sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A ESCOLHA E A EVOLUÇÃO

Para quem me conhece, sabe que sou um persistente nato. Acredito que tenha um ego altamente inflado, pois a negativa numa empreitada pra mim é motivo de não conformismo, ao invés de decepção. E como ateu confesso, vejo um fracasso como uma demonstração de onde erramos e o que podemos melhorar, partindo daí para uma nova tentativa, mais eficiente.
Disso posso dizer que tirei minha aprovação para Escrevente do TJ, em 2007, após não conseguir em 2004. Analisei algumas falhas, o que eu precisava melhorar, me esforcei, tentei de novo, e consegui.
Não acredito que isso seja uma característica pessoal. Acredito piamente que quem se esforçar, agir de acordo com uma auto-crítica total e estiver disposto a evoluir, vai conseguir. Não é fácil, e menos ainda rápido. É uma escolha, que leva a denegar algumas outras possibilidades. Mas é perfeitamente possível.
A evolução é uma escolha. Você pode optar por corrigir seus defeitos, ou colocar a culpa no outro. Pode encarar uma derrota como uma afronta, ou como uma oportunidade de dar a volta por cima. Até mesmo uma traição sexual pode ter seu lado proveitoso, se você tentar tirar daí alguma eventual atitude sua que possa ter levado à frustração do outro para que isso ocorresse.
Mas esta escolha tem seus limites. Um relacionamento amoroso, por exemplo. Você pode brigar por ele contra todas as adversidades que ocorrerem, trilhar um caminho juntos, ser um grande parceiro em todos os momentos. Mas isso só é possível quando o outro está em total consonância com a sua atitude. Se a pessoa não quer ficar com você, não importa o que você faça, ela estará ao seu lado somente para evitar um problema maior, ou por algum outro interesse, ou pelo simples comodismo, que ainda não tenha sido percebido, em alguns casos.
E neste sentido a própria ideia de evolução viria no sentido de entender que todo o esforço possível foi feito, que você lutou, batalhou, se esforçou, melhorou, se superou, mas nem sempre a vontade dos demais seguiu este mesmo ideal. Nada pra se envergonhar ou se frustrar, até porque, a luta é sempre digna.

Mas às vezes a evolução também requer a aceitação que não vencemos sempre. Aceitar que a experiência é válida, nos tornará ainda maiores, mas é preciso seguir a vida em frente, enfrentando os próximos obstáculos. É meio dolorido, um tanto quanto constrangedor, mas nem sempre a decisão pode estar em nossas mãos.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O QUE O FUTURO NOS RESERVA, QUANDO ANDAMOS PARA TRÁS?

A recente decisão do STF de permitir o ensino catedrático religioso nas escolas, demonstra como estamos andando para trás em passos largos, na nossa sociedade. Some-se a esta decisão a censura a uma peça de teatro que exibia Jesus Cristo com um transexual, ou anteriormente a proibição de exposições de arte por conteúdo dito impróprio.
Desde 1988 evoluímos para um Estado laico, livre de censura, com possiblidade de livre expressão, onde homens e mulheres são livres e iguais. Com o tempo, a homossexualidade ganhou o mesmo status, mesmo não sendo explícito texto de lei. Estávamos caminhando para o mesmo tratamento para animais.
De repente, o mundo começou não a andar, mas correr para trás. Um conservadorismo retrógrado, sem sentido e desprovido de conhecimento, que faz com que percamos tudo aquilo que conquistamos ao longo de séculos de muito sacrifício e luta.
A recente pesquisa que quase metade dos brasileiros quer uma intervenção militar, depois de amargarmos quase trinta anos dessa aberração, com muita gente torturada, morta ou desaparecida, simplesmente porque não concordava com o governo, mostra que a capacidade intelectual recuou absurdamente no nosso país.
Agora temos uma “bancada evangélica”, que quer trazer como norte para o país a crença que eles acreditam que está de acordo com a vontade deles, que não é compartilhada por todos nem mesmo no bairro de onde saíram. Uma bancada de políticos que traz seus interesses religiosos acima dos interesses da nação. E isso não é piada.
Como chegamos a este ponto? Será que é tão difícil de entender que estamos voltando no tempo, abrindo mão de todas as conquistas que duramente conseguimos?
Fico imaginando como será criado meu filho, por nascer, num país tão patético que não consegui aprender com sua própria história. Será que ele vai ser mais um machista ridículo que trata mulheres como inferiores e gays como aberrações? Será vai ser dos que acham os índios os vilões e pregam direito algum pra quem é minoria?
E as meninas que estão nascendo por estes tempos, serão meras submissas a seus maridos, correndo o risco de serem estupradas a cada saída de casa? Será que trataremos nossas mulheres como meras procriadoras e escravas sexuais, como foi um dia?
E de repente nos veremos jogando escravos para se matarem em coliseus, uns contra os outros, todos contra animais selvagens? Jogaremos gays de prédios em todos os cantos do mundo? Iremos declarar guerra contra todo aquele que não crê na mesma baboseira que nós? Que espécie de futuro vocês querem dar a seus filhos com esse tipo imbecil de pensamento? Porque desta forma, no momento em que eu deveria estar muito feliz pelo nascimento do meu, estou dominado pelo pavor do tipo de futuro que ele terá pela frente, num mundo, e especialmente num país, tão ridiculamente atrasado.

SE VOCÊ NÃO ENTENDE DE ARTE, O QUE VOCÊ QUER OPINAR?

