naquele momento, apesar de tudo o que aconteceu, eu percebi que eu venci. Já escrevi um texto sobre como me sinto um vencedor. Mas somando todas aquelas vitórias, não chegam aos pés do que senti nessa. Eu não tenho como descrever.

Obviamente isso não significa que atingi nem ao menos o nível que eu quero. Nem perto disso. Um monte de coisas que gostaria de mudar ainda estão em processo, ou tentando entender o caminho. Um monte talvez eu ainda não tenha entendido, talvez parcialmente. Também não sei o que vai ser daqui pra frente. Acredito que a vontade de ambos é que isso nunca acabe. Mas infelizmente, tem certas coisas que não dependem da vontade de ninguém. O que eu sei, com certeza, é que eu sou um homem muito melhor do que eu era há cinco meses, quando comecei as conversas mais intensas com ela. Sou um homem em paz. E o que quer que aconteça, valeu cada segundo. Mas ainda tem muito mais pra poder valer!!!!

O nome dela: Adriana (provavelmente surtando até aqui… ou não!). Você realmente deu um novo rumo pra minha vida!

terça-feira, 4 de agosto de 2020

GRATIDÃO É O CARALHO!!!


Virou uma maldita modinha as pessoas colocarem coisas legais na internet, com fotos emocionantes, ou frases de efeito e escreverem “gratidão” no fim, com duas mãos unidas em sinal de reverência aos céus. Isso tem sido um ponto de revolta da minha parte. Sim, sem dúvida é uma revolta minha, mas como esse é o meu blog, com meus textos, eu vou expor o que penso. Sinta-se grato por isso!
Eu não sei como é a rotina de cada pessoa. Mas eu acordo cedo todos os dias. Trabalho de casa desde março, em horário comercial, normal. Lido com processos, o que por si só deixa o trabalho tenso. Como uma pessoa normal de classe média no cenário atual, não tenho ninguém que me ajude. Limpo minha casa, faço minha comida, pago as contas, de quinze em quinze dias fico com meu filho, o que exige cuidados, faço atividades físicas pra evitar que eu morra… uma rotina normal e cansativa.
Pra chegar até esse ponto, eu precisei fazer duas faculdades. O que significa dez anos de horas e horas dentro de uma sala de aula, horas lendo pra caralho, fazendo trabalhos, provas, gastando dinheiro com livros, condução, um monte de café pra não dormir… e depois, nos concursos, horas e horas estudando igual um doido. Eu deixei de ficar com meu filho e arrumei uma briga homérica com minha ex mulher pra poder estudar pra um deles.
E eu vejo gente com a rotina muito mais fodida. Gente que atravessa a cidade pra trabalhar, que tem vários filhos, ou mães solteiras e que cuidam do filho. Pessoas que são a única fonte de renda numa casa. Pessoas que fazem tratamentos cruéis, cansativos e sofríveis a doenças fatais, e em muitos casos têm que enfrentar a falta de estrutura do serviço público ou as negativas dos planos particulares, o que leva a imensas batalhas judiciais.
Eu vejo pessoas que passaram por traumas imensos na vida, que fazem um esforço imenso pra superar os problemas. Vejo gente que perdeu tudo o que tinha por desastres. Vejo pessoas sendo perseguidas por serem parte de alguma minoria. Vejo pessoas que tentam se agarrar a algum fio de esperança pra não darem um tiro na cabeça, no meio desses caos maluco que virou a raça humana.
E eu tenho que ter gratidão??? Gratidão a que, porra? Ao fato de todos os dias eu ter que me esforçar mais do que meu corpo aguenta? Ao fato de ter feito tanto esforço, algumas vezes inútil, chegando a desenvolver doenças emocionais e até hoje estar difícil de curar? Ao fato de mesmo que você faça o seu melhor, algum filho da puta venha te julgar por algo que ele nem ao menos sabe se é verdade ou se alguém inventou?
Todo mundo que busca ser feliz se esforça, e muito. Todo mundo tem que superar um monte de barreiras, cair e levantar de novo. Aprender com os erros, cuidar dos estragos à saúde que isso fizeram, mudar alimentação, estudar mais, dormir pouco… essa é a rotina normal de qualquer pessoa que queira ser feliz. E isso custa, muito. Você tem que abrir mão de alguma coisa, pra ter outra. E vai da escolha mais importante. E isso significa sacrifícios. Tudo pelo seu esforço, e talvez alguns amigos que tenham ajudado, e numa situação normal, a família.
E se você acha que eu tenho que ser grato por ter algo que eu tenha que alguém não tem, como comida, por exemplo, você é o tipo de pessoa que eu quero que vá se foder, com todo ódio possível e imaginável. Você é o tipo de ser alienado maldito, que faz a sociedade ser a merda que é. Eu não tenho que ter porra de gratidão nenhuma por pessoas passarem fome e eu não. Eu tenho que me revoltar com essa situação. Tenho que sentir ódio e angústia por terem pessoas assim. Não existe nada pra se agradecer na miséria alheia! As pessoas precisam buscar, como sociedade, que injustiças assim nunca ocorram. Eu não tenho privilégios dignos de alegria enquanto pessoas estão morrendo.
Assim, não há nada pra se agradecer. Você teve seu esforço e tem que valorizar você mesmo por isso. Se tem algo a agradecer, faça pelas pessoas que estiveram do seu lado nos momentos difíceis, e tenha compreensão das que não estiveram porque elas também estavam em momentos difíceis. E busque uma sociedade, no sentido coletivo, melhor, onde tenham o mínimo pra sobreviver.
Pare de agradecer a algo intangível, por uma pseudo-conquista, que provavelmente é extremamente efêmera, ou que pouca gente realmente liga.

ASSUMA SUAS CAGADAS


Nosso código penal traz alguns crimes que estão aliviados por situações, que nada mais são do que justificativas, chamadas atenuantes, que tornam as penas um pouco mais brandas. Estar bêbado na hora do crime, tomado por grande emoção, etc. Essas circunstâncias não acabam com a punição, mas servem de justificativa para evitar que sejam tratados como criminosos que tenham agido a sangue frio.
O fato de ser mantida a punição tem não só o caráter corretivo (na verdade eu vejo mais uma sociedade vingativa, porque aqui dificilmente se corrige alguma coisa), como também evitar que por um determinado tempo a pessoa que cometeu o crime esteja em contato com a sociedade, sendo para ela uma ameaça. Assim, se a pessoa mata alguém tendo transtornos mentais, ela será internada em um hospital psiquiátrico, não só pra ela mesma, como pra evitar que mais pessoas fiquem em risco ao terem contato com alguém doido e assassino.
Comecei com essa explicação porque tenho visto pessoas justificarem atos bárbaros por diversos motivos. Desde o comunismo, passando por bebida, crise hormonal, estresse, cansaço, e todo tipo de desculpa. Logicamente, a mais comum, vontade de Deus ou provocação do Diabo, e sem dúvida as duas mais odiosas.
Acredito que todos passam por problemas sérios na vida. Até hoje não conheci uma só pessoa que tivesse uma vida plena e feliz, sem riscos e sem algum momento de extrema tensão, ou alguma doença grave. Isso faz parte. E num sistema capitalista, onde é preciso enfrentar um monte de situações ruins pra sobreviver, o que significa ganhar dinheiro, o convívio com o estresse é regra.
E a maioria das pessoas não consegue canalizar o problema. Geralmente descontam a raiva, o problema, as angústias, em quem estiver perto. Tratam mal filhos, pais, amigos, cônjuges… vira um problema imenso que vai virar uma bola de neve. Afinal, ninguém gosta de ser tratado de forma agressiva por um longo período. Em algum tempo, isso se tornará um conflito.
Se você não cometeu um crime no seu período de caos, mas cometeu algum erro colossal, talvez não seja possível reverter a situação. Alguns erros não tem como voltar atrás. Mas você pode analisar os fatos, entender onde errou, assumir os erros, e tentar evitar que eles voltem a se repetir em uma situação semelhante. Essa parte eu creio que é a máxima dignificação da personalidade.
É justificável você trair seu marido por carência. Existe um motivo que leve a isso. Mas ainda assim, a mentira continua sendo um erro. Provavelmente seria mais fácil conversar com ele, e se não surtir efeito, partir pra algo que te deixe feliz. Até porque você ganha dois problemas. Obviamente numa situação dessas existe culpa recíproca. Mas não acredito que alguém vá atingir a felicidade numa situação dessas.
Peguei um caso inventado como exemplo, mas qualquer coisa poderia ser enquadrada aqui. Mulheres são agressivas e culpam a TPM. Homens são agressivos e culpam o estresse. Todo mundo faz merda no trânsito porque está morrendo de pressa e não tem tempo. Pais não dão atenção para os filhos porque trabalham demais. Os mesmos pais deixam de corrigir atitudes ruins dos filhos por terem uma infância autoritária e não quererem passar essa mesma imagem, e acabam indo pro extremo oposto. Todo mundo faz merda, algumas vezes de forma imensa. E todo mundo tem um motivo pra isso.
O que eu não entendo, de verdade, é o fato das pessoas insistirem por uma vida inteira em manter a justificativa, como se todas as demais pessoas tivessem alguma obrigação de aturar essa merda porque ela tem um motivo. Então vamos ser claros: ninguém tem obrigação de nada. Se você trata alguém mal, essa pessoa vai se afastar. Isso é um fato. Se você quer alguém perto de você, seja gentil, educado, ou minimamente divertido. Você não precisa adular uma pessoa o tempo todo, mas ficar batendo (metaforicamente falando) é algo que só cria problemas. E tem certas coisas que se quebram e nunca mais podem ser arrumadas.
Não existe vergonha nenhuma em assumir os próprios erros. Mesmo que tenham sido deliberados, que você queira ter prejudicado alguém, ou que não tenha dado a mínima, o arrependimento é algo positivo, pelo menos na minha visão. Se você entende que causou o mal, talvez não o repita. E se você assume seus erros, independente dos motivos que o levaram a errar, e sabe que a culpa é sua, você se da a oportunidade de melhorar e não errar mais. E muito provavelmente pessoas boas começarão a ter admiração por você.
Pare de culpar uma porrada de fatores externos, e assuma suas merdas!

