segunda-feira, 23 de março de 2020

O LIBERALISMO E O COLAPSO


Estamos vivendo o momento mais drástico e dramático de uma geração. Uma pandemia sem precedentes, que mata centenas de pessoas por dia. Na Itália tivemos cerca de 800 mortes num dia. Outros países têm problemas sérios na mesma proporção, com isolamento total e paralisação do país.
Acredito que seja uma mudança drástica em todo e qualquer molde de atuação e interação entre as pessoas. E possivelmente no próprio sistema econômico. Não no fim do capitalismo. Creio que para chegarmos num ponto desses seria algo incrivelmente drástico e com alguma solução muito bem elaborada. Não vejo nenhum outro sistema pronto intelectualmente falando pra chegar nesse nível.
Mas o fato é que ficou muito claro que o liberalismo é uma praga tão violenta e devastadora quanto o próprio vírus. Há tempos digo que em situações extremas a “mão invisível” do mercado deixaria todo e qualquer ser vivo pra trás. Dito e feito.
Comecei a observar, analisar e acompanhar análises de situações atuais dos países afetados pelo vírus. Quer dizer, todos são incrivelmente afetados, e os asiáticos ainda têm a desvantagem de terem liberado essa praga, o que os tornou ainda mais vulnerável diante da surpresa. Mas perceba que quanto menor a participação do Estado no país, menores os danos.
Aí já podemos começar pela China. País comunista, autoritário e altamente estadista certo? Só se você se preocupa com os rótulos. A China é a segunda maior economia do mundo, o país que mais cresce há décadas. Os salários pagos estão entre os piores do mundo, bem como as próprias condições de trabalho. A concentração de renda é brutal, e o Estado controla as pessoas, mas não os serviços.
Daí por diante é só observar as reações de cada país. A Itália, há muito tempo um reduto da direita conservadora, está em frangalhos. Os EUA, que não têm qualquer serviço público de qualidade, apresenta curvas absurdas de contaminação. O mesmo ocorre no Brasil. Porém, analisando as ações da França e da Alemanha, onde ainda temos até uma economia relativamente liberal, mas com forte participação do Estado, o controle deu-se de forma muito mais eficiente.
Isso não significa que o vírus não trouxe enormes problemas a esses países. O vírus não tem ideologia, especialmente no campo econômico. Mas o fato é que em países onde há uma participação real do Estado na vida econômica e uma prestação de serviços relativamente boa, já tínhamos uma estrutura bem montada para que as pessoas não ficassem totalmente desamparadas. Já observando os demais países onde o liberalismo impera, com Estado mínimo o serviço público sendo totalmente de responsabilidade de empresas privadas, ou caminhando pra isso, é basicamente um prenúncio do apocalipse.
Como já comentei, empresas privadas visam lucro. E não poderia ser diferente. Eles vivem de fazer e ganhar dinheiro. E com isso, nunca tiveram a preocupação de atender a todas as pessoas. Elas atendem a quem paga. Peguemos o exemplo dos planos de saúde: quem paga tem o serviço. E apenas uma pequena parcela da população tem condições de pagar, o que significa que a estrutura de cada plano é para atender apenas os clientes, e não o povo.
O que temos agora é uma massa de pessoas pobres, sem condições de sobreviver na pandemia, sem ter como comer, como comprar produtos de higiene, sem ter renda, e sem ter a quem recorrer em caso de doença. E o Estado, que deveria ser o amparo que essas pessoas teriam, não tem mais condições pra isso, porque passou toda essa responsabilidade à iniciativa privada.
Nem vamos falar do nazista que está no poder aqui no Brasil. Obviamente ele está desesperado, porque sabe que a economia, único fio que o sustenta no país, já está arruinada, e que ele foi responsável por tirar bilhões do sistema de saúde para investir em futilidades, como aviões de guerra. Sabe também que precisa conter a paralisação senão a realidade vem com tudo, e que o governo que ele faz parte não sabe o que fazer quando a fome chegar ao povo.
Com isso, cometeu centenas de crimes comuns desde que essa pandemia começou. Não há dúvida alguma que ele esteja contaminado, e ele trouxe isso para perto de diversas pessoas, que irão transmitir para outras tantas. Ele estimulou pessoas a estarem junto de aglomerações, como quando quis a permanência de igrejas abertas, ou quando criticou as quarentenas de governadores. Sendo um influenciador de idiotas, ele está levando centenas de idiotas a agir como ele, e levar essa doença adiante. E eu sinceramente gostaria que essas pessoas fossem muito bem sucedidas nesse objetivo, mas o problema é que eu tenho um filho pequeno, que pode ser vítima desses imbecis. Então melhor fazer esses quadrúpedes se cuidarem.
Mas voltando ao tema, essa é a realidade de todo e qualquer país que agiu de acordo com interesses privados. Aqui é ainda pior, mas não é diferente em outras partes do mundo. Pessoas vão morrer doentes, vão morrer de fome, empresas vão falir, muita gente vai perder parentes...
Não existe mais qualquer dúvida ou defesa para esse sistema nefasto. Ele traz o caos, a miséria, e a morte. Ele é o abandono à própria sorte de tudo aquilo que deveria ser importante: as pessoas e a vida humana. Um sistema que pensa em dinheiro e em lucro, mas que isso seja conquistado com sofrimento e sangue.


sábado, 21 de março de 2020

AS MUDANÇAS DA MENTE


Recentemente me mostraram textos meus mais antigos, se não me falha a memória, de 2010. E eu fiquei absolutamente surpreso como meu pensamento deu uma verdadeira volta no universo. Naquela época eu pensava algo que poderia dizer que hoje é quase o o oposto do que eu penso. E depois de uma pequena análise percebi que em muitos assuntos houve alguma mudança, ou uma mudança radical.
Sendo assim, posso me considerar intelectualmente muito bem sucedido!
Para muitas pessoas eu sou considerado chato pra caralho. Eu simplesmente amo debater temas polêmicos, pesquisar a respeito, ler, propagar. Não há uma coisa no mundo que pra mim seja impossível de conversar. Qualquer coisa deve ser debatida, criticada e atacada. Mas, o debate é no campo intelectual. Trocar ideias, ouvir o outro lado.
Já cheguei a ouvir críticas porque poucas pessoas curtiam minhas postagens no facebook. Bom, não acredito que esteja num concurso de popularidade, nem que eu tenha alguma chance em algum. Mas me considero um pensador, e isso que gostaria de trazer a todos. O que me importa é a pessoa pensar no que está sendo proposto. Mesmo que ela fique enfurecida e queira responder, com postagens em sua página, ela terá que pesquisar e buscar argumentos para justificar sua posição. E é isso que as pessoas precisam fazer. Buscar o conhecimento.
Quem me conhece há muito tempo sabe que eu tive uma fase que eu era um propagador voraz do ateísmo (segundo um amigo, eu sou um ateu praticante). Primeiro isso veio como uma ideia de não me calar porque sou minoria. Dar voz às ideias ateias que muitas pessoas seguram com medo de arrumar confusão com outra pessoas. Mas até mais importante que isso é trazer o benefício da dúvida. Fazer as pessoas questionarem seus próprias dogmas. E isso não criará novos ateus, se é o que alguns pensam. Não acredito que tenha tanta influência ou poder de argumentação assim. Mas pelo menos abrirá novas visões de mundo.
É bem verdade que o alcance é menor do que o que eu gostaria. A cabeça da maioria das pessoas é incrivelmente fechada. Você pode falar de religião, política, sociologia, economia, sexo, relacionamento... muitas pessoas criam visões ou interpretações do mundo e levam isso para o túmulo. Por mais que o mundo mude, que as relações interpessoais mudem, elas permanecem defendendo aquilo até a morte, com argumentos sem sentido, e violência se for necessário. Não à toa elegemos o maior energúmeno da história para comandar nosso país.
E por isso disse no começo que fui muito bem sucedido no começo desse texto. Se existem mudanças brutais, e algumas mais suaves, no meu comportamento, significa que eu mantive minha mente aberta para as informações e para o conhecimento que me cercou. Eu analisei o mundo e ouvi os argumentos que chegaram a mim. E percebi que algumas ideias simplesmente não se sustentavam mais. E acreditem, isso é bom!
E fico ainda mais feliz em ter percebido isso hoje, que eu tenho um filho. Não sei como o mundo vai estar daqui a 20 anos, mas espero não ser aqueles velhos rabugentos, que não aceitam nada diferente do que pensam de suas vidas. Isso tornaria insuportável a convivência com ele, porque ele vai estar inserido em algum conceito do mundo do momento que estiver vivendo, não do que eu vivi na minha juventude.
Eu realmente espero manter a mente aberta. Espero poder continuar me envolvendo em polêmicas, e vou continuar criticando tudo aquilo que eu considerar que mereça critica. Imagino que se alguém ler isso daqui a 10 anos talvez muita coisa já tenha mudado na minha própria mente. E eu espero mesmo que isso possa acontecer.
Uma das poucas coisas que ninguém poderá, jamais, nos tirar, é o conhecimento. E nem a possibilidade de adquirir mais e mais ao longo dos tempos.