A exposição Queer Musian e a recente performance com um homem nu, com a infeliz permissão de uma criança tocá-lo acenderam no país uma antiga e já superada batalha no mundo, sobre o que pode ser considerado ou não arte. Batalha esta que teve seu auge em 1917, bem como nos anos seguintes. Ou seja, estamos 100 anos atrasados em relação ao próprio questionamento.
E para piorar, não são levadas questões estéticas ou filosóficas, que são aquelas que guiam a arte ao longo do tempo. No Brasil estamos envergonhando grandes artistas ao colocar a arte dentro de um leque moral ou religioso, que era sua pauta no Século XVI. Neste caso, nosso atraso é colossal.
Mas o que me deixa mais perplexo é que as pessoas que passaram a criticar ou se manifestar duramente sobre a produção artística atual, em geral, não têm o menor conhecimento sobre o que é arte, como ela evoluiu ao longo dos séculos, e menos ainda, quem são os grandes expoentes que levaram ao que ocorre hoje.
Possivelmente há o conhecimento sobre Leonardo da Vinci, que por sua vez já trabalhava com a figura humana em nudez, cheios de conteúdos eróticos ou com mensagens subliminares, utilizando crianças, querubins e animais. Também devem conhecer Michelangelo, pela incrível fama de suas obras.
Mas será que tais pessoas seriam capazes de diferenciar suas obras renascentistas das que vieram posteriormente, barrocas? Será que com o estilo artístico que era utilizado, com técnicas pictóricas, seriam capazes de entender o que era uma coisa ou outra? Será que poderia diferenciá-las do realismo do século XIX, uma tarefa incrivelmente simples para qualquer estudioso da arte.
Mas conheceriam os principais conceitos da arte moderna, fruto da grande controvérsia da Semana de Arte de 1922? Saberiam qual teoria artística utilizou Picasso para ter a fama que tem hoje? Será que sabem quem é Henri Matisse e como ele foi o principal expoente do Fauvismo? Será que conhecem Renné Magrite, a meu ver, o maior nome do Surrealismo (ao contrário da crença popular, que é Salvador Dali)? E conseguiriam linkar com a criança de Paul Gaguin, cerca de um século antes?
Aliás, conheceriam essas pessoas o incrível trabalho de Marcel Duchamp, e como em duas obras ele revolucionou toda a história milenar da arte, dando início ao que vemos como arte moderna? Será que saberiam entender o que foi o dadaísmo, e como isso teve impactos irreversíveis para a arte atual?
Com algumas exceções, creio que não. Pelo que tenho visto, a arte tem sido objeto de duras críticas por quem sequer conhece sua história. Pessoas que cravam o que é o ou não arte, mas jamais tentaram entender os conceitos aplicados nos primórdios da arte. Como levar em consideração tais manifestações, totalmente desprovidas de conhecimento?
Claro que a arte pressupõe crítica. Nem todas as produções atuais poderão ser consagradas como obras de arte. Muitas são meras tentativas, frustradas. Outras talvez desprovidas de criatividade suficiente para sobreviverem ao tempo. Mas a gama de possibilidades de criação artística jamais poderia ser limitada por críticas, mesmo aquelas de pessoas que se dizem entendidas no assunto. Afinal, Van Gogh, Renóir, Monet, Picasso, entre tantos nomes imortalizados na arte foram duramente criticados por especialistas, que se mostraram pífios em seu trabalho.

No entanto, jamais, em qualquer situação, a arte pode ser objeto de crítica baseado em valores morais, totalmente parciais, e ainda mais em religiões. A arte não está a serviço dessas futilidades, mesmo que às vezes possa trazer tais temas em suas obras. E se você ainda não percebeu isso, é melhor se informar e estudar mais.

domingo, 24 de setembro de 2017

SEXO É VIDA

No momento mais conservador que já presenciei no nosso país, vivemos uma verdadeira cruzada contra a vida sexual, especialmente quando o assunto é o sexo entre pessoas do mesmo sexo (se é que me entende).
Graças a uma patética ideologia religiosa, existe uma mentalidade de que o sexo é errado pra muita gente. Serve apenas como procriação. E há até um pequeno grupo de pessoas que se diz “assexuado”, onde não existe um interesse real por sexo.
Particularmente, todas essas ideias pra mim demonstram nada mais que uma profunda perturbação mental. Bloquear o sexo é uma demonstração clara que seu organismo apresenta problemas a serem tratados, ou mesmo que a sua mente esteja em desequilíbrio total.
Existem necessidades biológicas inerentes a todos os seres vivos, como dormir, comer, evacuar, exercitar o corpo. E entre elas, está o sexo. Se não podemos viver sem nos alimentar, ou sem dormir, o que faz as pessoas pensarem que é possível viver sem sexo?
Talvez exista uma dificuldade em se descobrir qual modalidade que as pessoas realmente preferem, como que tipos de parceiros, quais  posições, modalidades, locais. Algumas pessoas preferem vidas mais liberais, outras relacionamentos abertos, outras relacionamentos grupais... não vejo problema alguma em buscar aquilo que realmente poderia saciar os desejos. Mas é importante chegar a tal busca.
E não existe nada pior do que sentir-se sexualmente desprezado. Especialmente quando você decide viver com alguma pessoa que manifesta esse desejo, mas que de repente ele acaba e que há uma resistência absurda em tentar se resolver tal problema, como se ele fosse insolucionável mas você se recusasse a seguir adiante.
A não correspondência quando o assunto é sexo, especialmente por um parceiro fixo de longa data também é algo danoso à saúde mental. É um golpe violento na auto-estima de qualquer pessoa. Faz com que ela se sinta muito mal. A negativa reiterada sem sombra de dúvidas pode trazer sintomas de depressão.
Obviamente que honestidade é tudo. É preciso saber se tem sido feito algo pra desagradar, se podemos melhorar, se é preciso mudar alguma coisa, se o estilo do relacionamento deixou de ser tão interessante. Mas se aquilo que foi colocado como problema foi superado e a coisa não mudou, não existe outra saída senão procurar ajuda especializada para colocar a vida nos eixos.