domingo, 26 de julho de 2020

UNIÃO PELA DEMOCRACIA


Recentemente vi um vídeo do Meteoro Brasil, sobre a possibilidade de união entre os setores da esquerda, para derrotar o presidente inominável. O vídeo começava falando sobre a possibilidade de união entre alguns partidos e políticos de grande nome, e passava a mostrar diversas acusações entre eles. Fernando Henrique e Lula se atacando, Ciro e o PT, e outros que não lembro agora.
Vou ser mais amplo. Nesse momento temos que buscar uma união de todos aqueles que pregam a democracia contra esse grupo maldito que está no poder. E nesse caso pode ser partido de esquerda, de centro, de direita. O que temos que fazer agora é deixar de lado o ego em busca de um bem comum, que é isolar esse grupo de malucos radiciais estão usurpando o poder.
Pra quem já leu a belíssima obra “Como as Democracias Morrem”, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, a qual considero a obra política mais espetacular de todos os tempos, há relatos de todos os países que, através de um processo democrático, caíram em autoritarismo. Hungria, Polônia, Peru de Fugimori, Venezuela, alguns países da América Central, e até mesmo os EUA com Trump.
O que temos em comum em todos os casos é uma divisão extrema de setores democráticos, por divergências de minúcias, ao passo que os grupos autoritários, infinitamente menores, se unem, criam ataques sistemáticos, ligados a problemas sociais que existem há muito mais tempo que os grupos políticos, um discurso altamente populista, e a vitória nas eleições. A partir disso, começa uma mudança nas estruturas políticas, colocando uma base autoritária, que ocorre aos poucos, no Congresso, na Suprema Corte de cada país, e no judiciário como um todo. E com o tempo, esses grupos, minoritários, controlam tudo.
Numa pesquisa recente ficou comprovado que a ala radical de apoio ao atual (des)governo soma apenas 15% do total. A aprovação do governo está em torno de 30%, o que levou a oposição, como um todo, a lançar um movimento chamado “Somos 70%”, indicando todos aqueles que não apoiam esses malucos, seja os que odeiam, seja os que não dão bola. Isso deixa claro que pessoas minimamente ponderadas são a imensa maioria.
Mas essa maioria é manca. Como citei no início, as brigas e controvérsias estão superando qualquer objetivo comum. Esse mesmo grupo de 70% lançou um movimento a favor da democracia, ligando diversos nomes, da direita e da esquerda, que deixaram de fora algumas diferenças buscando manter o processo democrático. Eu lembro que entre as pessoas que assinaram o documento estavam Reinaldo Azevedo, Fernando Henrique, Ciro Gomes, Fernando Haddad e mais uma galera de peso, além de ser muita gente. Mas o PT se recusou a fazer parte da ideia.
O PT se diz magoado pelo golpe de 2016. Sim, foi um golpe. Não há como negar isso. Os fatos já na época mostraram e os que vieram depois tiraram qualquer possibilidade de dúvida. O problema é que já foi. Não tem como voltar no tempo. E mesmo assim, não foi um golpe militar, e sim um golpe político. Mantivemos as eleições naquele mesmo ano pra prefeito, depois em 2018 para presidente, e os resultados foram mantidos, mesmo que a eleição não tivesse um resultado muito agradável.
Por outro lado, o PT cometeu diversos erros durante seu período de governo. Isso é normal, ninguém é perfeito. Mas o partido se recusa a observar e reconhecer as falhas. Fala dos acertos, que foram muitos também, mas culpa outros pelos seus erros. Isso aumenta muito o ranço daqueles que odeiam o partido, mantendo esse discurso de ódio e a rejeição absurda ao partido.
Outra coisa inacreditável é Fernando Henrique e Lula brigarem pela eleição de 1998! Sim, essa é a disputa, onde um diz que o outro não aceita o resultado, e o outro afirma que houve manipulação das urnas. Algo que ocorreu há 22 anos, está trazendo consequências nefastas para toda a nação.
Outra coisa inacreditável é o PT criar esse mito em torno do Lula. Todos os demais candidatos do partido são meras marionetes, ou postes, como gostam os oposicionistas de dizer, sempre agindo em nome de Lula. Com isso, o partido tem poucos nomes capazes de fazer uma campanha eleitoral digna. Fora que Lula criou uma legião de odiadores com a Lava Jato. Tudo bem, a Lava Jato foi um processo manipulatório, onde as provas não tiveram qualquer importância, buscando apenas a condenação e retirada do ex-presidente da disputa. Mas é um fato, e não da pra mudar.
Nesse interim, apesar de não ser um anti-petista, e ter considerado o governo Lula muito bom, considerando os padrões brasileiros, podemos dizer que o PT tem uma responsabilidade enorme na manutenção do Bozo. O desejo de poder e o ego são tão imensos que preferem brigar com todo mundo, dividir demais, e manter os nazistas no poder. Do mesmo jeito que temos que manter a repulsa a esse governo asqueroso, o PT deve ser responsabilizado.
Voltando a citar a obra sobre as democracias, o autor cita dois exemplos de países que conseguiram superar os extremistas, nesse caso ambos de extrema direita, através da união de todos os partidos moderados e democráticos, em favor de um bem comum, que é a democracia. Na Áustria partidos adversários, que ao longo de sua história se detestaram, como se fosse PT e PSDB aqui, se uniram, para barrar o partido neo nazista. Na França ocorreu o mesmo na última eleição, a favor de Macrón. Todos os partidos moderados se uniram, e transferiram seus votos para tal candidato no segundo turno, impedindo a vitória da candidata da extrema direita (que apesar de ser extremista, disse que “nosso” presidente é repugnante, quando perguntada).
Eu não sei quem terá chances contra esse merda no segundo turno em 2022. Provavelmente com essa margem de apoio ele deva ir ao segundo turno. Se você considerar que existem diversos nomes de peso contra ele, é preciso entender que mais do que um projeto específico, é preciso consagrar o processo democrático, criar um projeto de país e tentar manter após a eleição, o debate democrático, de várias vozes.
Nesse sentido recomendo a entrevista do deputado Marcelo Freixo a Marco Antonio Villa. Durante a conversa ele afirma que na época de deputado estadual tinha um contato muito positivo com Flávio Bolsonaro, com debates educados. Ao ser questionado pelo entrevistador, Freixo afirma que a democracia exige que se tenha contato e respeito aos adversários, e que todos têm o direito de se manifestar e serem representados. Seria um mantra para todos os que defendem a democracia, sejam de direita ou de esquerda.
Só essa união pode manter um país plural, diversificado e democrático. As diferenças nesse momento têm que ser esquecidas. Erros precisam ser perdoados, pelo menos por enquanto. Egos devem ser engolidos. Poderemos debater essas coisas, de forma menos acaloradas, inclusive, quando conseguirmos controlar e prender esse monstro do autoritarismo. Mas por enquanto, este é o nosso inimigo. O resto pode esperar.
Ou iremos chorar os resultados dessas picuinhas, que parecem crescer mais que o nosso maior inimigo.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