CAPITALISMO SELVAGEM


O Coronavírus vai implodir a economia mundial. Isso é um fato. A paralisação de várias partes do mundo é algo inédito, impensável e incalculável. O mundo não está preparado pra isso, nem nunca pensou que isso ocorreria.
Todo mundo (inclusive eu), está sempre correndo. Há poucas horas no dia pra quantidade tarefas. É preciso ser produtivo, render, fazer dinheiro. É preciso criar produtos, consumo e agradar. Qualquer erro é tratado com total agressividade, crueldade e impaciência. As pessoas não se toleram. O estresse impera.
Basicamente, não tenho nada contra o capitalismo. Sinceramente, até gosto do sistema, de uma forma geral. Como um consumidor voraz de música, filmes, livros, e principalmente, café, acho que ficaria meio desesperado se tivesse que perder essas coisas. E não sei como faria pra ter tudo isso em outro sistema. Na verdade não sou muito bom em criar relações pessoais. Então por hora vamos entender que o capitalismo é o melhor que podermos ter no momento.
Mas porra, precisa exagerar? Quando foi que dinheiro passou a ser mais importante que pessoas? A miséria de muitos não vale nada, e até mesmo é considerada como penitência por ser um perdedor. Não há mais compaixão, misericórdia, empatia, se isso representar perder dinheiro.
Foi assustador perceber que pessoas nos EUA poderia gastar cerca de U$20 mil para fazer os exames. Isso é basicamente R$10 mil. Isso quer dizer, às claras, que um monte de gente vai morrer.
Mas isso não é uma realidade longínqua assim. Eu estou fazendo cadastro de processos, e vejo vários, todos os dias, de planos de saúde, que querem suspender liminares que obrigam o custeamento de tratamento de saúde, de pessoas que já pagam pra ter esses planos. Eu vi mais de um onde o paciente no caso era um bebê, com doença rara, que somente um tratamento poderia salvar a vida. E a alegação da empresa é que o dano financeiro poderia ser de difícil reparação. Porra mano, o que a empresa perde de dinheiro é mais importante que a vida de um ser humano? E de um bebê? Que tipo de gente faz uma coisa dessas? E como um advogado pode dormir tranquilamente à noite imaginando que pode estar ajudando um bebê a uma morte sofrida e dolorosa? Eu realmente posso chamar isso de ser humano?
E agora existe uma chance de toda essa riqueza ir pro espaço. A produção de riquezas vai parar. E as pessoas precisarão repensar suas vidas. Agora começaram a entender que estão vivendo em comunidade, onde se um se descuidar e pegar essa doença, vai passar rapidamente para um monte de outras, e provavelmente vai matar um monte de gente. Talvez começamos a entender que isso é um grupo de pessoas.
O dia que o dinheiro for mais importante que o sorriso de um bebê ao ver o pai depois de um tempo longo (isso é algo indescritível), ou o ronronar dos gatinhos ao você chegar em casa depois de um dia de trabalho, ou à expressão incomparável de uma mulher tendo um orgasmo com você, então esse dia a vida como um todo não terá mais valor algum.

A INÚTIL ARTE DE REZAR


Estava lendo e ouvindo de alguns comentaristas políticos e de comportamento, sobre como o povo brasileiro tem sido diretamente influenciado pela religião e pela fé. Praticamente direciona todos os seus atos de acordo com o que acredita espiritualmente, e em geral, a fé cristã. E analisando os rumos que o país seguiu nos últimos anos, não é preciso ser um gênio pra perceber que deu merda pra caralho.
Agora, com o coronavírus, bem como o que ocorreu em Brumadinho, ou em outras catástrofes imensas, as pessoas se propuseram a ajudar as demais... rezando! Isso, elas se ajoelham, param na frente da pia, na escada, na privada ou sei lá mais onde, e rezam. E acreditam muito que isso vai fazer alguma diferença.
Tenho criticado imensamente essa postura de brasileiro. E como não poderia ser mais óbvio, já despertei a ira de alguns. E como os que me conhecem já sabem, eu não ligo a mínima pra isso.
Pra começar porque temos que ouvir o tempo todo comentários religiosos, espirituais ou crentes para absolutamente tudo (“se Deus quiser...”, “graças a Deus”, “vamos jogar nas mãos de Deus”). Então não há motivo nenhum pra essa gente dar xilique quando alguém coloca a opinião contrária. Provavelmente vocês não estão lá muito acostumados, porque não é muito comum no Brasil pessoas demonstrarem ideias diferentes no que diz respeito à fé, mas acreditem: pessoas pensam diferente de vocês. E acreditem mais ainda: enche o saco ficar ouvindo essa baboseira religiosa o tempo todo. Se vocês querem entuchar essa merda nos outros, não reclamem quando as pessoas se posicionarem.
Vamos no ponto que eu sempre digo: fé é uma ideia, e religião é a associação de pessoas que mantém essa ideia. A ideia não sofre, nem fica feliz, não sente dor, nem tristeza, nem ama. Ela é simplesmente um concatenado de pensamentos que tenta fazer algum sentido. Então você criticar essa ideia não representa ofensa alguma. Aliás, mentes pensantes criticam, elogiam, debatem. Essa ideia de que tem que ter respeito por religião é uma furada imensa. Eu respeito muito seu direito de pensar da forma como quiser, e de defender seu pensamento sempre. A ideia, se não for boa, eu vou criticar. A vida é assim. Sinta-se à vontade para criticar as minhas também.
Por fim, vamos ao tema central aqui proposto. A oração. Um jeito muito simpático de muita gente se sentir bem não fazendo porra nenhuma.
Acredito que existe sim um aspecto positivo no ato de rezar. O pensamento positivo, aquele que a pessoa acredita estar buscando e atingindo quando reza, é algo que pode motivar. Não só a mente e as ações, como o próprio corpo humano. Todo e qualquer pensamento positivo pode fazer isso. Nesse sentido não vejo qualquer problema no ato de rezar. E trazendo essa atitude como algo complementar à busca diária por evolução e pela sobrevivência(metaforicamente falando).
Agora, quando o camarada somente reza e espera a coisa cair do céu, ou se conforma com qualquer merda que acontece na sua vida justificando que é a vontade de deus, aí é de foder. E mais do que nunca, isso tem causado muitos danos à vida em comunidade. Eu, como ateu, tenho sentido os efeitos dessa merda na minha vida, sempre querendo a máxima distância desse tipo de pensamento.
Vamos colocar como exemplo a tragédia de Brumadinho. O que eu vi de gente pedindo pra orar por Brumadinho foi uma grandeza. Devo dizer que foi interessante algumas pessoas fazerem doações pelos necessitados. Mas somente ações paliativas ou inúteis. O que adianta rezar, se a empresa responsável pela tragédia está aí, livre pra continuar agindo, sem se responsabilizar ou indenizar todas as famílias, por perdas incalculáveis? Uma situação dessas era de revolta generalizada. O que tivemos foi uma barbárie humana. Um genocídio. Era preciso boicote à Vale, pressão popular e cobrança por punição e reparação. Mas não: temos muita oração, muitas famílias desoladas e sem nada, e mais um monte de barragens em grande risco. Lembrando que essa foi a segunda tragédia desse nível.
A fé e as orações trouxeram um nazista à presidência, apoiados por um grupo de pessoas que reza pra caralho. Passa necessidade, às vezes nem tem o que comer, casas precárias, sem um sistema de saneamento e saúde decentes. Mas estão sempre rezando e se conformando com a vontade de Deus (ou o que eles entendem ser).
Você pode rezar o quanto quiser, e basicamente eu to cagando pra isso. Mas não vai adiantar nada, absolutamente nada, nada mesmo, se você não tomar atitudes que justifiquem seus pedidos. Partindo do pressuposto que Deus exista, eu não imagino que ele vá te atender estalando os dedos e mudando tudo do nada. Provavelmente você terá alguns caminhos que poderá seguir pra conseguir vencer, mas vai depender exclusivamente de você.
Me perguntam o que um ateu faz na hora do aperto, a quem ele recorre. A resposta é a mais simples possível: a nós mesmos. Às vezes a pessoas de bom coração, porque nem sempre conseguimos vencer sozinhos. Mas no geral, à força de vontade, ao imenso e inabalável desejo de evolução, à vontade de aprender e melhorar sempre. Nenhum ateu vai sentar e esperar as coisas se resolverem sozinhas. Isso não rola.
E eu às vezes tenho dúvidas em quanto a maioria dos crentes realmente acredita em Deus. Pra mim essas pessoas apenas demonstram um imenso desespero no momento que não conseguem encontrar soluções, e usam essa possível espírito supremo como muleta. Jogam literalmente nas costas do ser divino toda e qualquer responsabilidade que tenham medo ou preguiça de assumir.
Conhecimento é o que faz as coisas mudarem. Conhecimento para saber se virar em cada situação. Conhecimento para entender como funciona seu corpo, sua mente. Conhecimento para ser melhor. E se você é teísta, tenha em mente que Deus pode ter dado esse conhecimento para que você consiga obter o que você pede na sua reza. Mas você prefere jogar isso fora, e apenas continuar rezando.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