Não existe relacionamento amoroso sem sexo. O nome disso é amizade. Eu amo meus amigos, mas não transo com eles. E também não faço planos de morar na mesma casa que eles por mais que um curto espaço de tempo. Se o relacionamento chegou nesse ponto, deixou de ser relacionamento e passou a ser mera amizade.

DIÁLOGO SINCERO OU NADA

Casamento é uma empreitada dificílima. Duas pessoas altamente diferentes, com uma história de vida cada um, que se cruzam em um determinado ponto para colocar tudo num mesmo espaço. Tudo movido pelo intenso desejo de formar uma família feliz, perpetuar o nome e construir uma história.
No entanto, com duas mentes diferentes, por mais que exista amor, ele só irá perpetuar caso essas mentes sejam capazes de chegar a um equilíbrio sobre o modo em que a vida será levada. O que na prática parece extremamente fácil. Mas é absurdamente difícil.
Ter um ritmo de vida, com manias, costumes, objetivos e um determinado comportamento e de repente se ver no mesmo local que uma pessoa que traz tudo isso de sua forma mas totalmente diferente, é quase uma insanidade. É basicamente ver se o amor pode sobreviver a uma luta de gladiadores. Você começa a ter que ceder muito da sua personalidade para poder viver em paz e em amor, mas ao mesmo tempo tenta não anular sua personalidade.
E depois de muito tempo vivendo esta situação, fica claro que o amor não é a coisa mais importante para ter sucesso nessa empreitada. O que importa, acima de todas as coisas, é a possibilidade de poder conversar de forma honesta e sincera. Diálogo é a única forma de conseguir chegar a um senso comum dentro de uma família.
Você tem que ter a liberdade de falar o que pensa, de ser você mesmo, expor suas angústias, insatisfações e seus desejos. Tem que ser ouvido e nunca guardar aquilo que você acredita ser necessário para que o relacionamento possa evoluir. E claro, ouvir também, porque se há problemas no outro, certamente há em você.
Mas o diálogo inclui um profundo e insuperável desejo de melhorar a cada dia. Já escrevi que isso deveria ser um lema de vida para cada ser humano no mundo. Nossa vida deveria ser uma constante busca por evolução. E isso só pode ocorrer se nós desejamos corrigir erros e melhorar.
Dessa forma, acredito piamente que toda e qualquer crítica que venha de alguma pessoa que nos ama ou que demonstre se importar conosco, tem intuito de fazer com que sejamos pessoas melhores. Pode até ser que ao analisar aquilo que está sendo criticado, discordemos ou concordemos apenas parcialmente. Mas daí a importância do diálogo, onde os pontos podem ser debatidos e solucionados.

Neste sentido, um relacionamento envolve maturidade emocional, pois lidar com críticas não é a coisa mais fácil que existe. E querer melhorar exige muita força de vontade. Mas sem isso, não existe um relacionamento que sobreviva.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

CENSURA NA ARTE: VOLTANDO NO TEMPO

Recebi com surpresa uma informação de que uma exposição de arte havia sido cancelada por trazer obras que incentivavam a pedofilia e a zoofilia. Imaginando que estes atos constituem apologia ao crime, de bate  e pronto fui contra, imaginando que havia sido desta forma.
Vendo as notícias que vieram a seguir, foi apavorante perceber que nossa sociedade está regredindo a períodos medievais no trato com a manifestação artística.
Sendo minha primeira formação acadêmica artes plásticas, por si só a defendo, não importa se gosto ou não. O repertório histórico e contemporâneo trazem coisas que me agradam muito, e outras que acho de extremo mal gosto. O mesmo pode ser dito para outros apreciadores. Da mesma forma que entendo que algumas mensagens são contestáveis. Aliás, a ideia geral da arte é mexer com o imaginário, com emoções e fazer pensar (de uma maneira bem simplista para definir).
Não me lembro o nome correto da exposição ocorrida no Rio Grande do Sul, e isso pouco importa. O que chocou de forma intolerável foi saber que, por se tratar de uma exposição de abrangia sexo de forma bastante ampla, o que incluía homossexualismo e outras formas minoritárias, houve uma imensa contestação e informações inverídicas sobre o que estava sendo pregado.
Na data de hoje procuradores do Ministério Público averiguaram que não houve qualquer apologia a crimes. Mas uma análise bastante básica às obras já seria suficiente. Um apreciador mediano de arte já tem em sua mente que a obra em si é aberta (tomando emprestado o grande Umberto Eco). Isso quer dizer que existem centenas de mensagens contidas numa obra, uma vez que toda a composição é tratada para nos fazer viajar na proposta do autor.
E tratando-se de um tema tão polêmico, as possibilidade de conclusão são ainda maiores. É possível deixar o imaginário fluir até o infinito, tirar diversas conclusões, recuar, abraçar outras ideias. Não há um limite para chegar a algum lugar, mesmo que no fim das contas não gostemos das obras em questão.
Exceto para seres como os que compõe ou os que admiram o MBL. E a coluna deixada por um de seus fundadores na Folha mostra claramente que não há capacidade intelectual para que seus integrantes sequer tentem pensar no que estão observando. Não houve sequer um debate, que é basicamente aquilo que se espera da arte.
Assim como ocorre ainda hoje nos países mais atrasados do planeta, como Irã, Arábia Saudita, Coreia do Norte, este grupo arcaico executou e apoiou um ataque total à página do museu, até que a exposição fosse cancelada. Ou seja, censura ao que não se concorda.
Um retrocesso que beira o período medieval. Uma aberração em momentos em que liberdade se tornou o mantra de qualquer democracia.