DEUS, O PROBLEMA


Anos atrás eu tinha uma postura atuante no ateísmo, especialmente em redes sociais. Era um propagador geral do ateísmo, inclusive com direitos a algumas brigas com alguns amigos e conhecidos. Algumas pessoas viraram a cara pra mim, pararam de falar comigo, mas eu continuei firme e forte nesse propósito.
A ideia que passava pela minha cabeça nunca foi de converter ninguém ao ateísmo (na verdade seria legal se acontecesse, mas nunca vi como possível). Mas enche muito o saco as pessoas falarem de deus o tempo todo, mesmo que de forma não intencional. Tudo é graças a Deus, tudo é a vontade de deus. E com as redes sociais virou uma pregação maldita, de todo mundo falando dessa merda o tempo todo.
Aí eu comecei a reagir, como milhares de ateus espalhados pelo mundo. E aí os cristãos começaram a ficar ofendidinhos. No entanto, o que muitos demoraram pra entender, é que a fúria era um combustível. Quanto mais vinham no ataque, mais vontade dava de ir pra cima com tudo. E vários grupos sobre o tema foram criados.
Até que chegamos num ponto de calmaria. As pessoas pararam de se importar, e você dizer que não concorda com o cristianismo entrou numa situação de normalidade. Eu, ateu convicto e praticante, como definiu um amigo, tenho amizade com muitos cristãos, sem qualquer tipo de estranhamento. Todas as mulheres que me envolvi são teístas. E tudo correu bem. Até que foi criada a bancada evangélica.
E daí vamos sobre o tema desse texto. O título trata Deus como problema. Apesar de eu entender a crença em deus ou criaturas sobrenaturais como uma problema real da raça humana, não é exatamente o que abordo aqui. O problema agora são os que creem nisso, especialmente os de forma fanática.
O repugnante que ocupa a cadeira presidencial foi eleito tendo como base os evangélicos, apoiadores pelos mais famosos pastores. Até aí, sem novidades, muitos deles apoiaram Lula nas duas eleições. O problema é que foi trazida uma pauta de costumes arcaia, baseada em partes da bíblia, como se fossem regras para todos.
E parcial, porque não são todos os costumes que estão sendo pregados. Os evangélicos criticam o homossexualismo, e o tratam como inimigo, mas pouco falam sobre o adultério. Criticam a liberação da maconha e o aborto, mas eu não me lembro de ver nenhum pastor falar sobre exploração de pessoas em condição de miséria, o fator que mais enriquece esses mesmos pastores.
O que temos nas principais igrejas é a total hipocrisias. Escolhe-se alguns pecados, quase como sendo os pecados mais pecados, e combate-se eles. O resto deixa-se pra lá. Da mesma forma que algumas condutas sociais não aprovadas são duramente criticadas, enquanto interessam a manutenção da manada na rédea curta, mas outras são deixadas de lado.
A intenção é óbvia. Manter essas pessoas sob o cabresto de líderes sem escrúpulos. É algo totalmente lucrativo. Mas agora temos essas mesma ideia sendo levada a todo o país. Esse asno que está na presidência faz o que pode pra transformar o Brasil num Estado evangélico, a ponto de colocar uma lunática no Ministério dos Direitos Humanos, um pastor fanático e arcaico na Educação e prometer alguém terrivelmente evangélico como ministro do STF.
Nosso Estado é laico, conforme dispõe nossa constituição. Todas as pessoas podem seguir a fé que quiserem, inclusive mais de uma, ou nenhuma. Podem frequentar ou não cultos. Podem criticar e serem criticadas por suas posturas. Aqui temos o direito de agir de acordo com o que diz nossa consciência.
Mas isso tem sido alterado desde que esse merda se colocou como candidato. O cristianismo evangélico tem crescido como uma ameaça a todos aqueles que pensam diferente. Aparece como uma ameaça de se tornar a religião oficial. Tenta tirar direitos de todos os que fazem algo criticado pela religião. Como falou Barroso, essas pessoas agem como pré iluministas, e não duvido que possamos ter fogueiras pra toda e qualquer pessoa que venha a criticar a fé desses doentes num futuro próximo.
Nesse sentido, fica claro que nosso grande problema atualmente, é Deus.

A CERTEZA DOS NÃO ESPECIALISTAS


O ser inominável, em uma de suas lives patéticas, recomendou o uso de cloroquina como remédio para o combate ao COVID, parecendo garoto propaganda do Sucrílhos, como disseram os apresentadores da BandNews.
No programa “O Grande Debate”, Caio Copolla vomita opiniões sobre assuntos diversos, com dados sabe-se lá tirados de onde, falando sobre doenças, sobre economia, política, história… tudo com um diploma de bacharel em direito, sem advogar e o um notebook. Ele tem sido destruído de forma impiedosa por seus debatedores, especialmente pela fantástica Gabriela Prioli, mas volta no mesmo assunto como se nunca tivesse sido tocado.
São dois exemplos do momento em que vivemos, onde pessoas absolutamente leigas falam sobre todo e qualquer assunto, sem filtro e sem pesquisa. Desenvolvem uma opinião, com base puramente filosófica, e saem propagando isso como se fosse a verdade absoluta. A situação vem do nefasto e desprezível Olavo de Carvalho, um estudante que parou no ensino médio para ser auto didata e saiu criando teorias malucas, sem qualquer base, da forma mais aristotélica possível, com mais de 2000 anos de atraso.
Você ter uma opinião sobre coisas é algo normal. Acho que tendo uma boa base de dados e informações você pode tecer um raciocínio lógico sobre qualquer coisa. E diante de fatos você pode também mudar de opinião. Desde teorias econômicas, religiosas, filosóficas, sociais, etc. Mas sair falando merda, como se fossem verdades absolutas, baseado em impressão, aí não da.
Vamos manter o exemplo da cloroquina, tão falada pelo boçal que ocupa o cargo maior da nação. Há uma centenas de estudos pelo mundo sobre o medicamento. Até o presente momento, todos demonstraram ou a ineficiência total, ou um prejuízo no seu uso. Tudo indica que ele varia entre a inutilidade ou o prejuízo. As informações fornecidas pela ciência, através de pesquisa, testes e prática revelou isso. Seria muito legal que fosse a cura mágica, mas os fatos mostraram o contrário. E eu, como um homem formado em direito e artes plásticas, não tenho qualquer informação, ou base para buscar informações suficiente, para contradizer isso. Posso postar notícias divulgando esses testes e dados, mas serão os fatos divulgados por outras pessoas.
Não há como defender essa merda. Eu não tenho conhecimento suficiente para tal. Um militar expulso menos ainda. E pessoas que nem concluíram o ensino médio sequer entendem a pesquisa científica para começarem a falar sobre o assunto.
Estamos diante de um caso em que não importa o que você acha. Sua opinião não vale merda nenhuma. Existem pessoas que passaram uma vida inteira estudando e permanecem fazendo isso, com a devida técnica, para que alguma substância tenha um efeito positivo no combate à doença. Se essas pessoas estão dizendo, com base em dados firmes, que isso não ocorre, a única forma de conseguir contestar isso é fazer um estudo ainda mais amplo, com dados claros e alta taxa de testagem pra provar que está errado. Você consegue fazer isso? Se a resposta é não, recolha-se à sua ignorância no assunto.
Um outro exemplo que eu costumo dar para as pessoas é sobre a nutrição. Quem me conhece sabe que eu tive ao longo dos últimos anos em constantes e intensas brigas em diversos assuntos com minha ex mulher, mãe do meu filho. Raramente um assunto não era pautado na briga. Exceto um: nutrição. Ela tem formação acadêmica no assunto, e trabalha na área. Eu, como citado, sou formado em artes e direito. Aí, quando ela faz alguma recomendação em relação à alimentação do nosso filho, que base tenho eu pra dizer que ela está errada? Eu tenho que brigar pra deixar ele comer chocolate, por exemplo, porque é gostoso? Eu nunca parei mais de uma hora de algum dia meu pra ler sobre esse assunto. Ela estudou por cinco anos, e continua estudando ainda hoje. A diferença do nível entre nós nesse tema é um abismo. E provavelmente seria ridículo, aos olhos dela, se eu entrasse nessa briga.
Mas agora nós descobrimos uma série de especialistas em um monte de coisas, feitos nos cursos de whatsapp e twitter. Médicos, engenheiros, advogados, juízes, procuradores, psicólogos, artistas (esses são os que eu odeio com todas as minhas forças), que jamais pegaram uma porra de um livro pra ler, sobre qualquer desses assuntos. Caras que trabalham batendo carimbo, mas entendem tudo. Jamais foram a uma exposição de artes, um teatro, nunca leram Machado de Assis, ou qualquer autor minimamente consagrados, mas querem dizer o que é ou não arte.
E essa gente se espalhou pelo Brasil, de uma forma mais intensa que a própria pandemia. Tomaram conta de tudo. Arrumam encrenca com qualquer um que discorde. Vimos casos inclusive de agressão física, como no protesto de médicos em Brasília, ou o motorista de ônibus agredido em Belo Horizonte por não permitir que passageiros entrassem no veículo sem máscara.
É muita boçalidade pra pouco espaço territorial.
Deixo aqui como dica de leitura uma obra prima que mudou muito sobre meus conceitos sobre pesquisa científica. “O Maior Espetáculo da Terra”, de Richard Dawkins. Sim, um dos maiores teóricos do ateísmo. Mas nessa obra ele nada relata sobre religião. Na tentativa de explicar a Teoria da Evolução, o que é feito com um brilhantismo característico, ele desenvolve diversos exemplos sobre como funciona o método científico, como ele pode ser refutado e como a ciência não foi feita para agradar a opinião de ninguém. Uma linguagem simples e direta, possível até mesmo para cara de humanas, como eu. Exceto se sua capacidade cerebral for do nível Olavo de Carvalho.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