O GRANDE PARASITA


Em 2004 estava no auge da minha depressão. Desempregado, tive que parar a faculdade de artes que eu cursava naquele momento. Resolvi me arriscar nos concursos públicos. Comecei pra escrevente. Um amigo me ajudou, mandando todos os artigos de lei que cairiam na prova. Estudei feito um doido, partindo do zero. Toda hora ligava pra esse cara tirando dúvidas do “juridiquês” totalmente maluco naquele momento pra mim. Ouvi um monte de gente dizendo que era besteira, muita gente concorrendo, que eu não tinha preparação, não ia passar.
Ao final da prova, fiquei entre os classificados para a prova de digitação. Cerca de 3000. Consegui a aprovação total. Mas existia um problema no edital, pelo fato de enxergar com um olho só me colocaram como deficiente visual, e isso deu um rolo danado, sendo que acabei eliminado. Poderia ter recorrido, e vi que ganharia o processo. Mas estava muito mal psicologicamente pra pensar nisso. O fato é que eu passei.
Em 2007 tentei de novo. Estudei ainda mais, nesse momento juntamente com a prova de professor de artes do Estado. Consegui ser aprovado em ambos. Em 2009 prestei o concurso pra professor de artes do Município de São Paulo. Uma prova dificílima, conceitual, que levava o dia inteiro. Nesse acabei em 50º lugar, também aprovado.
Em abril de 2009, enquanto já era professor do Estado, nomeado na primeira chamada, fui nomeado professor da prefeitura, e escrevente técnico, vindo do concurso de 2007. Sim, sem um diploma de direito, contra 105.000 pessoas, eu consegui. Fui nomeado. Contra todas as possibilidades, todas as pessoas, e todos os problemas, eu venci essa batalha.
Ainda consegui algumas coisinhas aqui e ali em concursos, apesar de ter prestado poucos. Em 2018, quando meu filho nasceu, resolvi prestar o concurso pra Analista do TRT. Estudei feito um doido, inclusive comprando briga com a mãe dele, pois a partir de então não poderia mais dar atenção pra ele enquanto não tivesse a prova. Foi um estresse desgraçado. Nesse resolvi me inscrever na cota de deficiente, já que tenho o problema com a visão. Passei em 18º lugar na lista especial. Até agora foram nomeados seis dessa lista, sendo que estou no aguardo, sem tanta esperança. Mas também passei.
Sou servidor público desde fevereiro de 2008. Doze anos nessa brincadeira. E não é algo muito simples. Os planos de carreira são muito engessados. Existe uma pequena evolução por tempo, mas a diferença salarial é tão irrisória que nem percebemos. E não há muita evolução em termos de cargo. Você pode se tornar chefe e daí seguir nesse sentido hierárquico. Se não gosta dos postos de comando, não há muito pra onde ir.
Tanto na educação quanto no judiciário a falta de pessoas para o trabalho é notória. Há uma quantidade absurda de serviço. Via de regra cada servidor faz trabalho de três pessoas. Isso significa que ou o não da conta, ou faz com tanta pressa que erros ocorrem. Não há como sair disso.
Nas demais áreas a situação é parecida. Pouca gente, muito trabalho, muito desse trabalho urgente. Salários apenas razoáveis e pouca evolução. A grande maioria, depois de um tempo atuando, começa a ficar desanimada. A coisa é sempre enxugar gelo e sempre ouvindo críticas e mais críticas, sempre ao servidor, nunca ao gestor que deixa a situação em total abandono.
Muitos trabalham de saco cheio. Muitos, muitos mesmo, ficam doentes. Eu mesmo já tive problemas de estresse, ansiedade, enxaqueca, muito relacionados ao trabalho. Já briguei com colegas e chefes pela situação do trabalho. Já bati boca com desembargador até. Mesmo assim, o trabalho que exerço está sempre muito próximo de manter-se em dia. Tenho uma produtividade alta, com índice pequeno de erros.
Um cara que conheço, dos mais babacas, que adora meter o pau em servidor público, dizendo que é vagabundo e não gosta de trabalhar, diz que eu sou exceção. Cortei totalmente laços com esse trouxa, justamente porque não sou. A grande maioria dos servidores tira leite de pedra. Com a falta de material, de estrutura, e principalmente, de pessoal, faz muito além do que seria possível, sem grande recompensa. Passa nervoso o tempo todo por querer fazer algo melhor, e não conseguir.
Temos a estabilidade, como muitos dizem. Mas infelizmente o motivo disso não é lá muito divulgado. A ideia é não ficar à mercê do partido que estiver no poder. Nossa submissão é apenas com o trabalho a ser executado, não importa quem determine. E sempre de acordo com a lei, o interesse público, e as possibilidades. Um governo altamente perigoso, autoritário e ideológico, como o que ali está, não tem o poder para oprimir nem obrigar nenhum servidor a fazer o que eles querem. Se não tivéssemos a estabilidade, estaríamos recolhendo livros de escolas, proibindo desenhos de beijo gay, arquivando ou ignorando ações contra milicianos...

O ministro da defesa, Paulo Guedes, disse, de forma bem clara, que os servidores públicos são parasitas do Estado. Vamos lembrar que este ser ganha R$30 mil por mês, tendo zilhões de assessores. Foi um dos membros do governo Pinochet, a ditadura mais sangrenta da América Latina, sendo responsável pela equipe econômico, cujas ações aumentaram vertiginosamente a desigualdade social no país, levando a essa revolta extremamente violenta que colocou o governo de joelhos.
Guedes também lucra com o nada. Um verdadeiro especulador, que ganha dinheiro com bolsa de valores. Aquele negócio que vende e compra ações. Ações, pra quem não sabe, é basicamente, o nada. Você vende e compra o tempo todo ideias, que podem enriquecer ou destruir uma empresa, com papeis que não existem, um dinheiro basicamente fictício, que determina os rumos de um país.
Paulo Guedes também tem algumas investigações e acusações em curso, sobre fraudar informações para lucrar com a crise. Algumas paradas atualmente por causa do foro privilegiado, devido ao cargo que ocupa, algo que esses servidores parasitas que ele diz não têm.
Um ser repugnante, desprezível, altamente elitista, que acusa o pobre responsável por ser pobre, que queria impor um reforma previdenciária absolutamente desastrosa (em partes barrada pelo Congresso), culpado pela situação no Chile. E agora elege como inimigo o servidor público. Porque pra esse ser desprezível é importante aniquilar os direitos dessa classe pra beneficiar totalmente o setor comercial que trará lucros para ele.

Paulo Guedes é o próprio retrato do elitismo. É a personificação da concentração de renda, da desigualdade. É o que faz com que o pobre seja pobre, e cada vez mais pobre, e o rico cada dia mais rico. É o próprio parasita que descreve, assim como todo e qualquer integrante desse governo nitidamente nazista que de forma insana o brasileiro colocou ali.
É declarado inimigo do servidor público. Assim como do aposentado, do pobre, e provavelmente, assim que esses grupos foram derrotados, outros virão. Paulo Guedes, conforme descrevi em texto anterior, é o ser mais perigoso do governo. O cara que deve a todo custo ser derrotado pra não mais se levantar. É o inimigo total. E todos aqueles que o apoiam devem ser considerados também inimigos a serem vencidos. Paulo Guedes é uma ameaça para qualquer pessoa que não esteja limpando a bunda com notas de R$100.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