Como artista plástico me sinto indignado. Mas como cidadão, sinto um profundo nojo deste grupo, mas mais ainda, uma tristeza imensa pela nossa sociedade se aproximar cada vez mais do fundo do poço.

sábado, 15 de julho de 2017

NÃO IRRITE AS PESSOAS COM SEU BICHINHO DE ESTIMAÇÃO

Já que comecei a falar sobre gatos, acho que podemos estender um pouco o assunto, tratando sobre animais de estimação.
Vejo muita gente que não gosta de gatos. Nem todos são idiotas de maltratar. Algumas pessoas simplesmente não gostam dos bichanos e não querem os ter em casa. Da mesma forma, muitas pessoas não gostam de cães. A partir do momento que não existe um tratamento maldoso, não há agressão, não é deplorável que alguém não queira um bicho desses perto de si. As pessoas têm todo o direito do mundo de gostar ou não de alguma coisa.
Sendo assim, ao contrário do senso comum, é altamente repreensível as pessoas que têm um bichinho e permitem que estes infernizem o ambiente em que vivem, seja com barulho, com sujeira ou com agressividade, obrigando pessoas que não querem ter o bicho a conviverem com ele.
Não sei quem já teve a oportunidade de presenciar um gata no cio. É um inferno. A bichinha mia escandalosamente, se esfrega em tudo, fica agressiva com outras fêmeas, atraia machos para sua casa e ainda faz com que estes tenham brigas violentíssimas. Além do acasalamento ser outro show de miadas gritados e agressões. Se um sujeito não gosta de gatos, possivelmente irá abominá-los quando presenciar tais espetáculos sexuais.
Da mesma forma, quando a pessoa deixa o cachorro latindo sem parar em sua casa, a qualquer hora do dia, quem não gosta de cães irá ficar enfurecido e ainda mais intolerante com esse show. Eu que não gosto do som do latido sinto como se fosse um martelo batendo interminavelmente, dia e noite, tirando totalmente a concentração e não deixando a pessoa dormir.
A nossa legislação obriga que os proprietários tenham os devidos cuidados com seus animais, sendo responsáveis pelos danos que causarem, inclusive se for o caso de danos por ruídos ou perturbação do sossego. Quem tem um bicho é responsável por evitar que ele infernize seus vizinhos.
Não quero que as pessoas sintam ódio das minhas gatas, então evitamos ao máximo que elas fiquem miando a esmo. Da mesma forma que tomamos cuidado quando elas passeiam nos jardins do condomínio, para não danificar nada que não seja nosso. E quando alguém que não gosta de gatos está próximo, evitamos até mesmo que ocorram tais passeios.
Não acho que ações assim farão com que as pessoas mudem de opinião. Mas imagino que isso fará com que pelo menos as pessoas fiquem mais tolerantes quanto à existência de tais animais. Isso com certeza irá ajudar a que não ocorram maus tratos, quando o ódio a ser canalizado é por um dono irresponsável, uma vez que o animal não tem a devida consciência de seus atos.

Sendo assim, se você tem um bichinho de estimação, cuide dele com todo amor possível. Mas cuide com responsabilidade, lembrando que a escolha de tê-lo em sua casa foi sua, e ninguém é obrigado a suportar algo que não foi escolhido. Não irrite seus vizinhos com o seu bichinho.

TELAS NAS JANELAS – GATOS FELIZES

Desde pequeno crio gatos, sendo um irreparável apaixonado por essa maravilhosa e fantástica espécie. Acredito piamente, e defendo isso aos quatro ventos, que o gato é o melhor animal para se ter em casa. Não que eu tenha algo contra as demais espécies, mas acredito que nada é tão maravilhoso e recompensador quanto o amor de um gato.
No entanto, vejo que as pessoas apenas têm em gatos em muitos casos. Possivelmente por acreditarem que os bichanos sejam realmente animais independentes tratam a casa como um espaço para que durmam e dão comida algumas vezes ao dia.
Esse tipo de ação é uma condenação para o bicho. Gatos que têm essa liberdade extrema são frequentadores de ruas, em geral passando a noite toda fora, voltando durante o dia para dormir. Muitos donos consideram isso como um ato de liberdade, mas não é.
Os gatos são apenas relativamente independentes. Nas ruas, estão expostos a todo tipo de perigo possível, desde atropelamento, ataques de cães, ataques de outros gatos, brigas sanguinárias e, principalmente, a imbecilidade de pessoas que tentam agredir ou maltratar os animais, talvez puramente por maldade.
Por mais que sejam livres, o gato não está, jamais, totalmente preparado pra isso. Apesar do costume de voltar todas as manhãs, vai haver uma que ele não voltará mais. A maior probabilidade é que ele tenha sucumbido aos perigos que a rua oferece.
Não vejo esse tipo de coisa como ato de amor. Pra quem acompanha comunidades de gatos nas redes sociais, há um número cada dia maior de pessoas que colocam anúncios na internet procurando gatos que sumiram, citando ser um bicho dócil, às vezes deixando crianças doentes.
Pois bem. As ONGs que maior sucesso têm no tratamento de gatos dão a possibilidade de adoção com uma gama imensa de escolha. O grande fato é que esta adoção precisa ser responsável. E isso significa que o gato não pode ter acesso à rua, até porque a ONG busca a felicidade do animal, não sua condenação.
Adoção responsável é colocar telas nas possíveis saídas do gato. Janelas teladas impedem definitivamente a passagem dele para a rua. A porta claro, não há como lacrar deste modo, mas ainda assim mantê-la fechada é impedir que o bicho suma.
Nossas gatas, Siana e Sofia, prestes a completarem dois anos, vieram para casa já com orçamento feito, e pouco tempo depois, telas foram instaladas. As gatas, desde pequenas, não foram acostumadas com a rua. Uma delas é fissurada em passear no jardim, até porque há plantas na área comum do condomínio em que moro. Não negamos isso à pobre esfregona, mas sempre o passeio é feito com supervisão, sendo que eu ou minha esposa ficamos o tempo todo ao lado das gatas, impedindo completamente que ela corra para a rua.
O costume foi tão grande que, quando ela chega perto do portão, vendo movimentos de carros ou de pessoas, já se assusta e volta para a área conhecida.
Não da pra vacilar e acreditar que ela sempre terá medo, porque a tendência do gato é enfrentar e vencer este medo. E uma hora ela vai chegar até a rua. Como não há qualquer tipo de costume, a duração de vida dele talvez não chegue a 24 horas.
No entanto, com cuidados básicos e supervisão, as gatas estão amplamente saudáveis, dóceis e muito amadas, super companheiras e parte tão integrante da família, que podemos dizer que são filhas. Meu persa viveu 12 anos, sempre com uma saúde de ferro, por ter um acesso restrito à rua.