LAVA JATO EM GUERRA CIVIL


A crise da Lava Jato tem me mostrado como a mídia, em alguns aspectos, pode ser estúpida e tendenciosa. Não quero acreditar que por interesses escusos. Me disseram que sou inocente quanto à maldade do ser humano. Mas claramente como pessoas que criaram herois e não conseguem ver mais função legal de cada órgão.
Há uma guerra deflagrada, encabeçada por Augusto Aras, no MPF, e Deltan Dellagnol no Ministério Público estadual. Essa guerra chegou ao STF, com vitória de Aras, até o momento. E até o momento, decidido de forma corretíssima.
Deixando claro que Aras não tem condições mínimas pra ocupar o cargo de procurador, ao meu ver. Suas atitudes mostram que ele é tendencioso e está buscando interesses pessoais, inclusive ao tentar coibir procuradores de agir em relação à pandemia. Mas nesse caso específico, está dentro da lei.
Deltan Dellagnol, por sua vez, é o integrante do judiciário por quem eu tenho maior desprezo até o momento. Cursei direito com intuito de prestar concurso para o Ministério Público. Mas ao conhecer esse ser desprezível e suas ações que jogaram o nome do MP na lama perdi completamente o tesão pela coisa.
Vamos aos fatos. O Ministério Público, segundo nossa constituição, é o fiscal da lei. É o órgão incumbido de verificar o cumprimento da lei, a não ser quando há apenas interesse entre particulares. E também é o detentor da peça acusatória em processo penal. Mas não significa que esteja obrigado a acusar. Caso os fatos ou provas mostrem o contrário, o MP pode pedir a absolvição ou arquivamento do caso.
Mas o mais importante é que o MP é um órgão uno e indivisível. Não existem vários Ministérios Públicos, como está parecendo agora. E sendo um só órgão, não existe qualquer sentido em acreditar que integrantes do Ministério Público devam guardar sigilo sobre investigações sendo feitas, para outros integrantes do Ministério Público. Só de ler isso já fica ridículo. Na prática então…
Os integrantes do MP que fazem parte da força tarefa da Lava Jato estão desempenhando temporariamente a função. Mas são apenas integrantes do MP. E devem agir por este em todos os casos designados. Essas pessoas servem ao MP, não à Lava Jato. E teoricamente esta ação deveria ter um fim quando atingisse o objetivo. O MP não.
Deltan, por sua vez, criou pra si um poder paralelo. Se colocou como detentor da força tarefa, guia total, líder em comunicação. Toda vez que recebe críticas faz alguma live tentando conclamar o povo para que se coloque contra seus “agressores”. E fez praticamente tudo dentro da operação de forma incrivelmente midiática. A pirotecnia foi sua marca, ao contrário do normal do MP. E sempre buscando ser o acusador, não importa se as provas indicavam ou não culpa.
Delta teve alvos. E os grandes. Fez malabarismo pra conseguir trazer culpa. Atropelou tudo, agiu com juízes, se tornou popular. Mas aquilo que tinha que respeitar acima de tudo se tornou um mero detalhe: a constituição. Um deputado, não lembro qual, o presenteou com uma, dizendo que assim ele poderia estudar e começar a respeitar.
Chegamos ao ridículo, pra não dizer momento criminoso, que a Lava Jato quis criar um fundo especial para administrar os valores recuperados em operação contra corrupção. Valores recuperados, para quem não sabe, pertencem ao Estado (aqui tido como país). O MP não é o Estado, nem tem poder pra decidir como serão usados valores. Um braço, pequeno desse MP, menos ainda.
Assim, a Lava Jato pra mim demonstrou ser uma máfia. Uma organização criminosa dentro do MP. Eu vejo algumas boas ações no começo, quando os primeiros foram investigados e condenados. Muitos deles ficou demonstrada a culpa. Acredito mesmo (e isso é apenas uma opinião pessoal), que o ex presidente Lula deva ter culpa nesse mega esquema. Mas o julgamento dele claramente foi direcionado, e voltado para a eleição de 2018. E se não pensarmos nele, quantos integrantes do PSDB foram poupados esse tempo todo? Dizer que a lei é para todos, vindo desse grupo, é piada.
Nesse caso, somos obrigados a dizer, que Aras tem razão.


DESCULPAS PELO GENOCÍDIO


Mourão, o ex-militar, achou ruim o ministro Gilmar Mendes comparar o que ocorre no Brasil, no momento de pandemia, a um genocídio, dizendo que o exército corre o risco de associar o nome a isso. Em algumas entrevistas patéticas disse que se o ministro tivesse grandeza pediria desculpas pela frase.
O (des)governo atual, nas cordas há algum tempo, se vê cercado por uma série interminável de erros que estão colocando o país numa situação catastrófica. A pandemia é a mas escancarada. Enquanto escrevo, temos mais de 75 mil mortos por essa gripezinha.
O ser desprezível que ocupa a presidência propagou uma política alucinada de ignorar a doença. Tentou de todas as formas fazer as pessoas agirem como se nada ocorresse. Com isso, a doença se espalhou e a curva de mortes atingiu seu platô num nível superior a mil mortes por dia. E obviamente, comunidades mais carentes ficaram mais suscetíveis aos problemas.
Como já demonstraram alguns estudos, negros, pobres e moradores de favelas são as grandes vítimas. Onde o vírus mais se espalha, graças às condições de higiene precárias e ao número de pessoas morando no mesmo ambiente. Além desses, os índios se tornaram vítimas totais dessa política.
Mas não da nem pra fixar a situação no tratamento da doença. O presidente desde muito antes de se tornar candidato faz intensas pregações contra alguns povos. Homossexuais, como bem sabemos. Povos indígenas. Quilombolas. Controle forçado de natalidade de pobres. Os que ele chama de bandidos.
É interessante ver como essa doença está caindo com uma luva em todos os seus planos. Justamente os grupos que ele tem mais atacado, exceção feita aos homossexuais, são os que estão levando o maior prejuízo com a situação. Se saiu melhor que a nefasta reforma da previdência. E funcionou ainda melhor que a intensa pregação de ódio que ele tem feito a tais grupos.
O inominável criou um ambiente de ódio para todos os seguidores de sua seita tratarem todos que ele criticava como seus inimigos. E criou um ambiente ainda mais propício para que um grupo imenso de pessoas fizesse tudo o que era preciso para que a COVID se espalhasse. O resultado é a morte de milhares de brasileiros. Apesar de ainda não ter chegado, posso afirmar sem medo de errar que 100 mil mortes está garantido. Isso sem considerar que há uma imensa subnotificação.
Quando você toma atitudes assumindo o risco de morte, você age com dolo. E se você faz isso com toda uma população, como os índios ou moradores de favela, está sim colocando em risco toda uma comunidade. Isso é genocídio. E podemos estender isso a todos os brasileiros, pois para sobreviver a esse caos, somente dependendo da nossa própria saúde. O que temos aqui é uma omissão clara, além de uma indução ao genocídio do povo brasileiro.
Se tem alguém que tem que pedir desculpas pelo que ocorre, esse alguém é o (des)governo. Mourão, no auge de sua imbecilidade característica, poderia dar esse primeiro passo. Já o presidente é basicamente um criminoso. O lugar dele é no Tribunal Penal Internacional, sendo julgado por crime contra a humanidade. Gilmar Mendes, por sua vez, teve um momento de brilhantismo.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