GOVERNO NAZISTA


O vídeo gravado pelo secretário da cultura reproduzindo detalhadamente a fala e a estrutura feitas pelo mentor do governo nazista escancararam o ideal nazista que há no governo brasileiro. Já estava claro, com sinais que não deixavam muitas dúvidas. Alvim apenas esfregou na cara das pessoas, e por isso foi demitido.
Dias antes o (des)governo divulgou um edital para um prêmio da cultura. Este edital fazia claras referências a um determinado tipo de arte, nacional, com conceitos bem definidos de beleza, de valores morais e de ideias. Algo claramente nazista. E não porque colocaram indícios de nazismo nesse edital, mas porque o governo nazista alemão fez exatamente isso. A Alemanha nessa época perseguiu toda forma de manifestação artística que não se enquadrasse aos seus conceitos. Tudo que não enalteça a pátria, que desvirtuasse os pseudo-valores morais que eles queriam propagar, que ficasse contra o cristianismo, que tentasse fazer as pessoas pensarem, era considerado subversivo e atacado.
A arte não tem como papel, em momento e lugar nenhum do mundo, servir um determinado grupo ou país. A arte é subversão, sempre. A ideia principal da arte é instigar, polemizar, causar impacto. Não pode ser enquadrada em nada pré-estabelecido, pré-moldado. Quando o governo determina o que pode ou não ser feito e tido como arte, fica claro que já não há mais arte nessa produção.
Outra estupidez é determinar o que poderá ser enquadrado como cultura. A cultura é uma criação espontânea das pessoas, e muitas vezes não consciente. Tem a ver com hábitos, costumes, gosto, realidade e possibilidade. Nesse sentido cumpre dizer que temos sim uma cultura ligada ao funk no país. Eu abomino esse estilo pela total falta de qualidade e quase nada a agregar, mas inegavelmente faz parte do cotidiano das massas, especialmente em periferia. É a cultura local, que nasceu diante da falta de possibilidades e acesso dessas pessoas.
Quando vemos os nossos atuais “líderes” criticando o marxismo cutlural, fica a certeza que eles nem ao menos têm ideia do que estão falando. Se existe um marxismo cultural, este nasceu pelo conhecimento das ideias de Karl Marx, e pela clara adaptação e certeza de correção na realidade atual. Pessoas que estudaram o cara e entenderam que ele tinha muita razão no que dizia. Não houve um projeto consciente de ninguém para implementar tais ideias. E de lado contrário, cresceu imensamente a ideia do liberalismo econômico, também criado de forma contemporânea com o comunismo, como forma de se contrapor ao marxismo. Ambos, se entendidos de forma cultural, vieram de estudos de pessoas que consideraram que tais ideias são assertivas nos dias de hoje.
Voltando ao nosso (des)governo. O nazismo, como todos sabem, tinha um inimigo em comum: os judeus. Hitler e seu partido pregaram abertamente que os judeus eram os responsáveis pelo colapso ocorrido na Alemanha, concentrando as rendas, roubando o dinheiro alemão e se enriquecendo às custas da miséria do povo. Um povo, desesperado com a situação humilhante e miserável imposta pela Liga das Nações no pós guerra foi facilmente convencido a canalizar seu ódio contra esse inimigo em comum. O restante sabemos bem o que ocorreu.
No Brasil é exatamente o que está acontecendo, desde antes da eleição. O nazista que está no poder primeiro considerou que o comunismo estava implantado no país, e o elegeu como inimigo. Esta imbecilidade inclusive era a principal ideia no seu plano de governo para presidência na candidatura. Sim, ele trouxe como plano de governo, e foi eleito por uma massa de imbecis, por combater o comunismo!
Mas no caso dele, não eram os únicos inimigos. Houve um esforço imenso para demonizar os homossexuais, como ocorre até hoje. O mundo gay está tomando conta do país, moldando nossas crianças e querendo implementar uma ditadura gay. Você já deve ter escutado merdas como essa. E é preciso combater esse avanço, seja com ataques, seja com agressões, seja com políticas que limitem a liberdade dessas pessoas.
Mas não para por aí. Os índios são inimigos do progresso. O avanço do feminismo e as conquistas de igualdade obtidas por mulheres também impedem que o Brasil chegue à sua tradição paternalista, levando o país ao colapso. E claro, todos aqueles que atacam o presidente.
Essa última é a mais clara declaração do governo que segue a cartilha nazista. A Alemanha marcou essa época pela total veneração ao líder supremo, Hitler. As pessoas deviam total idolatria a este líder, como se fosse um Deus. O novo partido do quadrúpede nazista que aqui está traz exatamente esse conceito, sem nenhuma alteração. Apoio total e irrestrito ao líder, presidente. Mais nazismo impossível.
Não há qualquer dúvida que vivemos um governo nazista no Brasil. Tudo o que ocorria por lá está se repetindo aqui. A diferença é que hoje sabemos das consequências, e devido à imensa pluralidade aqui existente ainda existem muitas vozes que se levantam contra essa barbárie. Além disso, o mundo tem asco desse momento histórico da Alemanha. Os próprios alemães vêem essa fase como uma imensa vergonha, criminalizando tudo aquilo que possa representar o nazismo. Você enaltecer qualquer coisa feita pelo nazismo, mesmo que tenha algo de minimamente positivo, é crime dentro do país.
Mas infelizmente aqui muitas pessoas estão idolatrando essa aberração. Seja por desconhecimento, seja por seguir mesmo tais ideais, o governo nazista tem, assim como tinha Hitler, adeptos fieis e fanáticos, que defendem o quadrúpede com unhas e dentes, tentando justificar toda e qualquer atrocidade que ele cometa. Pessoas que se posicionam como os fieis protetores desse doente, assim como ocorreu com Hitler.
Não há um meio termo. Esse tipo de radicalismo exige uma postura firme e combativa de toda e qualquer pessoa que tenha bons ideais. Todos os que querem o bem real, que respeitam os direitos de cada pessoa. Ou você está contra o nazismo, ou, caso deseje manter-se em silêncio está optando por aceitar o que está aí. Ou você combate o nazismo, ou o aceita, e é parte dele.

A SOLIDÃO


No início do ano passado me divorciei. Estava já separado há um ano, morando na mesma casa por problemas financeiros. Depois disso, fui pra minha casa, com meus gatos. E ali estou, há um ano. Não é a primeira vez que moro sozinho. Já tinha ocorrido em 2008, quando fiquei quatro anos nessa situação.
E o grande x da questão é que eu amo essa situação. Fui muito feliz naquela época, e estou sendo muito feliz de novo. Infelizmente ainda com alguns problemas de saúde, possivelmente por causa de estresse, ainda não atingi o nível que gostaria. Acredito que estou no caminho.
O fato de você estar sozinho traz às pessoas a ideia que você está infeliz. Conceitos sociais que eu não sei de onde vêm, mas que pra muita gente não condizem com a realidade. Você ter seu espaço, seu momento, sua forma de conduzir as coisas, é algo libertador, pacificador e estranhamento bom.
A ideia de solidão não quer dizer que eu seja anti-social. Na verdade tenho bons amigos, um bom relacionamento com boa parte das pessoas, e uma namorada excelente (na verdade chamo de namorada pra não ter explicar conceitos, porque o que temos é melhor que isso). A Natália é mega companheira, parceira ao extremo, uma pessoa que qualquer um admira. A companhia dela é inspiradora e agradável. Mas ela mora na casa dela, e eu na minha. E ambos concordamos que isso tem sido ótimo.
Ela dorme aqui alguns finais de semana, às vezes saímos. Uma companhia indispensável. Mas já conversei pra ela que ambos temos a liberdade de vivermos nossas vidas de forma independente, de organizarmos a casa do jeito que cada um quer (ou não quer). E quando nos vemos é muito bom. Possivelmente a convivência diária faria com que os pequenos defeitos aumentassem de tamanho, e talvez começássemos a ter brigas idiotas que nunca tivemos.
Também tenho meu filho, que fica aqui a cada 15 dias, dormindo aqui de sábado para domingo. E eu vejo sempre que possível durante a semana. E vou tentar explicar as coisas de uma forma que não sejam tão agressivas ou que tragam uma sensação errada.
Li um texto uma vez, não lembro o nome da autora, cujo título é “amo meu filho mas odeio ser mãe”. Bom, é bem por aí. Eu fiquei na casa com minha ex, num clima péssimo, pra não prejudicar meu filho. Pago pensão regularmente, metade da casa onde ela mora, se precisar de algo, como levar no hospital eu vou, quando ele está aqui doou toda atenção do mundo... mas esse lance de ficar o tempo todo olhando e acompanhando não é a coisa mais agradável do mundo. Isso tira esse momento de ficar só. E no meu caso, faz muita falta. Ainda assim, nunca vou deixar de fazer a minha parte por ele. Tanto o é, que ele tem um apego fora de série comigo (o que não quer dizer que seja diferente com a mãe. Com ela também o apego é total).
Imagino que minha relação com ele deve ser altamente positiva a vida toda, e tenho feito coisas que nunca pensei que faria, sempre pensando nele. Estou no vermelho financeiramente desde que ele nasceu, e nunca pensei em mudar isso, pra poder fazer o melhor. Assim como desenvolvi uma paciência e uma qualidade em cuidar de criança que jamais na minha vida pensei que teria. As pessoas que me conhecem há anos olham minhas atitudes com ele, e SEMPRE dizem “Quem diria? O Roberto cuidando de crianças”.
Mas o meu caso é uma vida solitária. Eu adoro estar sozinho no meu espaço. Curtir algo sem sentido. Fazer tudo do meu jeito (e eu sou chato pra caralho com casa e limpeza). Gosto de fazer minha comida, de receber pessoas e mostrar minha vida. Até gosto também que a Natália durma aqui.
Mas nada supera a paz de espírito. A sensação que você é completamente dono e responsável pela sua vida (algo que tem muito a ver com o ateísmo). A sensação que se as pessoas te procuram, estão ao seu lado, é porque querem muito estar com você. Eu tenho plena convicção que a Natália está comigo porque ela quer, porque minha companhia a faz feliz, porque eu alegro o dia dela, nunca porque ela precisa estar comigo. E já disse pra ela que comigo é a mesma coisa.
Eu acredito que toda e qualquer pessoa aprenderá a ser feliz quando ela se bastar. Quando a vida dela, num momento de solidão, for plenamente feliz e alegre, então ela terá encontrado a felicidade. E vai poder ser feliz ao lado de alguém. Provavelmente a relação com namorado, companheiro, ficante, ou qualquer merda assim, com amigos, com os filhos, será incrivelmente positiva. A solidão é a plena felicidade.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