Sendo assim, se você realmente ama o seu gato, e quer o melhor para ele, não deixe, sob hipótese alguma, que ele seja um frequentador do mundo lá fora. Ele não irá durar muito para expressar sua gratidão. Telar sua casa é um sinal de amor.

UM FATO QUE ME FEZ SENTIR UM IMENSO ÓDIO

Em meados de 2000, a pedido de uma pessoa que considerava minha amiga a época, tentei intermediar uma reconciliação dela com o namorado, após terem terminado o relacionamento. Tentando acalmar os ânimos, com outras pessoas fazendo o meio campo, conseguimos marcar uma conversa. Obviamente, não deu certo o objetivo, e o relacionamento manteve-se rompido. No dia seguinte, ouvi cobras e lagartos por não ter o sucesso desejado, de ambas as partes, no que perdi completamente a paciência e briguei em definitivo, encerrando também minha amizade com essa moça.
Desse dia em diante nunca mais tomei partido em qualquer relacionamento de pessoas próximas. Cheguei a ver um caso de um grande amigo que estava em um relacionamento visivelmente desastroso com uma garota, onde era evidente que havia mentiras e falta de respeito. Mas jamais emiti qualquer juízo de valor sobre o caso.
Acredito que duas pessoas ficam juntas porque, apesar de haver coisas ruins, sempre há boas também. Pode ser que a única coisa boa seja o sexo, mas que seja tão incrivelmente bom, que supere todas ruins. Eu não convivo no dia a dia com um relacionamento que não seja o meu, então não sei quais fatores levam as pessoas a manterem algo que a meu ver esteja ruim.
É bem verdade que amigos trazem informações. Mas sempre temos informações de somente um dos lados, o que é insuficiente para emitir qualquer parecer de forma imparcial, que venha a ajudar.
Dito isso, vejo com uma extrema e irreconciliável revolta quando alguém tenta, por qualquer razão, se intrometer negativamente no meu relacionamento. É absolutamente inaceitável, deplorável e imperdoável que tentem fazer a cabeça da minha esposa de forma negativa para que ela se decida a divorciar-se de mim.
Tenho um monte de defeitos, como todas as pessoas. E pode ser, como qualquer um, que meu relacionamento não tenha sucesso, por incompatibilidade de gênios. No entanto, depois de longos, difíceis e felizes anos, isso caberia exclusivamente a uma análise minha e dela.
Costumo conversar com algumas pessoas sobre meus problemas. Mas pessoas que tentam me acalmar e colocar panos quentes sobre a minha raiva, às vezes tentando me fazer ver o lado dela. Não tenho nem razão para tentar palavras de pessoas que queiram inflamar ainda mais o meu ódio.
Ao longo desses 11 anos de relacionamento, 5 de casados, enfrentamos os mais malucos e intensos problemas, como a morte do pai dela dois meses antes do casamento, extrema depressão por parte dela, um transtorno de ansiedade generalizado pelo meu lado, cujo tratamento continua até hoje. Muita instabilidade emocional, algumas mágoas de parte a parte.
Manter a coisa toda foi altamente difícil, para ambas as partes. Noites e mais noites sem dormir, uma auto-crítica constante, análises de erros, de acerto, do que valia a pena ou não ser tolerado. Muito dinheiro gasto com terapia, com remédios.
De repente me vem uma menina mimada, que conseguiu tudo o que quis, com constante ajuda pelos pais até para as eventualidades materiais, trazer juízos de valor sobre a minha pessoa, sem jamais ter uma única conversa mais aprofundada. Li uma mensagem que eu era um cara que era frustrado com a vida como um todo. Ao postar isso em redes sociais, todos os meus amigos rechaçaram energicamente tal frase, inclusive algumas constando que me viam como exemplo de perseverança e dedicação.
Eu nunca, em toda a minha vida, por maior que fosse a minha raiva, havia sentido qualquer vontade de matar, de verdade, um ser humano. Mas esse sentimento existe claro e indisfarçável dentro de mim. Por um ser altamente desprezível, que veio tentar, a troca de absolutamente nada, destruir um relacionamento que já enfrentou tantos problemas, problemas estes que claramente ela não teria qualquer possibilidade de enfrentar.
E este sentimento permanece, apesar de a raiva maior ter passado.
Gostaria de não sentir esse tipo de coisa. Gostaria de poder perdoar até. Mas mais do que isso, gostaria imensamente que esse ser desprezível e asqueroso mantivesse a máxima distância da minha família e de todas as pessoas que são importantes para mim, até mesmo para que eu possa tentar esquecer esse fato. Porque se esta vadia se aproximar daquelas que dependem de mim, por qualquer razão, é bem provável que meus próximos textos sejam escritos de dentro da cadeia, cumprindo pena por assassinato. E orgulhoso disso.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A ONDA CONSERVADORA E SEUS EFEITOS DESASTROSOS