GRANADA NO BOLSO DO INIMIGO


Em fevereiro de 2008 assumi meu primeiro cargo concursado de servidor público. Professor de artes, da rede estadual. Um salário merreca, trabalhava feito um condenado e não tinha dinheiro pra nada além de comer e pagar as contas básicas. Uma rotina desgastante e frustrante, até ser nomeado para o cargo de escrevente do Tribunal de Justiça, em maio de 2010, onde estou até hoje.
O salário aqui é razoável. Talvez pra um solteiro sem filhos fosse ótimo, mas como sou divorciado com filho pequeno, também fica com água no nariz. Fora que nesses últimos 12 anos as coisas ficaram muito caras.
Eu realmente tenho uma alegria imensa de fazer parte do serviço público. É algo que almejava antes de ser empossado, me esforcei muito para tal e desempenho com orgulho. Trabalho demais, o salário não é nenhuma maravilha, as condições são contestáveis, mas é algo gratificante por diversos motivos. O grande problema é que existe uma campanha maldita, especialmente na mídia, que torna os servidores públicos como inimigos e principal causa dos problemas da nação.
Os motivos disso são claríssimos: existem grandes multinacionais desesperadas para privatizar tudo o que podem, e sem a ideia que o serviço é desastroso, com gente desqualificada, nunca vão conseguir. Então o governo deixa de investir o que é necessário e você joga toda a culpa nos funcionários pelas más condições no desempenho das atribuições. E digo grades corporações porque nenhuma empresa nem de médio porte tem condições de concorrer numa licitação para compra de estatais.
Atualmente tivemos uma onda de ideia de corte de salário de servidores em tempos de crise. Salários médios de R$4 a R$5 mil. Colocam como salários altíssimos. Acho que andaram esquecendo que o salário mínimo está na faixa de R$1000. Então esses super salários estão numa base de 5 salários mínimos. Fora que segundo as pesquisas mais importantes, se nosso salário mínimo fosse realmente o valor necessário para custear as despesas básicas inseridas no art. 6º da CF, teríamos uma média de R4.500. Ou seja, os servidores ganham um salário mínimo correto para sobreviverem.
Aí vem o argumento que os salários são muito superiores aos da iniciativa privada. Se os funcionários públicos ganham salários limites para cobrirem as necessidades básicas, o problema é que seus salários são altos ou será que a iniciativa privada que paga um salário de fome? O que precisamos corrigir, para um projeto de país, é elevar as condições mínimas de todos os trabalhadores, ou jogar todo mundo para uma condição de miséria?
Eu nunca vi ninguém falar sobre os impostos pagos pelos empregadores para o custeio de funcionários, que superam os 100% do valor dos salários. Falam em cortar indenizações, cortar jornadas, cortar direitos, mas nunca mexer no que faz esses salários decaírem tanto. E os trabalhadores, por sua vez, não enxergam que sua condição de miséria e submissão total está sendo ainda mais ampliada. Só veem o inimigo criado pelo mercado para manter privilégios.
Agora vamos pensar nas aberrações. Existe no serviço público salários absurdos. Juízes e políticos federais tem salários acima de R$25 mil. E todos esses têm diversos assessores, pra todos os assuntos possíveis, cargos de confiança, que dispensam concurso público, além de muitas vezes dispensarem a necessidade de um diploma que os endosse. Fora que os salários costumam ser também acima de R$10 mil.
Além disso, há uma série de “penduricalhos”, como adicionais, verbas indenizatórias, que engordam ainda mais a conta. Um juiz, com salário de R$25 mil, como informado, tem direito, na grande maioria das vezes, a um auxílio moradia no valor de R$4.3 mil, basicamente o salário do servidor que você acha que ganha muito, mesmo tendo moradia própria.
Uma matéria de jornal mostrou que, com todos os auxílios, um desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo tirava, líquido, R$150 mil. Quanto tempo você demora pra ganhar isso?
Agora vamos pensar em 512 deputados, 81 senadores, e imagine uns 5 assessores cada, pra ser bem bonzinho. Quanto da essa conta? Junte a isso os deputados estaduais, vereadores e todos os cargos comissionados e verbas indenizatórias. Quanto a máquina pública gasta pra manter essas pessoas. E pensa numa cidade pequena lá do interior de Pernambuco, com a quantidade de pessoas que cabem num bairro pequeno de São Paulo. Os vereadores têm salários de R$15 mil, na média. Imagina o que isso representa nas contas da cidade.
Você já viu uma grande campanha pra cortar o número de políticos? Pra cortar seus benefícios? Já viu alguma campanha pra diminuir salários de juízes e desembargadores? Você sabia que um deles ganhava R$150 mil? É óbvio que não. Ninguém quer privatiza o Congresso, nem os tribunais. Fora que esses caras é que vão dar asas a essa farra de privatizações e dar lucro a grandes empresas em cima de serviços básicos. Então por que mexer com elas?
Outro ponto importante que agora muita gente começou a bater foi na estabilidade dos servidores, como sendo um privilégio. Então vamos falar um pouco sobre o heroi dos trouxas, o Sérgio Moro. O cara assumiu o Ministério da Justiça com status de heroi intocável por quem colocou esse presidente lá. Aí, depois que Moro resolveu não fazer o que a criança mimada que era seu chefe queria, pra proteger os familiares, começou a ser perseguido, até não aguentar mais e se demitir.
Ta bom, Moro pode ser um exemplo mais extremista, porque estamos falando sobre um possível crime. Vamos pensar no Mandetta, um ministro muito elogiado no combate à pandemia. Ele seguiu os protocolos médicos estipulados pela OMS e por todas as organizações mais respeitas da área da saúde, e com isso teve que contrariar o menino mimado. Ele fez o que a profissão a qual ele se formou determina. E o resultado, é que foi demitido pelo chefe, depois das negativas. Mandetta não tinha estabilidade e não pôde contrariar o Napoleão dos trópicos. E perdeu a guerra.
Nós temos estabilidade porque não estamos associados a nenhum governo ou nenhum partido. Eu faço o que determina a lei e o que deve ser feito pelo bem da população, na medida das condições financeiras da repartição. Não estou preocupado com a ideologia do governo que está no poder, quem eles odeiam, quem patrocinou a campanha. Faço o que é certo. E sei que não terei grandes problemas de perseguição se não estiver de acordo com esses interesses. O que já não ocorreria no caso de estar com um contrato CLT. Todos os servidores hoje seriam malucos contra minorias, que acham que o comunismo é o maior problema. Imagina que beleza. E pra ficar mais legal, se o PT ganhar em 2022, todos eles seriam demitidos e substituídos por esquerdistas. Uma zona.
Por isso, caro alineado, seria muito bom se informar sobre o que é serviço público, as condições de trabalho, a realidade de grandes interesses, o que é dever do Estado, e quem realmente ganha grandes salários. E se mexer pra ter os seus direitos respeitados. Pare de ser massa de manobra de quem tem muito a lucrar em criar esses inimigos (que estão colocando granadas nos bolsos).