HORA DE ACORDAR


Passamos um ano do nosso governo nazista. As demonstrações, projetos e ações demonstram, inequivocadamente, que estamos diante de um governo nazista em todos os sentidos. E nesse um ano, o temor gerado antes desse quadrúpede se candidatar à presidência, ficando ainda mais intenso na época da eleição, mostrou que é muito pior do que prevíamos.
O que estamos vendo no atual governo é um conservadorismo atroz, que está sendo instalado como política de Estado. E em geral, eu não tenho nada contra a pessoa escolher levar um estilo de vida conservador. A ideia de liberdade é você fazer o que acha melhor para sua vida. Mas essa mesma ideia de liberdade indica que eu também tenho o direito de viver segundo o que considero mais apropriado. E não aceito uma vida conservadora, nem que pessoas façam isso por mim.
Começamos com uma perseguição voraz de professores, com a justificativa que há uma pregação de esquerda para alunos, com um tal de marxismo cultural (algo que teria sido muito menos danoso se as pessoas pelo menos entendessem o que significa a palavra “cultura”), com a ideia de se proibir o debate político em sala de aula, de proibir que se critique governos, especialmente os conservadores.
Logo em seguida começamos uma perseguição a grupos minoritários, índios, sendo responsáveis pelo freio de desenvolvimento econômico, ao se proteger suas terras. Homossexuais, acusados de influenciarem pessoas a seguir seus passos, num vômito de ignorância, onde ainda, em pleno século XXI, ainda se acredita que homossexualismo é transmissível. A perseguição aos homossexuais ainda mais intensa quando se coloca como errado a simples possibilidade deles estarem livres para serem quem são, em locais públicos.
Uma tentativa aberta de se implantar como algo oficial o cristianismo no país, justificando ser algo cultural e maioritário (mais uma vez temos um erro grosseiro do que é cultura). Tratamos todos aqueles que não são cristãos, especialmente os que seguem uma religião africana, como seres malignos que querem destruir a sociedade. Quem não creem em Deus, como é o meu caso, vem aos poucos sendo tratado como vilão, novamente, depois de séculos de evolução. A mais alta demonstração de retorno à Idade Média.
A liberdade sexual também vem sofrendo ataques no atual governo. Uma campanha patética de abstinência sexual tratada como política de Estado, que claramente tem como público-alvo mulheres jovens e solteiras. Algo inacreditavelmente retrógrado e sem sentido, uma vez que já deveríamos estar mais do que convencidos que o sexo é uma das melhores partes da vida, natural, altamente recomendável, e muito simples de se prevenir situações indesejadas, como doenças e gravidez. E mais além: ainda não conseguimos entender que a mulher pode ter desejos, prazer, orgasmos, sem atrelar isso a amor ou a um possível compromisso com algum homem. A quantidade de parceiros ou vezes que ela transa não deveria ser determinante para julgar o caráter das mulheres. Estamos no século XXI!!!!!
Fora que temos um aparelho do Estado totalmente voltado para a proteção de um determinado grupo. Parentes empregados em gabinetes, exclusão de lista de investigação de parentes do presidente da república(o seu presidente, não meu), procurador indicado ao gosto do presidente, um ministro da justiça que agiu sem nenhum pudor para modificar o resultado das eleições, e agora protege descaradamente pessoas ligadas ao chefe, num claro intuito de ser um ministro do STF... ou seja, tudo aquilo que era criticado em governos anteriores está escancarado, sem nenhuma vergonha. E agora, as mesmas pessoas que antes ficavam revoltadas batem palma e defendem a todo custo.
Fora a incrível propagação de ódio a tudo e a todos que se posicionam contra o governo. Perseguição de jornalistas, ameaças de morte a blogueiros, cineastas, atores, artistas. O rock se tornou coisa do demônio (de novo), a classe artística (da qual faço parte, é bom lembrar), se tornou propagadora do esquerdismo e inimiga do país. Ódio pra todo lado, pra todos os que ousam se levantar contra.
Esse foi o principal motivo de eu ter me afastado completamente dessa gente. São pessoas que não agregam em nada a vida de ninguém. Querem o atraso, o medieval. Querem controlar a vida e as ações de todos. Querem que sua opinião seja enfiada goela abaixo de todos, à força, se for necessário. E se não conseguirem (como não vão), pregam abertamente a morte e a dor para todos os que pensam diferente. Estou exagerando? Parece que o ataque ao Porta dos Fundos, ataque físico, não me deixa dúvidas. O número de homossexuais mortos cresceu assustadoramente. Assassinatos de protetores do meio ambiente, de defensores dos direitos humanos levam o país, em um ano, ao topo da lista dos países que mais matam essas pessoas. A agressão a mulheres, com estupro e assassinatos disparou no atual (des)governo. Vivemos um show de violência e ódio.
Essas pessoas precisam ser contidas, urgentemente. Não quem tem uma ideologia de direita. As pessoas têm esse direito, e sem a menor sombra de dúvidas existem coisas muito boas na direita, que temos que ouvir e saber aplicar para uma sociedade melhor. Mas isso num debate, numa troca de ideias, na tentativa de entender o certo e o errado. Nunca na violência ou na forçação de barra.
Pessoas assim se tornam um perigo. Como parte de algumas dessas minorias, eu me sinto muito ameaçado atualmente. Sinto que demonstrar o que eu penso é imediatamente colocar a minha vida em risco. E eu me recuso a permanecer calado pelo medo. Então sim, minha vida está em risco. Como a de toda e qualquer pessoa que tente agir de forma diferente dessa loucura instalada. Algumas dessas pessoas nem se deram conta.
E atualmente, sendo atacado no que eu penso, na minha profissão, na minha “fé”, na minha ideologia, eu vou reagir. Sempre. Já deixei de considerar amigos pessoas que propagam esse ódio. Uma pessoa assim não quer o meu bem de forma alguma, nem o bem de ninguém que seja diferente dela. Não há como manter qualquer vínculo com tais seres. Nem mesmo parentes eu quero por perto, que venham com essa aberração. Não quero pessoas assim perto do meu filho. Porque meu filho poderá vir a fazer parte de alguma minoria, e então essas pessoas passarão a ser um risco à vida do meu filho. Aí então eu posso garantir que serão essas pessoas que estarão colocando a vida em risco, porque eu não vou ter absolutamente nenhum vacilo em defender o meu filho do jeito que for necessário.
Se as pessoas não conseguem abrir os olhos, e respeitar os direitos de cada um de serem diferentes, de seguirem o que achar melhor, de viverem suas vidas da forma como consideram o mais próximo da felicidade, se querem intervir na vida dos outros para impor seu ponto de vista a qualquer custo, essas pessoas são sim uma ameaça real, e não merecem qualquer respeito.
O que temos agora, no atual (des)governo é o momento mais perigoso nos últimos 50 anos. Algo que precisa ser combatido a qualquer custo. Não só os que estão no poder, como os que os sustentam lá, são uma total ameaça. Se as pessoas não acordarem, todas elas, mais uma vez, será tarde demais. Toda a história já mostrou onde isso termina.