De alguns anos pra cá, estamos vendo crescer no mundo um movimento altamente conservador, em sua grande maioria, radical e perigoso. O Estado Islâmico no Oriente Médio, a onda neo-nazista em vários países da Europa, bem como a crescente xenofobia que tornou-se pauta governamental. A ascensão de Donald Trump nos EUA, o crescimento da bancada evangélica no Brasil.
É preciso deixar claro que eu sinto um profundo repúdio pelo conservadorismo. Acredito inicialmente que as leis da física deixam claro que conservar é algo bastante transitório e efêmero. Nem mesmo os continentes permanecem no mesmo local, apesar da movimentação ser tão lenta que sequer podemos perceber.
Como podemos imaginar que ideias podem ser mantidas por décadas e décadas, justificadas por uma tradição que começou com uma realidade totalmente diferente. As necessidades mudam, os desejos mudam, a velocidade da vida em si muda. Não há como manter uma relação estática segundo valores morais que são incapazes de se adaptar a uma realidade que se move em progressão geométrica.
Mas mais do que isso: o conservadorismo não é uma busca de estática para o eu. A ideia mais assustadora e perigosa da onda conservadora é a obrigatoriedade de fazer com que outras pessoas vivam sob um ditame moral que elas jamais aceitariam.
No Brasil temos visto a promulgação de leis como a obrigatoriedade do ensino religioso ou de orações em escolas públicas, prática que já abolida há muito tempo, diante de nossa inserção em um Estado laico. Ou pregações evangélicas durante sessões legislativas, no Congresso Nacional, em Assembleia de Vereadores ou tantos outros órgãos públicos, cuja função inclui manter distância de organizações religiosas.
Esta mesma religião que tenta condenar qualquer forma de aborto, mesmo quando traz grave risco de vida à mulher, ou quer controlar a vida sexual de toda e qualquer pessoa do sexo feminino, por ideias que não fazem parte de seus mundo.
Um conservadorismo que ainda hoje tenta diferenciar as pessoas pela cor de sua pele, mesmo sabendo quantos problemas sociais isso nos trouxe e nos traz nos dias atuais.
Este mesmo conservadorismo que quer fazer as pessoas acreditarem que alguém pode ser agredido e assassinado simplesmente porque tem desejos sexuais por pessoas do mesmo sexo. Desejos estes que não atingem em nada a minha vida, nem de ninguém, não tornando ninguém pior, nem melhor.

Por mais que se tente, não há qualquer possibilidade de se observar algum aspecto positivo de atitudes conservadoras. Sabendo que aquilo que eu considero correto e ético pode mudar de uma hora pra outra, diante da velocidade da informação e entendimento que os conceitos podem ter, como podemos aceitar como verdadeiro o fato de alguém querer manter as verdades paralisadas no tempo e se recusar a aceitar aquilo que nasce com o pensamento diferente?

BRASILEIRO NÃO TEM ÉTICA

Em princípio começo me desculpando pelo título tão generalizado. Sabemos todos que existem sim muitos brasileiros honestos e que vivem sob um rigorosa conduta moral. No entanto, com muita tristeza, devemos dizer que é uma pequena exceção.
Pelo que podemos observar, uns 90% da população brasileira está envolvida em algum ato ilícito, em algum esquema, ou em algum tipo de infração. Sonegação de impostos, corrupção, furtos, transgressão descarada de leis de trânsito, mentiras no trabalho... todos os tipos de “jeitinhos brasileiros” para se dar bem sem ter que se esforçar demais.
Acredito que há uma série imensa de fatores que levam a esta situação: um sistema de educação destruído; segurança pública, bem como saúde pública, praticamente inexistentes; um círculo vicioso que impõe a todos os que montam seu próprio negócio a necessidade de se associar a algum tipo de ilegalidade para se manterem de portas aberta. Daí podemos aumentar esta lista de razões até não poder mais.
São tantos problemas que levam a esta situação caótica, que atualmente fica difícil pensar em alguma medida para sanar o problema geral. Onde quer que olhemos, há corrupção e ilegalidade. A imagem que existe do nosso país é das piores.

Não há como sentir orgulho ou amor por um país assim, sabendo que esta situação não vai melhorar a curto prazo, e que pouquíssimas pessoas sequer se interessam pela melhoria. 