A BOLHA DOS ALIENADOS


Agora que temos um maravilhoso silêncio dos bolsominions e especialmente do asno que guia esses passos, fica até mais fácil pensar mais com clareza sobre o que está ocorrendo nesse país.
Já escrevi sobre como os adoradores do presidente irritam as pessoas com senso crítico. Não da pra entender qual realidade paralela essas pessoas vivem. Primeiro porque idolatrar político no Brasil é algo que beira a insanidade. Já muita gente ficava doida porque o Lula era idolatrado, e agora muitos desses estão criando seu próprio cordeiro sagrado.
Depois, porque o que esse ameba prega é absolutamente todos os valores que muita gente criou como nação. Nós sempre fomos tolerantes, acolhedores, diversificados. E o que temos visto é justamente o contrário de tudo isso nesse governo. Perseguição a minorias, opressão a direitos básicos, enaltecimento da morte como um todo… um monte de coisas pavorosas que foram relativizadas por essa gente.
Tive uma discussão feia sobre a influência da propaganda para que pessoas se tornassem homossexuais há um tempo atrás. É difícil inclusive compreender, quando você entra numa dessas, se você está tendo um sonho desagradável ou se aquele debate está realmente ocorrendo. Se eu estivesse em 1930, ainda antes da ciência da eugenia, talvez até entendesse o contexto. Hoje, não.
É realmente lamentável que estejamos discutindo, em 2020, que pessoas sejam homossexuais porque fatores sociais ou de marketing a levaram a isso. Não acredito, assim como no caso de criminosos, gênios e tudo mais, que exista um DNA que torne a pessoa gay. Nosso corpo é formado por um determinado grupo de genes que nos fazem apenas seres humanos. Mas sensações físicas não são explicáveis. Porque uma pessoa tem mais fome que outra, porque tem mais disposição pra correr, porque se interessa por determinado tipo de mulher… tudo isso é algo pessoal. Gostar de pessoas do mesmo sexo, no sentido sexual, não é algo lógico ou ensinável. Como é possível ensinar uma pessoa a sentir tesão por uma piroca? Isso não faz o menor sentido.
Feita a digressão, o grande motivo que tem levado a grande massa de pessoas isentas a se distanciarem dos bolsominions, é que esses caras são fanáticos, em todos os sentidos. Além de acreditarem em absolutamente tudo o que seu mico diz, defenderem com unhas e dentes, negar a ciência, a história, a realidade social, comprando briga com quem quer que seja e pagando pra ver a desgraça, eles não têm outra coisa na vida.
Se você teve ou tem algum bolsominion na sua vida, você sabe disso. Eles vão dar um jeito, em toda e qualquer conversa, para tentar jogar o maldito mico no meio, como um heroi, ou tentar demonizar alguém da esquerda. Sempre. Você pode estar conversando sobre trocar fralda de bebês, mas vai rolar.
Eu amo polêmicas, que me conhece sabe. Acho que alguns temas devem ser debatidos a exaustão, especialmente pelo mal causado ao serem deixados de lado. Mas sempre num objetivo positivo, de solução de conflitos sem que ninguém precise sofrer. E na grade maioria das vezes, não existe um culpado específico por um problema social (infelizmente para os bolsominions os problemas do país não começaram com o PT), do mesmo jeito que não há uma verdade absoluta em boa parte dos problemas. Conversar sobre limites, direitos, meio termo, respeito, sempre é legal.
Mas caralho! Você tem que meter a porra do Bozo em todos os assuntos? Esse militar terrorista expulso e depois propagador do terrorismo, sem nenhum conhecimento acadêmico, nem ao menos ouvindo os que têm, é a resposta para os problemas do país? De onde vem essa ideia?
E no mais, depois de dezoito meses, já deu pra perceber que você tem esse pensamento disfuncional. E se você tiver um pouquinho, por menor que seja, de discernimento, já vai ter percebido que nós, do outro lado, os 70%, também não vamos dar razão a esse seu surto psicótico.
Então, se você pelo menos pretende conviver em sociedade, fora dessa bolha maluco criada por adoradores do cordeiro da hemorróida, sério, pare de tocar nesse assunto. Tem muita coisa legal pra falar. Fale do resto. Ninguém aguenta mais esse delírio lunático da defesa de um bosta. Todos os dias, em todas as conversas.

A RECEITA DO CAOS


A pandemia atual escancarou ao mundo a quantidade absurda de problemas que temos no nosso país. Mas mais ainda, deixou muito claro, muito mais cedo do que pensávamos, que nosso atual (des)governo não tem a mínima condição de lidar com grandes problemas.
Vamos deixar claro que existem problemas estruturais vindos de praticamente todos os governos anteriores. A nossa educação é tenebrosa, sistema de água e esgoto inexistem, moradia é precária… e assim podemos passar por diversos temas, encontrando erros grotescos de governos de diversas tendências no passado. Mas atualmente tivemos uma gama de pessoas tão absurdamente incompetentes que saímos de um buraco pra cair num abismo sem fundo.
Analisando as ações de outras nações, mesmo com erros grosseiros, como os ocorridos na Itália, EUA e até na França, vimos governantes, mesmo os extremistas, agindo pra diminuir os impactos da crise que viria. Em todos os países em questão foi decretado um isolamento rigorosíssimo, com isenção de impostos a empresa, ajuda financeira ou facilidade de empréstimos, auxílio financeiro para os trabalhadores, com valores realmente compatíveis com os gastos, sem qualquer burocracia, proibição de demissões enquanto durar a pandemia, e coibição rigorosa a todos os que tentarem infringir o isolamento.
A grande maioria dos países conseguiu controlar os casos de doença e manteve uma relativa estabilidade social. Mas nós somos especiais, não é mesmo?
A desgraça que ocupa Brasília resolveu dar R$1,3 trilhões para banqueiros, sem qualquer contrapartida. Não estimulou qualquer incentivo fiscal ou empréstimo a pequenas e médias indústrias (afinal, ganha-se muito dinheiro com as grandes corporações e perde-se com as pequenas, não é mesmo?), não diminuiu uma vírgula nos impostos. Não prestou nenhum grande auxílio aos trabalhadores, mantendo um auxilio de R$600,00 com intensa burocracia para o recebimento, fraudes incríveis, onde ricos recebiam sem problemas, ainda com riscos de despejo em casas alugadas, uma vez que isso não só não foi suspenso como o projeto de lei que tratava do assunto foi vetado pelo amaldiçoado que está colocado no poder, Agora tivemos o anúncio de um aumento na tarifa de energia na base de 5%.
Os brasileiros foram deixados à própria sorte. Cada um por si. E deliberadamente o presidente fez de tudo para destruir o isolamento social, criticando de forma enfurecida os governadores, boicotando seus próprios ministros, atacando a imprensa, inventando curas próprias sem qualquer base cientifica, sendo um negacionista e se isolando em definitivo do resto do mundo, transformando o Brasil na maior piada do século.
Um detalhe importante foi a prova cabal do que foi a reforma trabalhista de 2017. Como falado, era um assalto aos trabalhadores. Não existe nenhuma flexibilização, como diziam seres mal intencionados que a justificaram. Direitos foram tirados sob a justificativa da geração de empregos. E o que vemos agora é cerca de 40% da massa trabalhadora por si. Pessoas que não têm qualquer amparo, que estão sem proteção legal, sem saber a que recorrer, com uma renda, desde a maldita reforma, já muito menor do que um trabalhador forma teria.
Temos também a desinformação. Brasileiro nunca ligou muito para educação e conhecimento. Então a ciência tornou-se desprezível. As pessoas preferem ouvir um maluco que foi um astrólogo fracassado, que guia um ex-cabo expulso do exército por indisciplina e atentado terrorista, sem qualquer formação específica, do que ouvir pessoas que estudaram anos a fio para explicar e tentar descobrir o que ocorre. O achismo se tornou mais importante que os fatos comprovados.
Além da maldita e cada vez mais danosa religião. As pessoas aqui acham que Deus as protege e vai impedir qualquer desgraça. Agem contra as forças da natureza, com o funcionamento dos organismos, porque acham que deus tem um plano específico pra elas fazendo com que todos os fatos naturais se tornem desprezíveis. Não existe nada além de burrice total nessa situação.
E claro, não podemos deixar de lembrar do conservadorismo. Pra mim já ficou claro que ser conservador num mundo como o atual tem o mesmo efeito de uma doença grave e debilitante. As pessoas se apegam a tradições como se isso fosse um mantra intransponível. Aqui muita gente tem a ideia que para realizar um trabalho você tem que respeitar um horário comercial, sem muito direito a atraso, com um determinado período fixo de almoço, com roupas sociais, linguagem polida e dentro de um ambiente controlado. Agora foram confrontadas com uma situação desesperadora, e estão tão enraizadas num mundo que não conseguem olhar pro lado.
Nada contra você fazer escolhas pra sua vida dentro de um grupo de tradições, como ser monogâmico, casar, morar em uma casa planejada, ter um carro, frequentar alguma religião, assistir jornal e essas merdas que fazem parte das suas escolhas pessoais. Mas a vida em comunidade é uma teia de relações que está em constante evolução. Não adianta teimar em alguma coisa só porque antes era assim.
Dessa forma, temos uma série de erros que vêm de décadas, de falhas de governos de esquerda e de direita. Mas temos uma aberração no poder, que por algum motivo inexplicável conseguiu chegar ao topo, num momento quase de quebra da realidade, e agora está transformando um problema seríssimo num caos incomparável. Associado a uma população que vive num mundo de ignorância e alienação, e um monte de aproveitadores que se preocupam com lucro, não importa o que isso venha a custar. Não tinha como não dar merda.