O PIOR DOS ESPECIALISTAS


O que temos no atual governo é o maior show de horrores em termos de ministros que já se viu. Considerando a qualidade altamente duvidosa de ministros que já passaram pelo país, diríamos que o sarrafo tá lá embaixo. Mas a qualidade foi aniquilada em definitivo com a atual equipe.
O ministro da educação espalha erros ortográficos aos quatro cantos, corta verbas para a área, acusa universidades de produzirem drogas, comete os erros mais escabrosos no Enem...
A Ministra da mulher e dos direitos humanos quer de todas as formas transformar sua pasta num reduto evangélico, espalhando bobagens absurdas ao longo de suas ações, seja como ministra, seja como pastora. Desde a incomparável ideia de que a Frosen é lésbica, até lançar como política pública a abstinência sexual.
O ministro do meio ambiente não consegue tomar uma única atitude para conter os problemas ambientais, estimula o desmatamento, faz acusações incríveis a ONGs para todo e qualquer problema que ele enfrente.
O ministro da justiça, iniciado como status de heroi para todos os imbecis que idolatram o atual (des)governo, tornou-se um capacho dos mais maleáveis, servindo de escudo e proteção para todas as merdas do chefe, inclusive atos criminosos, tendo várias vezes surgido com o rabinho entre as pernas em diversas ocasiões pra não contrariar o patrão, proporcionando as cenas mais ridículas e patéticas já vistas por um magistrado.
Todos são ridículos, incompetentes ao extremo e dizem uma quantidade assustadora de merdas. Mas nenhum chega aos pés do ministro da economia, Paulo Guedes. Esse, ao contrário dos demais, é um homem extremamente inteligente, habilidoso e experiente. Mas seu histórico está intimamente atrelado às piores ideias que já tivemos.
Ele esteve presente no governo Pinochet, o mais sangrento da América Latina, tratando o país como motivo de orgulho ao longo da campanha presidencial (o que foi convenientemente descartado nas manifestações chilenas que colocaram abaixo toda essa merda liberalista que ele defende).
Mas parece que o ministro não entendeu ainda que essa fase já foi. Seria, por si só, motivo de vergonha total. Mas ele parece que ainda não se arrependeu de todo o sangue que correu em suas mãos. Guedes defende abertamente medidas não democráticas, sugerindo inclusive que seria necessário um novo AI-5. Ele tentou corrigir e se explicar, diante da imensa repercussão negativa, mas todo mundo sabe que esse cara tem uma estreita ligação com ditaduras, torturas e assassinatos.
As medidas econômicas do cara são, em sua totalidade, a concentração de renda, desigualdade social absurda, e um imenso foda-se. Em várias ocasiões já declarou que a culpa do pobre ser pobre é do pobre! Sim, os pobres são pobres porque não sabem poupar. O pobre não sabe como usar o dinheiro. Ele disse isso.
Esquece-se o ministro que o salário mínimo no Brasil, que deveria atender a todas as necessidades básicas, conforme está na Constituição, está muito defasado em relação ao que deveria ser. Talvez esteja na casa de 1/3 do que está em lei, para poder suprir tais necessidades. Isso, da última vez que acompanhei, há anos atrás. Hoje as coisas estão mais caras, e os reajustes foram bem ínfimos.
Não há como sequer suprir as necessidades básicas a pessoa que ganha um saláio mínimo por mês. Mal a pessoa pode comer, comprar remédios. Não tem como estudar, melhorar qualificação. Como vai poupar alguma coisa?
Nessa esteira tentou implementar na reforma da previdência, que atingiu os mais pobres em cheio em suas aposentadorias, um sistema de capitalização, onde a pessoa faria a própria “poupança previdenciária”, guardando o dinheiro necessário para sua aposentadoria. Algo que vai muito na linha do que foi descrito acima. O cara mal tem o que comer para se manter vivo hoje. Seria o mesmo que condenar a imensa massa de pessoas a morrer trabalhando (ou na extrema miséria quando fossem demitidas na velhice).
Depois de eleger e fulminar os aposentados como inimigos da nação, Guedes agora volta-se contra os servidores públicos. O novo discurso é de que os servidores ganham demais, têm muitas regalias, facilidades e ninguém pode fazer nada contra eles. Quem conhece o sistema público e os planos de carreira sabe que isso é uma grande bobagem. Logicamente os asnos que apoiam o atual presidente, diante da incapacidade total de formarem qualquer pensamento racional vão acreditar nessa besteira sem ao menos buscarem a informação.
A realidade do serviço público, na maioria esmagadora das autarquias e órgãos em geral é de total abandono. Praticamente os materiais de trabalho não existem, a carga de trabalho é altíssima, sendo que existe metade das vagas preenchidas, quando muito. Ou seja, cada servidor trabalha dobrado para compensar a falta de pessoal. Não há incentivos de carreira, nem reposição salarial. Os autos salários a que esse maldito se refere dizem respeito apenas a cargos de assessoramento. E claro, a políticos, ministros de Estado e juízes. As medidas que esse filho da puta quer tomar não atingem tais cargos.
E pra piorar, quer cortar ¼ dos salários dos servidores, através de um gatilho quando atingir determinado valor de gastos. Este gatilho é altamente subjetivo, ficando a cargo do gestor decidir. Esta medida já foi declarada inconstitucional até mesmo pelo STF, em 2019. Mas Paulo Guedes não se importa muito com a lei, em com as instituições judiciais. A ideia desse verme repugnante é tirar de quem ganha menos. Sejam servidores, sejam cidadãos, sejam aposentados em geral. E fortalecer um mercado, altamente fechado e já poderoso. Dar o poder ao empresário mais rico e deixar que ele tome os rumos de como o pais funciona.
Já comentei sobre o liberalismo antes. Guedes é a personificação extremada do liberalismo. O homem que não liga para pessoas, para sofrimento, para miséria. O objetivo é aumentar os lucros do grande capital, a qualquer custo. Os resultados do trabalho dele são vistos facilmente no Chile. As pessoas por lá preferiram morrer em combate nas ruas a manter esse sistema assassino.É um dos países da América Latina com a maior desigualdade social, com um problema de miséria na terceira idade desde a época ditatorial, que culminou numa revolta popular incontrolável.
Paulo Guedes não é somente o retrocesso como seu chefe, nem o ridículo extremo como a maioria dos seus colegas. Paulo Guedes é a maldade personificada. É o cara que quer ver o lucro, a todo custo, de um pequeno grupo. É o cara que lucra com a miséria.
Paulo Guedes hoje é o ser mais perigoso de um governo que é um desastre de ponta a ponta. É o homem que mais precisaria ser combatido nessa insanidade. O homem que qualquer pessoa que rebola o mês inteiro para pagar as contas, que vira e mexe precisa gatar dinheiro com remédios, planos de saúde cada dia mais caros, que não entende como as coisas no mercado ficam mais e mais caras, precisa odiar acima de tudo.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

UM NOVO COMEÇO


Em quase dez anos de blog, acredito que jamais tenha escrito sobre romance. Não de uma forma positiva. Muitos aspectos inclusive totalmente negativo. O que eu vi, e vivi, nos últimos anos da minha vida me trouxeram uma visão tão desastrosa dessa loucura, que não havia nada de bom para falar a respeito. E pouco eu falava. Inclusive tentava nem falar sobre porque poderia parecer uma ofensa direta às pessoas que se relacionaram comigo, enquanto o problema pra mim era o relacionamento em si.
E agora começo a ver a coisa de uma forma totalmente diferente. E obviamente, isso tem um motivo.
Manja aquela situação que começa com tudo pra dar errado? Era isso. Como eu disse pra ela, de largada tomei uma fechada de porta nervosa, que me fez desistir de vez. E com o tempo iniciou-se uma amizade, que inicialmente não tinha a menor chance de sair disso. E de repente, se tornou a maior mordida de língua de todos os tempos. Eu diria que foi um dilaceramento completo.
Não sei posso fazer isso, mas diante da qualidade imensa da situação, vamos dar nomes reais. Essa mulher incrível chama-se Natália. E até agora ela tem me feito ver que eu estava totalmente errado em muitos dos meus pensamentos sobre a vida a dois.
Eu estava realmente duro e irredutível sobre qualquer possibilidade de um relacionamento sério. Conheci pessoas incríveis desde o meu divórcio, mulheres que passaram pela minha vida e pelo qual tenho um carinho e gratidão eternos. Mas todas com objetivos de vida e personalidades que tornariam impossível qualquer convivência, e de quebra poderiam transformar algo bom numa guerra. O que significa que diante dos meus objetivos de vida, da minha personalidade, e até dos meus traumas, pra mim era impossível encontrar alguma pessoa tão compatível, o que me deixava claro que eu jamais iria me relacionar outra vez.
Associado a isso, tive um experiência desastrosa chamada casamento. Especialmente depois que meu filho nasceu, aconteceram coisas que me deixaram não só decepcionado, como arrasado, furioso, vingativo e sombrio. Não era possível, aos meus olhos, alguém tirar isso de dentro de mim.
Mas ela está fazendo isso.
Quando começamos a conversar, a compatibilidade foi assustadora. Ela se definiu como minha “versão sem pau” (se você conversou comigo sobre ela, sem dúvida usei essa expressão. Porque é exatamente isso). Temos visões políticas muito próximas (inclusive esse foi o ponto de partida pra começarmos a amizade), tirando que ela não é necessariamente de esquerda. Visões de mundo, modo de tratar as pessoas, noções de justiça, amor pelos animais... ela não quer nem ouvir falar de casamento, é incrivelmente independente, gosta de crianças (nesse caso infinitamente mais evoluída que eu), mas não quer filhos. Ela é puro heavy metal! Personalidade fortíssima. Não recebe ordens.
Muita gente que leu isso deve imaginar que eu esteja me descrevendo. Mas tudo bem, ela tem uma crença espiritual bem intensa. Não em uma religião, mas apenas fé. O que me deixa até feliz, porque ela não está seguindo um grupo. Então posso assegurar que com isso não estava me referindo a mim.
Mas tive o prazer, com ela, de descobrir o conceito de parceria. Não tinha vivido até agora o verdadeiro sentido de ter alguém do seu lado, se preocupando com você, te incentivando a coisas boas, mesmo quando você está com uma vontade absurda de dilacerar pessoas. E essa fera que estava vivendo dentro de mim começou a se tornar apenas um gatinho ronronando. Sim, meus momentos de ódio praticamente acabaram.
Voltei a cuidar da minha saúde, o que estava deixando de lado há um bom tempo. Tenho prazer em andar de mãos dadas, sair pra jantar, buscar lugares novos. Estou ouvindo críticas de coração aberto. Mas o mais importante: consigo ser eu mesmo. Falo do meu passado sem medo, dos meus desejos, medos, traumas e de cada momento. E não sou julgado por isso. E vejo exatamente a mesma coisa vinda dela. Vejo uma mulher sincera, aberta e sem medo, que parece ter encontrado essa mesma parceria comigo.
E pra falar bem a verdade, acho que a situação tem sido bem injusta. Ela tem feito muito mais pra me ajudar, por assim dizer, do que eu por ela. Da até uma sensação de dívida emocional.
Hoje, diante de um fato inusitado, , tinha a mais clara certeza que tinha criado um problema desnecessário, sendo sincero demais. E diria que eu estava bem errado nesse ponto. Entrei até num princípio de crise de ansiedade achando que tinha feito uma cagada monstro. Quando ela me mandou um texto sobre o que considerava, foi uma coisa tão incrivelmente linda, estimulante, empolgante e contagiante, além de muito positiva, que quase chorei de alegria. Parecia um idiota num lugar de trabalho. Obviamente, tendo que sair pra não ser tão explícito.
Aí alguns dizem que eu estou apaixonado. Tenho comigo que o conceito de paixão é algo muito ruim. Esse negócio de você ficar bobo, pensando na pessoa noite e dia, perder o rumo... isso é passageiro. É bem aquele fogo que uma hora se apaga. Está muito longe do que estou sentindo.
O que ocorre agora é diferente. De tudo o que eu vivi. É real. É um companheirismo imenso, parceria, carinho total, respeito sem perder a essência. É algo verdadeiro, de ponta a ponta. É algo que deixa definições aqui expostas mais confusas do que se eu não tivesse falado nada.
E por isso o que temos juntos não ganhou um nome ainda. Pra alguns eu digo que estou namorando, pra outros ficando, pra outros apenas que estamos juntos. E pelo que vi ela também está nessa pegada. Quase um lance filosófico.
E mais: nunca, em momento algum, fui tão elogiado quanto agora. O que essa mulher me joga pra cima é algo inacreditável. Eu fico pensando se eu mereço tudo isso. Se eu sou tudo isso. Algumas vezes me sinto a pessoa mais importante do planeta! Mas me sinto alguém que realmente consegue tirar sorrisos verdadeiros de uma pessoa espetacular.
Não só um novo começo. Mas o mais maravilhoso de todos!