SUA OPINIÃO NÃO MERECE MEU RESPEITO 2

Você já tentou colocar uma imagem de Jesus dando a entender que ele era homossexual em algum local público? Já tentou ridicularizar alguma religião em virtude de alguma teoria ridícula? Se não o fez, pense bem antes, pois essa é a maneira mais fácil e rápida de se colocar a vida em risco.
Por motivos absurdamente estúpidos, as pessoas chegaram a um ponto em que a crítica a um ponto de vista, especialmente se este for extremamente polêmico, tornou-se o mesmo que uma ofensa pessoal irreparável. Desenhistas de um jornal foram mortos por fazerem desenhos do profeta do islã.
Estamos no Século XXI, em plena era da informação, onde tudo pode se disseminado em segundos, e as pessoas continuam se matando simplesmente porque você não concorda com a crença de outras pessoas. É preciso manter-se em silêncio, e em alguns casos aceitar o que você acha errado e prejudicial, para evitar uma grande briga.
Não existe conhecimento dessa forma. O que temos aqui é um medo extremo de que outros pontos de vista nos façam ver que estivemos errados por muito tempo. Um medo que se reflete somente numa fobia intensa de mudanças.
Colocar pontos de vista à prova é algo maravilhoso. Existem diversas de visões que foram proferidas ao longo da nossa história, sobre política, religião, espiritualidade, legislação, etc. E ao longo dos tempos, alguns grandes pensadores contestaram outros grandes pensadores, modificando a maneira de agir de todo o planeta.
O cristianismo em sua essência surgiu como uma contestação ao politeísmo, pregando que fosse seguido apenas um deus. Para os politeístas, o cristianismo foi uma ofensa e uma ameaça, tratada com perseguição e sangue. Porém, o cristianismo tratou assim o islã, assim como outras vertentes cristãs de interpretarem a Bíblia.
Em termos políticos, Marx trouxe à luz uma crítica feroz ao capitalismo e ao modelo liberal de produção, de Adam Smith. Hobbes e Locke foram altamente conflitantes em sua filosofia política.
Um tribunal é feito com a colisão de duas teses distintas para um mesmo fato, tentando ambas provarem que apresentam a visão verdadeira sobre o que ocorreu, bem como sobre quem é culpado do ocorrido. O debate é parte essencial da profissão, bem como a necessidade de conhecer, ouvir e contra argumentar a visão do “oponente”.
Porém, agora não se pode dizer que você discorda do outro. Não se pode criticar ideias que você vier a julgar errado. Se você considerar alguma teoria ridícula, o proponente da teoria irá se ofender, como se você o tivesse humilhado por inteiro.
Opiniões e ideias não possuem sentimentos. Não sentem nada. Não são humilhadas, não são ridicularizadas, nem enaltecidas. São apenas linhas de raciocínio, que muitas vezes sucumbem ao tempo. Existem para serem colocadas à prova, debatidas, atacadas e defendidas.

O que devemos respeitar é o direito de cada pessoa defender aquilo que entender mais apropriado. Ou o direito de não defender e apenas manter para si. As pessoas sempre precisarão de respeito por seus pontos de vista. Seus pontos de vista, não.

Sua opinião não merece meu respeito

Começo por dizer que considero o cristianismo uma imensa idiotice que traz imensos prejuízos para a raça humana. Considero também que uma mulher tem o direito de fazer sexo com quantas pessoas quiser, quando quiser. Sou amplamente favorável à reforma agrária. A favor do casamento gay. Contra a liberação das drogas. E por aí vai.
Acredito, pela experiência que tive, que meus pensamentos e opiniões são amplamente polêmicos, e em muitos casos acabam por incomodar quem pensa o contrário. Até porque eu, mais do que tudo, sou um amante incondicional da quebra de paradigmas. Acredito que o simples fato de mencionar quem o cristianismo é uma idiotice é algo ofensivo para muitos.
As pessoas devem ser livres para seguir, defender e propagar as ideias que consideram melhores e mais apropriadas, que acreditam que melhor serviriam à raça humana. Acredito piamente que o intenso debate de tais ideias é algo extremamente positivo para a evolução pessoal.
Considero que o direito de expressão é uma das coisas mais importantes que existe, até porque com ela podemos acertar caminhos, ter ideias, observar erros e aprender. Não existe nada que se possa considerar ofensivo na expressão de opinião de uma pessoa.
Primeiramente porque todos temos o direito de ter um posicionamento e um pensamento sobre cada assunto, de externa-lo e iniciar um debate sobre o ponto. Obviamente não iremos agradar a todos, talvez nem cheguemos a atingir a maioria. No entanto, isso nunca irá invalidar o fato de existir o direito de mostrarmos o que consideramos correto.
Mas o que mais me impressiona quando as pessoas afirmam que não estamos respeitando a opinião que elas têm é: desde quando opiniões exigem respeito? Uma ideia pode ter honra? Uma ideia sofre? Ela sente dor? A ideia poderia ser magoada por falarmos mal dela?
Me parece muito óbvio que nada disso faz sequer sentido. O fato de eu criticar, por mais dura que seja a crítica, o cristianismo, não faz com que haja qualquer falta de respeito com qualquer ser humano. Ninguém deverá, por minha causa, deixar de ser cristão, ou de propagar tal conceito, se entender ser o mais correto. Ninguém será impedido de acreditar em Cristo porque eu estou criticando.
Ninguém será obrigado a concordar com o meu pensamento, nem aceitar o que eu digo, menos ainda concordar só pra não “eu não me sentir ofendido”. Minhas ideias nunca precisaram de respeito algum. Muito contrário, se eu as coloco em um ambiente público, ou se falo sobre elas, significa que estou, mesmo que de forma implícita, me abrindo à possibilidade de receber alguma resposta, no sentindo oposto do que eu penso.
Dessa forma, só posso dizer que estamos vivendo em um mundo adulto, cujas informações explodem a todo momento, em todos os lugares. Existem diversos tipos de filosofias, pensamentos e críticas. Não há como fugir disso. Então, vamos deixar de agir feito crianças mimadas, e aceitar que o pensamento diferente é o que faz o conhecimento valer a pena, e talvez o que nos faça diferente da maioria dos animais. Vamos crescer um pouco.