sábado, 27 de junho de 2020

A DECLARAÇÃO


por Adriana Giglio Roca


Há três meses que essa história iniciou (foi o que contaram). Ela, apaixonada por gatos, natureza, misticismos, Legião, e outras coisas que ela nem sabe o que são direito. Ele, amante de gatos, heavy metal e vegetariano.
Começaram a trocar mensagens, meio que sem querer. Começou com vegetarianismo, gatos, política… foram ficando mais íntimos, trocaram as conversas nas redes sociais pelo whatsapp.
Lá o tema mudou. Trocaram confidências, músicas, risadas e promessas de um encontro para se conhecerem pessoalmente.
Mas veio uma tal pandemia, que mudou todos os planos. Tudo continuaria no virtual. Ela adoeceu, ele esperou, uma espera que não tinha data, mas sim um quando.
Os dias passaram e ela já não continha mais o desejo de vê-lo… ele se mantinha firma, sem romantizar. Mas quis o destino (assim ela contou) que o encontro sairia em uma semana.
Ela infeliz e presa em um relacionamento, ele livre e preso a um passado. O encontro ocorreu (ambos não quiseram entrar nos detalhes… rs), mas desde então, um mundo se abriu.
Ficaram ainda mais apaixonados (ela confirma que ficou mais) e na despedida a certeza de um próximo encontro.
O que vai ser dessa história? Nem eles sabem responder. Mas, independente do que vai acontecer, valeu cada segundo vivido por eles, há três meses….


domingo, 14 de junho de 2020

OS ANTIFASCISTAS


Começou a insurreição contra o governo mais desastroso que tivemos nesse país. Semana passada, no meio de uma maldita pandemia, em meio ao estímulo de protestos contra o racismo nos EUA, que se espalharam pra outros lugares da Europa, bem como os malditos grupos a favor do presidente, que insistiam em pregar golpe militar, fechamento de outros poderes e perseguição contra quem pensa diferente, muita gente ficou de saco cheio e acordou.
Obviamente sair às ruas não é o único jeito de protestar, mas é preciso fazer algo. Estamos vivendo de verdade uma ascensão de ideais fascistas e nazistas, depois de quase um século que essa praga tinha sido derrotada. O partido que a anta apocalíptica que governa o país quer criar tem absolutamente todas as características existentes no nazismo, inclusive o culto a um líder supremo.
Não é preciso me deter muito no tema pra saber que o fascismo é uma merda. Se você tem dúvida sobre isso, você tem problemas sérios e precisa de ajuda (ou de cadeia). Também está muito claro que este governo tem ideais fascistas. Pode nem ser intencional, no sentido teórico, mas as ações são totalmente de acordo com o que ocorreu na Itália e na Alemanha a partir da década de 1930. Caminhada em direção ao STF do presidente e alguns empresários, fazendo clara referência à marcha de Roma, concurso de arte enaltecendo nacionalismo e valores conservadores, exatamente com o mesmo discurso de Goebbles, aceitação que apenas um único povo pode ser considerado como detentor de direitos, destruindo culturas, perseguição a minorias, nacionalismo exagerado, muita ligação com religião.
O fascismo está posto. E nesse caso, não existe meio termo, nem opinião. Se você apoia essa merda, você é fascista. E um fascista representa um perigo à existência de todos aqueles que não compactuam com essa insanidade. Você pode ter a religião que quiser, a postura política que quiser, inclusive de direita, pode ter uma opinião econômica até similar ao que eles defendem, mas se você se mostrar crítico aos ideais desses doentes, você será automaticamente o inimigo. Veja o caso de Sérgio Moro. O ícone da direita conservadora brasileira, atuante diretamente para definir o resultado da eleição, e quando se posicionou contra o líder supremo em um ponto específico, ganhou uma multidão de inimigos (nesse ponto, sem pena nenhuma desse ser abjeto).
Não há nada a se conversar com um fascista. O que esses seres pregam é o preconceito e a intolerância. E infelizmente não é em apenas um campo. E são dotados de um fanatismo absurdo. São pessoas violentas, que pregam a violência, e não aceitam nada que se faça contra o que acreditam. Vamos lembrar do repulsivo caso do velho babaca que arrancou cruzes de manifestantes que protestavam contra o imenso número de mortes pela COVID 19 no Brasil. Aquele velho de merda tem alguma salvação? Ele tem alguma chance de conviver em sociedade, com pessoas que pensam diferente dele?
Por isso, não há diálogo com fascista. Fascista você combate, e pronto. Porque se isso não ocorrer, eles vão tentar te destruir. E isso está provado com essas últimas situações que presenciamos.
O que precisamos com urgência pensar é o que proporcionou o retorno desse pequeno grupo com esse pensamento tão medonho. Erros foram cometidos, por todos os lados. E isso tem sido um preço alto. É preciso corrigir esse erro, e propagar informações, conhecimento, para que isso não ocorra mais.
E pra terminar, fogo nos fascistas!