ENQUANTO ISSO, O LIBERALISMO


Sim, eu sou um liberal. Nos costumes. Acredito piamente que as pessoas têm o direito de serem, viverem e acreditarem no que as fazem feliz. Seja opção sexual, religiosa, amorosa, musical, ou que porra ocorrer. A própria liberdade é pressuposto básico de qualquer democracia, assim como do capitalismo. Adam Smith trouxe em sua obra a individualidade e o respeito a cada ser humano, o que foi consolidado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. E isso já deveria ser pressuposto básico na mente de cada um.
Mas não é. E em muitos aspectos, o liberalismo econômico ajuda a manter esse quadro maluco. A ideia trazida à tona por Adam Smith, como a expressão máxima do capitalismo, que inclusive foi a responsável pela criação do comunismo, em resposta, que de liberal, na prática, não tem nada.
Se você ler o que diz o liberalismo certamente você vai se apaixonar. A ideia é excelente. As pessoas são responsáveis pelo próprio sucesso. Fazem suas escolhas, seu caminho, ganham ou perdem de acordo com seu mérito, partindo de igualdade de condições, cada um buscando de acordo com suas necessidades e seus sonhos.
Lindo, né?
Mas não precisa ser nenhum gênio pra ver com clareza que isso é uma imensa merda, e que na prática é impossível dar certo. Infelizmente quase 300 anos não foram suficientes para deixar claro pra muita gente isso.
Gostaria de começar me questionando sobre essa ideia de igualdade de condições. Eduardo Bolsonaro nasceu nas mesmas condições que um catador de lixo na sua época? Se é muito, pensemos no filho do Lula em comparação com o mesmo catador. Há igualdade de condições entre essas figuras? Eles terão que participar de batalhas minimamente semelhantes para atingirem o mesmo sucesso? Eles serão brindados com a mesma educação? Com as mesmas condições de transporte? Terão ambos alimentação adequada, da mesma forma?
É óbvio que não. As condições financeiras iniciais fazem com que o caminho dos filhos de políticos sejam incrivelmente mais fáceis. E se fosse não quer pensar nesses grupos, é só imaginar filhos de empresários com fortunas, de pessoas ricas em qualquer natureza. Em contrapartida a quem não tem qualquer condição. A luta já começa absurdamente desigual, e nunca a desvantagem será relativizada nesse tipo de sociedade.
Existem as exceções. Pessoas que vêm da pobreza e se dão muito bem, fazendo fortuna, enquanto existem ricos que afundam na miséria ou em algum tipo de desgraça. O primeiro caso é muito raro. Praticamente um milagre. O segundo, na nossa sociedade tão doente e problemática, tem se tornado mais próximo da regra do que da exceção.. Mas no geral, quem nasceu pobre, irá morrer pobre, não importa o quanto se esforce.
Quem detém os meios de produção detém o poder. E nesse caso, sendo bem claro, manda quem tem dinheiro. Quem tem poder financeiro escolhe como a coisa caminha. Quem não tem, precisa dele pra sobreviver. Precisa de emprego, e este será oferecido por quem tem dinheiro. E as condições de como será essa relação será dada pelo dono do capital. Porque se o pobre não quiser se sujeitar, muitos outros famintos estão esperando por isso.
Daí temos jornadas extenuantes, cobrança de produtividade desumana, salários muito abaixo do que seria justo e muito assédio. E diante do poder nulo do trabalhador, é aceitar ou morrer de fome. Daí entramos no conceito de mais-valia, de Karl Marx, que é absolutamente perfeito. O rico ficará cada vez mais rico. E o pobre mais pobre. A desigualdade social no liberalismo econômico aumenta cada vez mais.
E o Estado pouco interfere. Não há leis de proteção, não há direitos, não há programas de incentivo, nem carga tributária que garanta a distribuição de renda. Apenas uma imensa passividade diante do caos espalhado por quem tem poder. E pensando no sistema capitalista, o objetivo é o lucro. E este se dará acima de qualquer coisa.
Não sem motivos em todos os momentos que essa aberração foi implantada, foi um desastre. Às vezes não de cara. Em geral, costuma ter alguns momentos de estabilidade, diante de problemas deixados sem solução em outros sistemas. Mas a desigualdade social cresce de forma geométrica nesse sistema, até o anseio social explodir. Isso pode ocorrer na mudança de rumos em eleições, ou em revoluções, como o que ocorre no Chile atualmente.
Até tivemos o neoliberalismo, onde o Estado intervinha, mas bem pouco. Não nego que seja melhor que o liberalismo puro, até porque pouca coisa é pior que esse caos. Mas ainda assim o capital manda e desmanda. Empresas e empresários, com dinheiro, dão as cartas. Existem limites, mas nem sempre são respeitados.
E agora o que se começou a perceber é que o liberalismo anda de mãos dadas com o autoritarismo. Para que se tire direitos e deixe-se de haver um Estado regulador, é preciso um Estado opressor. Pessoas tendem a se rebelar contra injustiças. Aí entra o governo, pra desintegrar tais manifestações. Tira-se de circulação os desordeiros, trazendo suas figuras como criminosos, enquanto as pessoas perdem cada vez mais sua dignidade.
Basta ver Paulo Guedes. Esse ser abominável esteve presente na ditadura mais sanguinária da América Latina. Foi responsável por um sistema que trouxe a pobreza extrema, especialmente aos mais velhos, o que agora transformou o país num barril de pólvora e ódio, incontrolável (e que espero que sirva de inspiração para o nosso país!). Mas não só isso: ele quer inserir essas ideias cretinas no nosso país. Acredita que pobres não poupam porque não querem (comer é só um luxo dispensável). Defende abertamente um AI-5, o ato mais repugnante da história do nosso país. Defende que direitos sejam eliminados, que pobres paguem mais e mais impostos, inclusive pra trabalhar. E a mesma pobreza na velhice. E para isso, precisa tratar quem pensa diferente como inimigo. Agora seu alvo são os servidores públicos (categoria da qual eu faço parte). Ameaça regras que dão ao Estado o poder de cortar salários.
O liberalismo é sofrimento. É o caos. A fome, e a miséria. E a tirania. Esse sistema jamais foi implantado em qualquer sociedade que tenha atingido um mínimo de igualdade social. Não há justiça. Só sofrimento e dor. É comprovadamente um desastre. A não ser para quem está cagando para seus semelhantes. Curiosamente, boa parte se auto-denomina cristãos.