O JUDICIÁRIO POLITIZADO

Dia 12 de julho. Lula condenado a 9 anos e meio de prisão por corrupção. O fato em si, nada de mais, não fossem as situações que cercam o caso, bem como outros que fazem parte da nossa realidade.
Pra começar, o caso Lula tornou-se um verdadeiro carnaval, desde que tivemos a condução coercitiva de Lula pelo pseudo-heroi Sérgio Moro. A politização do caso, associada a farta cobertura da mídia para todo e qualquer fato que tivesse relação ao processo criou um pulguinha de dúvidas sobre a seriedade da ação.
Junta-se a isso o fato do juiz do caso ter uma ligação bastante íntima com político do PSDB, principal adversário de Lula, culminando com fotos bastante constrangedoras com Aécio Neves e Michel Temer.
Por outro lado, Aécio Neves, pêgo em uma gravação claramente confessando atos corruptos e ameaças de morte a integrantes de sua família, foi mantido solto, e o Supremo manteve seu cargo intacto de Senador, com todos os benefícios e foro.
O presidente da República, no cargo do modo mais fraudulento possível, também foi flagrado na gravação, com posterior confissão indireta do ato em pronunciamento nacional, tendo cobertura plena do judiciário, com sentença altamente favorável pelo TSE, alegando “fartura de provas”, cujo voto decisivo veio pelo Ministro Gilmar Mendes, colocado no cargo por integrantes do PSDB, sendo que antes era claramente a favor da cassação de Dilma, quando presidente.
Eu sinceramente não ligo muito para a condenação do Lula. Se ele for corrupto, que seja condenado e preso. No entanto, as nuances que envolvem o caso, inclusive alegações que não houve provas suficientes para a condenação, e sim somente a delação, trazem um tremendo mal estar para quem acredita no papel do Poder Judiciário.
As ações que sempre se mostram favoráveis a políticos e grupos de direita, ao passo que temos uma mão extremamente pesada contra integrantes da esquerda, demonstram sem qualquer dúvida que não há imparcialidade, apesar de ser um preceito legal.
Deixam claro que todos os políticos integrantes de direita podem fazer a farra que quiserem, que terão ampla cobertura em seus julgamentos, enquanto a esquerda será condenada meramente com delações, mesmo que as provas não evidenciem as delações.
Pra quem não faz parte de nenhuma torcida organizada, os casos em questão são a pá de cal no caixão do país, uma vez que todos já sabemos de cor o péssimo nível de políticos que temos, bem como fica cada vez mais evidente que nosso povo não se mexe nem quando é prejudicado. Mas o judiciário sempre foi a esperança de dar um mínimo de moral nessa merda toda, quando os casos chegavam a ele.

E ver tudo isso em algo que eu realmente acreditava, dói mais que qualquer caso de corrupção já visto.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Você não tem mesmo político de estimação?

Há um tempo atrás fazia algumas críticas ao Ministro Joaquim Barbosa, pela teoria do conhecimento do fato, aplicada para condenar José Genoíno. Especificamente porque nosso direito não contempla esse tipo de ideia, assim como pelo fato de, se isso for imposto ao cidadão comum, muita gente honesta e trabalhadora será posta na cadeia sem ter feito nada.
Joaquim Barbosa se declarou, à Folha de São Paulo, dos que eu li, ser eleitor de Dilma e Lula, elogiando as conquistas de seus governos. Mesmo assim, sendo também nomeado por Lula, não deixou de cumprir seu papel, condenando alguns políticos petistas pelo cometimento de crime. O principal, José Dirceu, era o segundo nome mais forte do partido, e principal nome para suceder Lula em 2010.
O exemplo de Joaquim Barbosa, mesmo não concordando com seus métodos, deveriam ser seguidos. Ele não deixou suas preferências pessoais interferirem em seu trabalho, nem em seu juízo de valores. Aliás, possivelmente, como petista, exigiu um comportamento de acordo de seus eleitos.
O que vemos agora é o extremo oposto. Temos o tratamento de herói a quem condena quem nós somos contra, mesmo que este herói esteja agindo descaradamente contrário aos preceitos legais.
O maior exemplo é o juiz Sérgio Moro. As ações deste juiz são extremamente contrárias às nossas leis. As condenações e ações incisivas contra políticos do PT, inclusive com indeferimento de pedidos da defesa, associado ao histórico familiar com o PSDB, principal adversário petista, onde o mesmo participa de eventos ao lado de tucanos, postando fotos em ações sociais, são os grandes sinônimos de imoralidades cometidas por este juiz.
Analisando nosso histórico político, acredito que Lula tenha culpa no cartório. No entanto, minha crença não é suficiente para condená-lo. Toda condenação requer prova, ampla defesa e a observância do processo legal. Se estes preceitos não forem observados, não há condenação válida.
Além disso, a todos é garantido, de forma constitucional, juiz imparcial. Se ele é amigo da parte, ou inimigo capital, o processo está viciado. Sendo assim, existe a possibilidade de se anular um processo em que o político é culpado, é imensa. E neste sentido, todos aqueles que são anti-PT poderá ter seu sonho anulado por erros grosseiros do juiz.
Não há como pular as etapas judiciais, nem como exigir a prisão de alguém cujas provas não demonstram a culpa. Eu não tenho como, por exemplo, querer a condenação de Aécio Neves, o mais delatado da operação Lava Jato, sem que seja provado amplamente que ele tem culpa.
Mas o que podemos exigir é ampla investigação, de todos. Não só os políticos, como todos os brasileiros.
E a partir do momento que se comemora a prisão do Lula, mas não há qualquer comoção por pelo menos uma investigação contra Aécio e Serra, por exemplo, demonstra-se claramente que não existe uma comoção popular contra a corrupção, mas sim contra o PT.

Daí vemos que existe sim por parte da população, um abraço imenso a políticos que sustentem os mesmos objetivos, mesmo que sejam estes políticos corruptos, sendo eles, mesmo por tempo limitado, seus políticos de estimação.