SINCERICIDIO


Estava lembrando, através de conversas que me fizeram pensar, de uma situação em que fui consultar uma profissional da área de psicologia sobre um tema específico, e essa pessoa, supostamente, disse que eu tive uma postura intimidatória. Segundo relatos, considerou que eu poderia ser agressivo. Até hoje não sei se é mesmo verdade, o que me deixaria perplexo de uma psicóloga em trinta minutos de conversa sobre um outro assunto me decifrar tanto. Mas digamos que certos conceitos fazem sentido pra mim hoje.
Quem me conhece bem sabe que poucas vezes eu tenho papas na língua. Eu até tento buscar palavras mais suaves, mas os conceitos pra mim são bastante específicos e precisos. E nunca vi motivo pra guardar essas coisas só pra ver todo mundo sorrindo. Odeio religiões, sou ateu convicto, abomino todo tipo de reality shows, acho funk uma bosta, odeio mortalmente Legião Urbana, sou um esquerdista fervoroso… e mais um monte de coisas que tenho uma opinião formada e clara.
E através de várias conversas, especialmente com uma amiga que gosto muito e tem me feito muito bem (posso falar seu nome, Adriana? rs), percebi que as pessoas se assustam bastante por eu ter uma postura firme nas minhas opiniões. Muita gente acha que eu estou sendo agressivo ou intolerante. E quem me conhece sabe que basicamente eu quero que se foda se você pensa diferente de mim ou não. E sabe ainda mais que seu argumento tem que ser excelente, munido de centenas de provas científicas, pra me convencer que você está certo.
Já tive uma infinidade de brigas com pessoas por posicionamentos divergentes. Umas tretas animais, que depois de uma semana, está tudo bem. O principal motivo é que eu não tenho nada contra você pensar diferente de mim, e eu amo a polêmica. Aliás, é com ela que se cresce intelectualmente. Acredito mesmo que todos os posicionamentos, desde que respeitem a existência da vida humana, são fascinantes e trazem coisas boas. Então por que temos que nos calar pra agradar os outros?
Até pouco tempo atrás minha grande divergência com as pessoas era o ateísmo. Eu basicamente sempre fui, e sempre me posicionei nesse sentido. Não faz sentido algum você ficar ouvindo um monte de gente falar de conceitos cristãos, o tempo todo, mesmo que de forma não intencional, ser inserido num universo que não faz sentido pra você, e você odeia, e ter que ficar quieto só pra todo mundo te agradar. E quando você fala alguma coisa você não tem respeito pela fé alheia.
Basicamente, se as pessoas não gostam do que eu digo, é problema delas. Se quiserem sair da minha vida porque eu penso dessa forma, foda-se. Já vai tarde. Quem me excluiu da vida dela por esse motivo sabe que em nenhum momento eu tentei qualquer tipo de contato. Algumas depois viram que é besteira e voltaram a me procurar. E por mim tudo bem. Talvez essa raiva e depois perceber que exagerou faz parte do crescimento. E tudo bem continuar sendo cristão praticante. Não tenho interesse nenhum em obrigar ninguém a nada.
Uma pessoa uma vez disse que eu posto coisas assim em redes sociais pra ganhar curtidas. Acho que essa foi a besteira mais espetacular que já me disseram. Vocês já tentaram se posicionar em um ponto polêmico? As pessoas saem de perto de você. A maioria não gosta de polêmicas. Por preguiça ou por medo têm medo de assumir posturas firmes em determinados assuntos, e não gostam que outras pessoas assumam tal postura. Eu nunca consegui muito apoio sendo polêmico, especialmente porque mesmo grupos ou ideias que eu gosto às vezes eu critico. Aí ganho inimigos de todos os lados. Mas foda-se, mais uma vez.
Você quer ganhar curtidas ou seguidores? Basta colocar fotos de bebês. Fotos sorrindo e dizendo-se grato ao universo por alguma coisa insignificante que você acha que conquistou. Dizer que você é mais forte que sei lá o que, e que nada vai te impedir de chegar aos seus sonhos. Fotos de filhotes de gatos, de cães, de gatinhos ronronando… (eu amo gatos, e amo essas fotos, só pra deixar claro). Às vezes coloco fotos dos meus gatos fazendo coisinhas fofas e me surpreendo com a quantidade de gente que acha lega. Aparece tanta gente curtindo que eu me assusto ao saber que tem tanta gente me seguindo.
O fato é que as pessoas odeiam sair da zona de conforto. Odeia contestar dogmas que aprenderam ao longo da vida toda. É uma bosta saber que você está perdendo tempo demais com algo que não faz sentido, ou que tem prejudicado mais gente que você imagina. Deve ser uma merda saber que você é futil, e se preocupa com coisas sem importância. Pelo menos na cabeça dessas pessoas.
Mas não é. Ultimamente tenho buscado posturas críticas sobre atitudes minhas ao longo da minha vida, que têm me feito mal. Ser estressado demais com algumas coisas, insônia, essas merdas. E gosto de saber o que causa, o que estão sendo em excesso, como fazer pra corrigir o problema. Os benefícios que temos pra vida, como um todo, são fantásticos. Logicamente que não é tudo que me falam que eu aceito. O que considero que a pessoa está errada eu questiono mesmo. E se ela não provar que estou errado, vou continuar questionando.
Algumas pessoas dizem que a verdade doi. Mas o que doi pra muitos é a opinião do outro, contrária a tudo o que você pensa e o que condicionou sendo seu ideal de vida. Algo totalmente sem sentido, porque a opinião de alguém teoricamente não teria, por si só, o poder de mudar a sua vida. Meu melhor amigo é evangélico e eu um ateu praticante. Isso jamais foi um problema, ao longo dos mais de 30 anos de amizade.
O fato é que não tenho muitos amigos por ser extremamente sincero. Mas os que tenho são os melhores. E a grande maioria tão sincero quanto eu, ou até mais. Pessoas que olham pra o que você é como um todo, para aquilo que você traz de positivo. Pessoas que gostam de você como você é, e te criticam quando acham que têm que criticar, e está sempre tudo bem agir assim.
Mas, infelizmente, a maioria ainda se assusta e se afasta. Paciência...

terça-feira, 19 de maio de 2020

O RETORNO


"Quantas vezes
Um homem precisa cruzar a linha
Pra encontrar seu verdadeiro caminho?"




Em algum momento de 2009. Ali eu pintava o meu último quadro. Por diversas razões me afastei da produção artística, de forma praticamente involuntária. E aos poucos, fui me afastando inclusive da produção cultural de uma forma ampla.
Se passaram onze anos. E eis que em 2020, no meio da pandemia, resolvi que era o momento de retornar. Primeiro porque minha mente já pedia isso. Não existe sanidade mental sem arte, ainda mais de quem viveu boa parte da vida nisso. Depois, porque foi erro abandonar dessa forma.
Naquele período eu percebi que a arte não era financeiramente viável. Eu não conseguia ganhar dinheiro com isso, e tenho até hoje um certo código de ética que limita minhas ações em termos financeiros. Fora que sou um péssimo vendedor. Se a minha vida fosse depender do meu talento pra ser empresário, provavelmente você já teria me visto em alguma calçada todo esfarrapado te pedindo dinheiro pra alguma coisa.
Aí eu resolvi casar. Tirando que a decisão por si só é uma merda, como todas as pessoas que querem casar, eu precisava de dinheiro. Entrei pro TJ, comecei a fazer hora extra, e depois que casei, os diversos problemas incríveis que apareceram consumiram todo o meu tempo, mas principalmente, minha saúde emocional. E isso foi piorando dia após dia. Aí, algo que era pra ser temporário, se tornou permanente.
E então eu me divorciei, em 2019. Com um caminhão de problemas emocionais a serem resolvidos, inclusive um transtorno de ansiedade que me consumiu por um bom tempo, eu inclusive esqueci até que a arte existia. Não senti vontade de rabiscar um papel, com raras exceções.
Só que minha psicóloga começou a me estimular a frequentar uma vida cultural novamente (o que foi interrompido por uma certa pandemia). E aos poucos eu fui me inteirando da vida artística. E já comecei a ter novas ideias pra produção.
Aí, por algum motivo inexplicável, nós colocamos no poder um dos seres mais boçais e repulsivos que existem. E este ser, além de muitas outras merdas, começou a avançar contra a arte. Quando eu vi o concurso que ele quer promover, enaltecendo uma arte basicamente nazista, aquilo foi quase que uma porrada no meu ego.
Fazendo uma breve pincelada histórica e filosófica, se você tem vontade, pessoal, de produzir uma arte nacional, patriótica e enaltecendo a beleza, é um direito seu. Se você quiser buscar padrões clássicos, eu sinto lhe dizer, mas vai servir apenas pra decorar parede, porque a arte deixou de ser isso há pelo menos uns 200 anos. E não volta mais. Sorry.
Mas se você quiser expressar de alguma outra forma, tudo bem também. Qualquer pessoa minimamente informada sobre o assunto sabe que a arte é pessoal. Você expressa o que você sente, cria o que faz sentido pra você. A partir de então, o céu é o limite. Dentro de uma circunstância contemporânea, você escolhe materiais, estilo, temas… não há como delimitar o que será arte ou cultura. Ainda mais um governo, que parece entender pouco sobre o assunto.
Feita a digressão, tínhamos mais um problema, que é a forma de produção. Antes da parada, cada vez que ia criar algo, fazia uma série de estudos, mudava a disposição das figuras, cores, tirava coisa, botava coisa… era um trabalho bem longo, até finalmente conseguir chegar no resultado final, que era uma tela. E geralmente, por todo esse processo, eu não me sentia plenamente satisfeito.
Aí, peguei minhas obras de novo. Quando minha ex-namorada viu, ela ficou encantada, olhando horas e horas, fazendo altos elogios. Eu fiquei feliz, e olhando aquilo depois de anos, vi que eu era bom nessa porra. Sempre me achei muito limitado, e de repente, comecei a gostar do que tinha feito. Aí fiz um desenho qualquer, e postei em sotories de redes sociais. E o resultado foi surpreendente. Várias pessoas elogiando, fazendo análises, perguntando por que eu parei. E eu me senti plenamente vivo.
E toda hora era um desenho novo.
Só que a minha decisão então estava diferente. Eu agora estou me permitindo, quando muito, apenas um único esboço. E nada mais. E vai ser o que eu sinto, na hora que eu sinto, e da forma que eu sinto. Se ficar ruim, paciência. E como antes, tento não me prender a um estilo definido. Apenas criar ou produzir.
O resultado até agora pra mim tem sido não só surpreendente como altamente satisfatório. É bem verdade que cada vez que olho pra algo que fiz eu fico pensando no que poderia ter sido diferente, no que está abaixo do que esperava, mas acho que isso é um defeito que vou ter que corrigir com o tempo. Uma grande amiga, muito querida, disse há pouco tempo que eu me cobro demais, e com isso me saboto. E o foda é que ela tem razão.
Então resolvi que essa parte vai ser completamente sem filtro. Eu faço, finalizo, fotografo, e posto. Se vai ter alguma divulgação fora das redes, pouco importa. E provavelmente eu nunca vou ter qualquer rendimento com isso, o que basicamente to pouco me fodendo, nesse momento. O que me importa agora, única e exclusivamente, é viver a arte, e fazer aquilo que eu amo.
Então, agora segura, porque eu estou de volta!

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