AH, ESSE CAPITALISMO


Nunca escondi de ninguém meu viés de esquerda. Entendo e deixo claro que as ideias propostas por pensadores de esquerda, em sua maioria, apresentam soluções muito mais apropriadas para o bem estar da raça humana, do que as da direita. Colocando num âmbito atual, em que isso quer dizer que de uma forma geral são as que melhores podemos aproveitar, enquanto os que são trazidas pelo pensamento de direita também conseguem remeter a boas ideias, mas a meu ver em menor grau.
Não há como atualmente aderir a uma ideologia de forma pura. Entendo esquerda e direita como meros pontos de partida, onde você tem um norte sobre a forma de atingir um objetivo, que precisará necessariamente mesclar um monte de coisas. Se você é uma pessoa inteligente, você nunca será um esquerdista total, ou um direitista total. Isso é radicalismo puro, e os fatos históricos já mostraram que não funciona.
Por isso tenho ficado perplexo quando digo que sou de esquerda, e um monte de gente vem me perguntar se eu acho que o comunismo deu certo, como eu consigo seguir um regime totalitário que levou à pobreza de centenas e não dava possibilidade da manifestação do pensamento diverso.
Isso sempre me irritou, pois eu jamais na minha vida fui comunista. Adoro os escritos de Karl Marx, como todo esquerdista. Mas vejo falhas gritantes em sua obra, algumas corrigidas por outros pensadores posteriormente, enquanto outras seguem sendo idolatradas e criando problemas por onde passam. E essas falhas me impedem de seguir o que ele escreve.
Por outro lado, alguns dos grandes pensadores do capitalismo, especialmente Adam Smith, trouxeram pontos muito interessantes em suas obras. Não vejo como algo que se mantém de pé por si só, mas há coisas que jamais poderiam ser descartadas. Especialmente a evolução pessoal e a busca individual pela felicidade e pelo progresso. Algumas dessas ideias hoje são mais usadas por pessoas que se dizem de esquerda do que as que se dizem de direita.
O que posso dizer é que sou um capitalista. E gosto da ideia de ser um funcionário. No caso atual, um funcionário público. Mas jamais quis ter um negócio próprio. Como empreendedor, nem no mais remoto delírio. Enquanto ainda estava trabalhando como artista, a ideia de “vender” o meu trabalho, ou divulgar minhas ideias me causava um imenso calafrio. A própria ideia de um blog demorou décadas, sendo que escrevo desde a adolescência. E só ocorreu quando não havia qualquer possibilidade profissional, de sucesso ou de ganhos financeiros.
Mesmo assim, cumpro meu horário, realizo muito bem meu trabalho e dou uma boa dose do sucesso para minha autarquia. E faço a mais absoluta questão de ter meu salário no início do mês. Tenho algumas futilidades típicas do capitalismo, como a internet que uso agora, duas máquinas de café expresso, meu hd que enchi de heavy metal e uso o dia todo. Uso valores financeiros o tempo todo.
Sendo assim, sou um capitalista. Um capitalista de esquerda, como praticamente todos os que se dizem de esquerda hoje. O comunismo está morto. Sei que isso é triste para alguns, e fake news para outros. Mas se você estiver fora da Coréia do Norte e não estiver falando com alguns poucos resistentes em Cuba, ninguém mais é comunista. Com exceção de alguns doidos espalhados por aí, que ainda têm um desejo utópico de resgatar as ideias originais de Marx.
A esquerda atual não tem nada de comunista. Alguns se dizem comunistas, mas claramente não agem dessa forma (e ainda trouxeram a maldita fama de socialista de iphone). Qualquer pessoa de esquerda mais ou menos normal, com uma capacidade intelectual normal, vai defender ideais de justiça social, distribuição de renda equalitária, direitos humanos respeitados, entre todos os ideias que possam demonstrar igualdade. Isso é ser de esquerda.
E é perfeitamente possível. Os países nórdicos nos mostram que isso é real, possível e maravilhoso. Estes países apresentam, em sua maioria, a mais alta carga tributária do mundo, incentivos a empresas privadas e à livre iniciativa como um todo, mas a distribuição de renda mais perfeita do mundo. As pessoas recebem do governo a prestação do serviço pelas quais pagaram seus impostos. Você tem educação de qualidade, saúde de primeira, segurança e o maior IDH do planeta. Todos inseridos num sistema capitalista. Não há ricos, mas também não há pobres. Simplesmente há justiça.
Não quer dizer, de forma alguma, que não há problemas. Todas as sociedades têm seus problemas. E não quer dizer que esses países chegaram à perfeição. Mas com certeza é o mais perto que podemos imaginar. É o ideal de esquerda aplicado da forma mais linda e espetacular o possível.
A ideia cretina de que a esquerda está atrelada ao comunismo cresceu com o crescimento da extrema direita. Especialmente aqui e nos EUA. Caras como John Bannon, especialista em divulgar notícias falsas e difamar todos os que pensam contra ele, na propagação do extermínio de adversários, são os típicos responsáveis por essa babaquice.
Aqui temos seres ainda mais repulsivos, como Olavo de Carvalho, que em qualquer momento normal da história seria considerado um doente mental, trancafiado num hospício, fazendo vídeos engraçados para tentar recuperar a sanidade. Mas aqui se tornou um ícone para muitas pessoas, e o guru do governo. Daí o fato de não surpreender o nível caótico dos nossos líderes.
Olavo trouxe à tona ideias incrivelmente cretinas, como o terraplanismo, o heavy metal propagar o satanismo, as vacinas serem a propagação do autismo, e especialmente, a Pepsi ser feita com fetos abortados como adoçantes, colocando as pessoas como abortistas terceirizados (acreditem, esse vídeo é ótimo. Vale a pena assistir!). Colocando esse doente num país onde o nível de escolaridade e de educação é medonho, fica claro o motivo dele ter se tornado uma lenda para um número incrível de pessoas.
E essa aberração levantou a ideia de que estávamos para sermos pegos por um golpe comunista, no governo do PT, que foi iniciado pelo “Foro de São Paulo”. Um monte de gente com nível intelectual baixíssimo caiu facilmente nessa falácia. Porém, algumas pessoas incrivelmente inteligentes ainda seguem esse cara. Quer dizer, inteligentes numas. Ouvir muito as bobeiras desse doente tendo-as como sérias é incrivelmente danoso ao cérebro.
E seres como esses, trazendo ideias arcaicas e mortas, foram os responsáveis pela associação da esquerda ao comunismo. Algo que jamais se comprovou, que numa pesquisa bastante simples pode ser derrubado, e que só favorece popuistas de direita. E de quebra ainda aumenta muito a divisão entre as duas alas, fazendo com que as boas ideias de ambas as partes não se encontrassem nunca mais.

sábado, 7 de dezembro de 2019

O MOMENTO MAIS SOMBRIO


Tenho 39 anos. Quando encerrou-se a ditadura militar eu tinha oito anos. Era pequeno demais, e com pouco conhecimento social para entender o momento. Aquele sem dúvida foi nosso momento mais triste.
Porém, do que eu vivi, sem a menor sombra de dúvida estamos vivendo o momento mais triste da história desse país. A eleição do fascista e mais alguns que vieram a tira colo, seus ministros e aliados, revelaram o lado mais podre e desprezível do nosso povo. Pessoas, até então tidas como boas e sensatas, se revelaram, ou ficaram completamente malucas. Eu diria que cerca de um terço do nosso povo mostrou seu lado repulsivo. E isso não tem volta.
Já escrevi muito sobre as ações desse psicopata. É um show de horrores sem fim. E eu definitivamente não consigo aceitar seres humanos não tendo um pingo de compaixão com outros seres humanos. O que temos aqui nesse momento é uma perseguição imensa contra vários tipos de minorias, bem com um estímulo institucional a essa perseguição, muitas vezes violenta. E o povo que apoiou esse doente ao invés de se revoltar com essa situação tenta usar todo tipo de argumento para justificar a barbárie.
Desde que ele se tornou o nome forte da extrema direita, o que tivemos foi uma perseguição declarada aos homossexuais, inclusive com declarações diretas desse boçal afirmando que o Brasil não gosta de gays. Seguiu-se na mesma época a perseguição às mulheres, especialmente as que seguem o movimento feminista.
Depois disso tivemos ataques diretos ao meio ambiente e aos povos indígenas, com queimadas e desmatamento recorde e absoluta inércia do governo, sendo atacados inclusive por outros países, revoltados com a letalidade desse atual governo. No embalo seguiu-se assassinatos a ambientalistas, e uma série infindável de ameaças.
O movimento negro também foi alvo, com declarações desprezíveis de que o Brasil não teve escravidão, seguidas de que a escravidão ocorreu por causa dos próprios negros, e depois afirmando que a escravidão foi boa para os negros. Aquela coisa que tentava arrumar e ficava ainda pior.
Uma pregação religiosa imensa, onde o programa evangélico passou a fazer parte do programa de governo, e todos aqueles que não eram evangélicos passaram a ser alvos desse governo doente. Especialmente os seguidores das religiões de origem africana. Com tentativa de imposição de culturas, costumes e regras.
Os funcionários públicos passaram a ser perseguidos. Foram tratados como culpados pela situação do país, como se estivessem recebendo verdadeiras fortunas e não trabalhassem para isso. Iniciamos uma série de projetos de retirada total de direitos, cortes de salários, xingamentos.
Por fim, essa semana veio o massacre de Paraisópolis. Um baile funk, repleto de pessoas pobres, negras e com baixa escolaridade, foi reprimida com absurda violência. Nove mortos, um de 14 anos. Pessoas espancadas apesar de rendidas. E olha que eu abomino baile funk e os exageros na perturbação que causam. Mas você não reprime barulho com assassinato.
Isso pensando no que eu fui capaz de lembrar agora. Vários grupos, geralmente fazendo parte de minorias, tratados com ódio. Atacados, especialmente com fake news (vai dizer que você nunca recebeu declarações que feministas tinham pelo no sovaco?). Que passaram a ataques reais. O programa de ódio se espalhou.
Uma das regras básicas para ser considerado humano é ter compaixão pelos semelhantes. Analisar o sofrimento alheio e ter um pingo de sensibilidade. Tentar ajudar, de alguma forma, nem que seja criticando atos criminosos, ainda mais os cometidos de forma institucional.
Aqueles que não conseguem agir de forma minimamente humana, que não só não ligam, como justificam e enaltecem o sofrimento, não podem, em hipótese alguma, serem chamados de seres humanos. Não merecem respeito, não merecem qualquer atitude positiva.
Pessoas assim não devem fazer parte de uma sociedade. Esse tipo de pensamento deve ser estirpado. Muitas dessas coisas já deveriam ter sido tornadas crime há muito tempo.
O apoio a este governo psicopata não é só o apoio ao atraso. É o apoio ao ódio, à morte, ao sofrimento. E o apoio a que todos os que pensam diferente sejam esmagados. Não há nada mais entre direita e esquerda, até porque ser feminista, ser laico, não ser racista, ou tudo aquilo que foi descrito, não é uma característica de alguém da esquerda. É de alguém com um mínimo de vergonha na cara. E existem sim muitas pessoas da direita que sabem disso e defendem pontos de vista que valorizem a raça humana.
Até quando vamos aceitar essa barbárie sem fazer nada? Já passou da hora de nos levantarmos e mostrar que ainda temos um pouco de decência como seres humanos.